Pular para o conteúdo principal

Dois profissionais da educação e cinco crianças na biblioteca exibindo certificados de premiação e medalhas
Foto: Mara Damasceno/PBH

Projetos de iniciação científica avançam em escola pública municipal

14/09/2018 | 17:04 | atualizado em 17/09/2018 | 14:28
Ensinar alunos com idade entre 9 e 12 anos sobre microrganismos de uma maneira produtiva, interativa e até mesmo extraordinária. Esse é o desafio do projeto “O Incrível Invisível: microrganismos em ação”, fruto de uma parceria entre a Escola Municipal Professora Maria Modesta Cravo, região Nordeste de Belo Horizonte, o Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG e o Laboratório de Microbiologia Aplicada do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. 

A parceria entre a escola e o museu iniciou-se em 2015, por meio do projeto de extensão “O Jardim Botânico vai à Escola”, desenvolvido pelo Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG. O trabalho compreende a implantação de projetos de educação ambiental, a partir da formação de professores e a utilização de novas metodologias pedagógicas voltadas para os alunos.

 A iniciativa consolidou-se de tal maneira, que inicialmente eram dois alunos com bolsas de iniciação científica júnior pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na Escola Municipal Professora Maria Modesta Cravo e agora já são cinco: Amanda Tanure Diniz Lacerda, Eduarda Silva Soares, Gustavo Campos de Araújo, Alice Calixto Faria e Carolina Magalhães Vasconcelos de Lacerda.  Este ano, também participa da inciativa, como voluntária, uma aluna de um dos colégios particulares da região, Ana Clara Santos Baptista. 

Com idade entre 10 e 11 anos, esses cientistas mirins, coordenados pelo professor de Ciências da Escola Professora Maria Modesta Cravo, Henrique Melo Franco Ribeiro, e a bióloga Alessandra Abrão Resende, do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, multiplicam os conhecimentos e experiências adquiridos nos projetos para os 150 alunos do 3º Ano do Ensino Fundamental, além de envolver toda a comunidade escolar.
 

Projeto 2018

O foco deste ano é o projeto “O Incrível Invisível: microrganismos em ação”, por meio do qual, no pavilhão do conhecimento, tudo se torna visível. “A iniciativa apresenta duas frentes de trabalho: a produção de um álbum de figurinhas com desenhos de 16 microrganismos que estão sendo estudados pelo grupo de cientistas mirins e pelos alunos do 3º Ano do Ensino Fundamental e, ainda, a criação de um canal no YouTube - Incrível Invisível”, explica um dos coordenadores do projeto, professor Henrique Ribeiro. Com uma linguagem bem peculiar, as crianças já produziram seis vídeos sobre a temática microbiologia. 

Eduarda Silva Soares, 11, é uma das bolsistas do CNPq e diz-se deslumbrada com a experiência e o projeto. “É muito legal participar dos projetos de iniciação científica daqui da escola, é uma experiência incrível. Aprendemos tantas coisas e ainda podemos compartilhar com os outros alunos. Nunca pensei que pudesse aprender tanta coisa legal sobre os microrganismos e que eles exercem um papel tão importante em nossas vidas”, disse a pequena cientista.

A criatividade é o que não falta na proposta de trabalho. Para tornar a linguagem científica ainda mais acessível e atraente ao mundo das crianças, a importância, as funções e os papéis dos microrganismos no microssistema estão sendo estudados a partir de uma contextualização com os poderes dos super-heróis infantis. Afinal de contas, não é tarefa fácil falar para as crianças sobre seres tão diminutos como os microrganismos, cuja visualização requer o auxílio de microscópio.

Para a bióloga Alessandra Abrão Resende, referência no projeto pelo Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, o empoderamento das crianças às atividades e à vontade de aprender e repassar os conhecimentos tem gerado excelentes resultados.  “É muito gratificante acompanhar o envolvimento dos alunos e também da comunidade escolar no desenvolvimento dos projetos. A troca de conhecimentos multiplica o saber e assim todos cumprem com o seu papel, tanto o museu quanto a escola”, ressalta Alessandra.

Como cultivar microrganismos; perceber a que velocidade eles se multiplicam; aprender que o alimento mais popular do mundo e que acompanha o homem há pelos menos quatro mil anos, o pão, só existe graças a um microrganismo; que o fungo Penicillium sp, o comum bolor do pão, é o microrganismo responsável pela produção da penicilina, antibiótico contra bactérias que ajuda, até hoje, a salvar a vida de milhares de pessoas em todo o mundo. Esses são alguns exemplos dos conhecimentos que estão sendo adquiridos e multiplicados pelos alunos da Escola Municipal Professora Maria Modesta Cravo, por meio do projeto “O Incrível Invisível – microrganismos em ação.
 

Premiações e próximos desafios

Dentre muitos que ainda podem vir, o projeto “O Incrível Invisível: microrganismos em ação” já recebeu  dois prêmios este ano: 1º lugar geral na categoria Ensino Fundamental  e destaque em Ciências Biológicas pela  Feira Mineira de Iniciação Científica, realizada entre os dias 14 e 17 de agosto, em Mateus Leme, Minas Gerais.

Em outubro, o projeto será apresentado na Semana de Iniciação Científica Júnior da UFMG, entre os dias 15 e 19,  e também integrará  o evento UFMG Jovem, entre os dias 25 e 27. Em novembro, nos dias 3 e 4, o trabalho será apresentado na 2ª Mostra de Iniciação Científica Escolar da Prefeitura de Belo Horizonte e entre os dias 7 e 9 os cientistas mirins da Escola Municipal Professora Modesta Cravo apresentarão o “Incrível Invisível” – microrganismos em ação” na Feira Internacional Ciência Jovem, em Recife. Com agenda para o próximo ano, em junho de 2019, o projeto foi indicado para ser apresentado na Feira Teccien Schoenstatt, no Paraguai. 
 

Curiosidade

Tamanha a importância dos estudos dos microrganismos, que o dia 17 de setembro foi instituído como o Dia Internacional do Microrganismo. A data corresponde, no ano de 1683, ao dia em que o holandês Anton Van Leeuwenhoek enviou uma carta à Royal Society of London descrevendo, pela primeira vez na história, microrganismos em movimento, em uma placa dentária.   
 

Mostra de Investigação Científica Escolar (MICE) 

O projeto da Escola Municipal Maria Modesta Cravo, é uma das muitas propostas  da Rede Municipal de Educação que estarão na  Mostra de Investigação Científica Escolar (MICE), uma ação anual, realizada pela Secretaria Municipal de Educação, que busca dar visibilidade às ações pedagógicas de “investigação e pesquisa” nas mais diversas áreas do conhecimento.

A MICE  reúne trabalhos de cunho científico, cultural e/ou tecnológico e os temas podem estar relacionados às Ciências Naturais, História, Geografia, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Matemática, Arte e Educação Física, dentre outras.

A 2ª Mostra de Investigação Científica Escolar 2018 será realizada na Estação Ecológica da UFMG nos dias 3 e 4 de novembro de 2018. Cada trabalho será exibido em uma das datas.
 

14/09/2018. Projeto O Incrível Invisível. Fotos: Mara Damasceno/PBH