Pular para o conteúdo principal

Dois painéis em exposição. Um deles mostra o índio vestido somente com penas, e os dizeres "Lugar de índio é onde ele quiser; O outro mostra o índio com o uniforme da Confederação Brasileira de Futebol e os dizeres "Lugar de índio é no esporte".
Foto: Bárbara Donadoni/PBH

Projeto literário trabalha a desconstrução de estereótipos indígenas

02/05/2018 | 16:50 | atualizado em 02/05/2018 | 17:31
A biblioteca da Escola Municipal Padre Marzano Matias (EMPMM) apresentou para 2018 uma proposta de mudança no trabalho com as turmas do 1º ao 5º ano, por meio do “Projeto Cultura Literária Indígena: Desconstruindo Estereótipos”. O resultado do projeto é a exposição “Lugar de índio é onde ele quiser”, composta por 16 painéis que mostram o índio em atividades diversas como trabalho, faculdade, esportes e moda.  A exposição está nas escadarias da Coordenadoria de Atendimento Regional Venda Nova, na rua Érico Veríssimo, 1428, bairro Rio Branco.

No projeto foi trabalhada a literatura indígena em duas abordagens: a tradição oral de contar histórias, bem como sua representação por meio de grafismos e através de livros escritos por não índios. A segunda abordagem apresenta para os estudantes a literatura dos indígenas em publicações feitas por eles próprios e por escritores.
 
Segundo uma das professoras responsáveis pelo projeto, Luce France, foi perceptível a dificuldade dos alunos em enxergar o índio como produtor de literatura escrita. “Percebemos o quanto era forte, entre os alunos, o estereótipo do índio nu, nas matas ou aldeias, limitando a visão dos indígenas a um povo único, como se todos fossem iguais”, explica. 
 
E a partir daí foi proposto ao grupo de professores que trabalhassem com os alunos a diversidade dos povos indígenas e os diferentes espaços que eles ocupam hoje na sociedade. “Sempre falam com a gente que lugar de índio é nas matas, nas florestas, nas reservas, nas aldeias. Eu digo a todos vocês que o lugar dos indígenas é onde nós indígenas queremos ficar”, relata. A frase do agente cultural indígena Anápuaká Muniz, membro fundador do Grupo Raízes Históricas Indígenas, foi utilizada como provocação para os alunos de 16 turmas da escola Padre Marzano. O resultado foi a produção da mesa quantidade de painéis tamanho 1,30 x 0,80 cm, mostrando “lugares” para o índio. 


Leituras em Conexão
 

O “Projeto Cultura Literária Indígena: Desconstruindo Estereótipos” faz parte do Programa Leituras em Conexão, lançado pela Secretaria Municipal de Educação (SMED), que visa difundir projetos e ações de leitura e escrita nas escolas municipais de Belo Horizonte e instituições parceiras. Além de fortalecer atividades já existentes, o programa incentiva a criação de outras práticas e a formação de leitores em todas as etapas de ensino e de todas as faixas etárias. O objetivo do projeto foi estimular a curiosidade dos alunos sobre a diversidade literária, incentivar o gosto pela leitura e criar motivação para que essa prática ultrapassasse o espaço da escola, fazendo parte de diferentes momentos e lugares do cotidiano das crianças.
 
O objetivo do projeto foi alcançado com sucesso, como é possível perceber no depoimento da aluna Elisa, do 5° ano. “Aprendemos através das aulas da biblioteca que a mesma história pode ser contada de geração em geração e também pode ser modificada. Ouvimos duas versões da história o Roubo do Fogo e me interessei muito pelo assunto. Todos da minha sala gostaram. Essas histórias são contadas por povos indígenas, mas hoje elas também estão escritas em livros. Também gostei muito dos painéis que fizemos, principalmente o da bailarina, do futebol e do empresário, porque eu nunca imaginei que os índios tinham esses talentos, além de caçar e pescar. Também nunca imaginei índios nessas profissões”, disse.
 
Além dos alunos, os professores da escola também se orgulham do projeto. “A realização tem cumprido com nossas expectativas, envolvendo e encantando as crianças, despertando sua curiosidade e exigindo mais do que era a proposta inicial”, concluiu Luce.
 
 

02/05/2018. Projeto literário trabalha com alunos a desconstrução de estereótipos indígenas. Foto: Barbara Donadoni/PBH