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Idosa e mulher, sentadas à mesa, acompanham menor, também sentado, assinando um papel.
Foto: Sandra Barros

Vínculo intrafamiliar é foco do trabalho de assistência social da Prefeitura

05/12/2018 | 16:02 | atualizado em 05/12/2018 | 16:02
Passeios guiados em museus, parques, pontos turísticos, atividades lúdicas, artísticas e esportivas, palestras, grupos semanais de reflexão, participação em feiras e eventos, sessões de cinema, teatro e confraternizações, são alguns dos recursos utilizados pelo Sistema Único de Assistência Social para promover a inclusão de pessoas socialmente vulneráveis e o enfrentamento de situações discriminatórias e estigmatizantes. 


 A justificativa é simples: vulnerabilidades socioeconômicas e fragilidade nas relações familiares e comunitárias são questões diretamente relacionadas. É a partir dessa premissa que o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, ligado ao Serviço de Atendimento Integral à Família, estimula e orienta os usuários na construção e reconstrução de suas histórias e vivências, promovendo a ressignificação de experiências conflituosas, violentas e traumáticas.


A Prefeitura de Belo Horizonte trabalha com dois eixos de ação. Por um lado, a equipe trabalha o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo, por meio do fortalecimento da identidade, da autoestima e da construção de projetos de vida. Por outro, fomenta a construção de uma rede de apoio mútuo. A partir de atividades de socialização e incentivo à participação social, busca-se estabelecer laços de solidariedade e gerar sentimentos de pertença e coletividade. Com isso, o serviço tem um caráter preventivo na medida em que contribui para evitar agravos a partir da defesa e afirmação de direitos e do desenvolvimento de capacidades dos usuários.


São promovidos atendimentos domiciliares, além de atividades individuais e coletivas nos Centros de Referência em Assistência Social. Nos encontros semanais, há grupos de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Os participantes são pessoas em diferentes situações de violação de direito. Há jovens cumprindo medida socioeducativa ou que sofreram violência, idosos negligenciados pela família ou em isolamento, pessoas em situação de rua, vítimas de trabalho infantil e de violência doméstica, além de pessoas com deficiência. “A gente bate papo, expõe o que está sentindo e todo mundo tem seu momento pra falar. Os problemas são quase idênticos: dificuldade na família e com os vizinhos, netos nas drogas,” conta Elza Siqueira, de 68 anos, participante do grupo do Centro de Referência de Assistência Social Petrópolis, há mais de cinco anos. 


A divisão dos grupos por faixa etária permite abordar temas específicos indicados pelos próprios integrantes. Saúde, direitos, preparação para o mundo do trabalho, relacionamentos, estão entre as questões mais abordadas. “Não chegamos com nada pronto. Vamos atendendo às demandas que o grupo nos traz”, garante Sandra Barros, coordenadora do serviço na região do Barreiro. Os resultados são avaliados a cada atividade, no acompanhamento da frequência e dos relatos.


“É uma tarde tranquila que a gente vai pra distrair. Todo mundo brinca e a gente sai de lá com outra cabeça. Descarrega bem. Se estiver com raiva passa tudo”, garante Elza. Com a socialização e as novas amizades, as relações familiares também saem ganhando. “Depois que eu fui pra lá, minhas filhas falam que eu melhorei bastante porque eu era muito nervosa”, confessa. Participante do grupo de adolescente há um ano, Jéssica Oliveira, de 16 anos, já levou dois amigos. “Eu gosto muito. A gente pode se abrir, pedir conselhos”, avalia. Ela conta que já fez muitos amigos e comemora o início de um curso de informática a partir do encaminhamento feito pelo Centro de Referência.  


Além da escuta e do compartilhamento de vivências, são promovidas atividades recreativas e de promoção da saúde. “Na terça temos ginástica. Às vezes dançamos ou jogamos bingo”, conta Elza. O artesanato é bastante utilizado como forma de trabalhar a coordenação motora, a concentração, o compartilhamento de talentos e a expressão de sentimentos. “Nos reunimos toda sexta, no Centro Cultural Vila Santa Rita ou na minha casa, para fazer artesanato. Sempre trabalhei pesado e agora estou apaixonada com a delicadeza desse trabalho”, confessa a idosa. As atividades de convívio e as intervenções são feitas tanto com o indivíduo quanto com a família. “Nunca tinha ido ao teatro. Foi muito bom ter a oportunidade e ainda poder levar a minha filha”, conta.


Belo Horizonte conta com uma rede de 34 Centros de Referência em Assistência Social. O território atendido em cada unidade abrange, em média, cinco mil famílias. Também são feitos atendimentos em espaços cedidos. “Buscamos facilitar o acesso da comunidade, realizando os encontros em locais próximos ao grupo”, destaca a coordenadora do serviço no Barreiro. 

 


05/12/2018. CRAS Petrópolis. Fotos: Sandra Barros/PBH