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Fachada do Museu da Moda, durante o dia.
Foto: Ricardo Laf/PBH

Seminário Beagalê debate Direitos Humanos e interfaces com a leitura e educação

21/11/2019 | 14:11 | atualizado em 25/11/2019 | 09:43

Começa na segunda-feira, dia 25 de novembro, a 12ª edição do Seminário Beagalê, encontro dedicado ao debate sobre diferentes questões que atravessam a leitura, literatura, livros e bibliotecas. Promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, o evento será dedicado ao tema “Direitos Humanos e suas interfaces com a leitura, a literatura e a educação”.

 

Nesse contexto, o 12º Seminário Beagalê irá pensar o papel da leitura, das bibliotecas públicas e da literatura no desafio de se garantir o respeito pela dignidade e o valor de cada pessoa. A Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 70 anos em 2018, sendo importante refletir sobre os avanços e desafios em relação à garantia dos direitos à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à proteção para todas as pessoas, sem discriminação. 

 

Considerando ainda a referência do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, publicado em 2018, o 12ª Seminário Beagalê propõe abordar a transversalidade da educação em direitos humanos com as políticas públicas no desafio da garantia do direito universal à cultura e à educação. 

 

“Na contemporaneidade, as questões de igualdade e diferenças tensionam o debate público no campo dos direitos humanos. A 12ª edição do Beagalê é um convite à reflexão em torno de ambiguidades e contradições presentes no tecido social que interferem na garantia dos direitos humanos para todas e para todos” destaca a diretora de Promoção dos Direitos Culturais, Bárbara Bof. Segundo ela, a ideia do seminário é refletir como a educação, leitura, literatura e bibliotecas articulam-se nesse complexo arcabouço. 

 

A programação do Beagalê contempla quatro oficinas e quatro mesas de debates em dois dias de evento. Todas as atividades acontecerão no Museu da Moda (rua da Bahia, 1149). A entrada é gratuita e para participar das oficinas ou solicitar emissão de certificados de participação das mesas será necessária inscrição prévia no site BH faz Cultura


 

Programação

Segunda-feira, 25 de novembro

 

  • 9h30 às 10h – Abertura Institucional

Auditório

 

  • 10h às 12h | Mesa | Desafios da diferença: representações na literatura, bibliotecas e currículos escolares

Auditório

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, ao contemplar todas as pessoas sem distinção, aponta para a necessidade de se buscar práticas de respeito, tolerância e diálogos na sociedade. Neste contexto, surgem movimentos em favor dos direitos LGBTQI+, dos povos indígenas, das mulheres, das populações negras, dentre outros. Como as bibliotecas abordam essa diversidade de temáticas, de autorias e de correntes teóricas de pensamento? Como superar os desafios do atendimento e do acolhimento a diferentes públicos? Esta mesa nos convida ao balanço desse percurso e, ainda, a refletir sobre os avanços das discussões dessa temática no campo da educação em Direitos Humanos em diálogo com a literatura, escolas e bibliotecas. 

 

Debatedoras:

Sarug Dagir Ribeiro

Mulher trans, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFMG. Foi colaboradora do Programa de Educação para a Diversidade da UFOP e UAB, onde atuou como tutora a distância e professora nos cursos de Atualização: Gênero e Diversidade na Escola (2009), Educação para a Diversidade e a Cidadania (2010) e no curso de Especialização de Gestão em Políticas Públicas com ênfase em Gênero e Relações Etnorraciais (2011-2016). Foi colaboradora nos programas sociais: Programa Liberdade Assistida, Programa de Serviço de Orientação Sócio-Familiar da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, no período de 2000-2002.

 

Amanda Machado

Graduação em Letras, mestra em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Minas Gerais e especialista em Projetos Editoriais Impressos e Multimídia pelo Centro Universitário UNA. Com experiência em organização, edição e editoração eletrônica de livros literários, universitários, escolares e outros materiais gráficos. É co-organizadora da Antologia “Poesia Gay Brasileira”.

Mediadora:  Simone Teodoro

 

  • 14h às 16h | Mesa |Todo mundo cabe na biblioteca: acessibilidade em bibliotecas públicas 

Auditório

 

O art. 215 da Constituição Brasileira prevê o pleno exercício dos direitos culturais e a democratização do acesso aos bens culturais. É a partir desse contexto que pensamos a acessibilidade nas bibliotecas públicas, particularmente para as pessoas com deficiência, entendendo que a função social desses espaços envolve a realização de diversas práticas de leitura e escrita, o encontro com a literatura e os livros, além de contribuir para o acesso à informação.

 

O reconhecimento da fragilidade das bibliotecas públicas brasileiras quanto à garantia da acessibilidade para as pessoas com deficiência reivindica espaços de debate sobre políticas públicas culturais alinhadas com os direitos humanos.  Essas discussões envolvem aspectos arquitetônicos e a formação de acervos em formatos acessíveis, cujos diferentes tipos de deficiência (física, intelectual, visual e auditiva) sejam considerados. Como criar programações acessíveis e inclusivas que agreguem pessoas com e sem deficiência nos espaços e atividades das bibliotecas? Como as representações das pessoas com deficiência interferem nos processos educacionais?

 

Debatedores: 

Maria Jaqueline de Grammont Machado de Araújo

Pedagoga, mestra e doutora em Educação pela UFMG (1999) e UFF (2008), respectivamente, e pós-doutora em Educação: Conhecimento e Inclusão Social pela UFMG (2014). Coordena o Grupo de Pesquisa Culturas, Letramentos e Inclusão - Redes Abertas - GPCLIRA e desenvolve pesquisas relacionadas aos processos de exclusão/inclusão no campo de interseção entre Alfabetização e Letramento e entre Cinema e Educação.  

 

Flávio Oliveira

Flávio Oliveira é escritor, mestre e doutor em Educação pela UFMG, professor da rede pública de BH e membro da Diretoria de Educação Inclusiva da SMED. Lançou recentemente o livro de contos “Pequenas histórias de luz e som”, no qual fala, por meio de relatos às vezes poéticos, outras vezes hilariantes, sobre o papel da memória e dos sentidos nas representações de mundo, de quem não vê.

Mediadora: Kátia Mourão

 

  • 15h às 16h | Oficina | Literatura para infância e Direitos Humanos, com Érica Lima

A oficina é um convite a se pensar as relações entre literatura e direitos humanos, a partir de livros ilustrados, informativos e de imagens feitos para as infâncias.

 

  • 16h às 17h | Oficina | Não preciso ser princesa, com Éricka Martin  

Inspirada na oficina de “desprincesamento”, realizada pelo Escritório de Proteção de Direitos da Infância de Iquique (Chile), a atividade busca dar às meninas e jovens a oportunidade de refletir sobre o que é ser mulher, as possibilidades e oportunidades que podem ter. A reflexão será instrumentalizada com a leitura de trechos de textos literários nos quais meninas e mulheres são protagonistas, e a apresentação de personagens femininos importantes da literatura, das artes e da ciência.

 

Terça-feira, 26 de novembro

 

  • 10h às 12h | Mesa | Educação em Direitos Humanos: escolas e bibliotecas públicas

Auditório

Na atualidade, reconhece-se que a participação em práticas leitoras é condição para o pleno exercício da cidadania em sociedades letradas. Entretanto, quais leituras são emancipatórias? São as escolas e bibliotecas instituições que contribuem com este processo? E, ainda, são espaços que possibilitam o confronto de diferentes discursos, dando a conhecer aquilo que nos é distinto, como o conhecimento de outras culturas, a opinião alheia ou a problematização de temas controversos? 

 

Grande parte da população brasileira acessa os bens letrados por meio dessas duas instituições. A leitura possibilita o contato com outros mundos e outras formas de pensamento. O que escolas e bibliotecas representam nas sociedades democráticas, sendo instituições onde diferentes correntes de pensamento circulam?  Quais vozes têm ressonância nesses espaços? E quais são silenciadas? Há nesses espaços possibilidade de rompimento com silenciamentos históricos? 

 

Debatedoras:

Keyla Deslandes

Professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), tem pós-doutorado em Psicologia Política na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),  doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade de Paris e mestrado em Psicologia Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É coordenadora do Programa de Educação para a Diversidade e a Cidadania – UFOP e atua nas áreas de formação de professores/as, gênero, direitos humanos e educação para os direitos humanos.

 

Marina Nogueira - É doutora e mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui graduação em Biblioteconomia pela UFMG e graduação em Psicologia pela Faculdade de Estudos Administrativos de Minas Gerais (FEAD). Atualmente é Bibliotecária chefe da Biblioteca J. Baeta Vianna da Faculdade de Medicina da UFMG e professora do curso de Biblioteconomia do Centro Universitário Claretiano. É pesquisadora do grupo de pesquisa "Bibliotecas públicas no Brasil: reflexão e prática", linha de Pesquisa "Biblioteconomia, cultura e sociedade".

Mediador: Alison Barbosa

 

  • 10h às 12h |Oficina | Curso sobre mediação de leitura para educadores com Viviane Maia.

Curso sobre mediação de leitura para educadores que abordará os elementos constitutivos da narrativa contemporânea para crianças e jovens.

 

  • De 14h às 16h | Mesa | “O risco da histórica única”: reconhecimento, valorização e proteção das culturas afro-brasileira e indígenas.

Auditório

Na educação escolar, as Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08 estabelecem a implantação do ensino de “conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros”. Nas políticas públicas culturais também estão previstas ações de reconhecimento, valorização e proteção da cultura afro-brasileira e dos povos indígenas. Quais os desafios que as políticas públicas brasileiras enfrentam na promoção da igualdade racial? A produção literária contemporânea tem contribuições nessa direção? 

 

Debatedoras:

Madu Costa

Pedagoga (UFMG), com  pós-graduação em Arte Educação pela PUC Minas. Estreou na literatura com a publicação de “A janta da anta” no ano 2000. O livro obteve ótima recepção entre o público e a crítica e deu início a uma série de trabalhos voltados para o leitor iniciante, sempre com foco na preservação e valorização da multifacetada herança cultural presente na diáspora africana nas Américas. É também autora de Meninas negras (2006); Koumba e o Tambor Diambê (2006); A Caixa de surpresa (2009), entre outros títulos da LIteratura Infantil e Juvenil.

 

Anna Patté

Indígena do povo Xokleng de Santa Catarina, possui graduação em Licenciatura Intercultural Indígena pela Universidade Federal de Santa Catarina (2015). Atualmente é graduanda do curso de Direito na UFSC. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em direito indígena, representante da juventude indígena de sua comunidade, conselheira no conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPin) fez parte da comissão organizadora do Encontro nacional de Estudantes Indígenas (ENEI) realizado em Santa Catarina. Fez parte da organização para a conferência regional de política indigenista (CNPI). Faz parte do CIMC (Comitê Indígena de Mudanças Climáticas) que abrange as cinco regiões do Brasil, faz discussões em oficinas promovidas pela RCA (Rede de Cooperação Amazônica) e pelo ISA (Instituto Sócio Ambiental) formação em mudanças climáticas e incidência política.

Mediadora: Rosália Diogo

 

  • 16h às 17h | Oficina | Livros acessíveis, com Gildete Veloso e Glicério Ramos.

Livros acessíveis - equipamentos e suportes como ferramentas de inclusão.


 

Serviço

12ª Seminário Beagalê 

Dias 25 e 26 de novembro de 2019 

Local: Museu da Moda

Rua da Bahia, 1149, Centro.

ENTRADA GRATUITA | Inscrições no site BH faz Cultura