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Cidadã sorri para cãozinho que adotou.
Foto: Marina Jordá

Programa incentiva a adoção de animais em Belo Horizonte

26/01/2018 | 14:20 | atualizado em 09/02/2018 | 16:03
A advogada Giovanna Beaumord tem em casa duas cadelas, Kira e Lua, ambas adotadas por meio do programa Adote um Amigo, da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Giovanna conta que o caso de Kira foi de paixão à primeira vista, logo na primeira visita a uma das feiras. Quanto a Lua, era uma cadela vítima de maus-tratos, que chegou com marcas de pontapé na perna e na barriga e precisou de muito carinho para começar a se sentir segura novamente. 
 

“O trabalho do Adote um Amigo é fantástico. Em termos de saúde pública, responsabilidade ambiental, de conscientização, de resultados e de humanidade, é tudo muito bacana e especial. Por meio deles adotei cadelas saudáveis, amigas, companheiras, que se a gente não desse um lar, estariam sofrendo, vagando nas ruas”, afirma Giovanna. 


Há cerca de 30 mil cães pelas ruas de Belo Horizonte. Eles enfrentam uma dura vida de doenças, brigas, atropelamento, maus-tratos e até envenenamento. Não há uma estimativa sobre o número de gatos. 

 

Com o objetivo de modificar essa realidade, tirando das ruas e encaminhando para lares responsáveis os animais resgatados, o Programa Adote um Amigo propõe a guarda responsável dos animais domésticos, adoção de animais abandonados nas ruas da cidade, com posterior acompanhamento (trabalho de pós-adoção) e castração em massa de cães e gatos da capital. De acordo com o censo canino realizado em 2016, Belo Horizonte tem mais de 290 mil cães e 82 mil gatos domiciliados. 

 

Parceria entre a Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, o Centro de Controle de Zoonoses e a ONG Sexta-feira, o programa leva os animais resgatados nas ruas de Belo Horizonte para serem doados em feiras itinerantes que acontecem aos sábados, cada edição em um local da cidade, sendo que no último sábado de cada mês, ela ganha espaço no próprio Centro de Controle de Zoonoses, das 9h às 13h. 

 

Nessas feiras, as pessoas têm a oportunidade de adotar um animal que já está castrado e vacinado. Basta ser maior de idade, levar identidade, CPF e comprovante de residência. Após passar por uma breve entrevista, o candidato à adoção pode, no mesmo dia, levar para casa um cãozinho ou gatinho resgatado.

 

As feiras funcionam também como parte de uma campanha educativa para a conscientização da população, de que a solução para os animais de rua só é possível por meio de um esforço conjunto que engloba: nunca abandonar um animal, castrar sempre para evitar crias indesejáveis, adotar ao invés de comprar, e valorizar o animal sem raça definida. 


  

Material educativo

Pioneiro em termos de realização de feiras sistematizadas e com acompanhamento de pós-adoção, o programa tem modificado a cultura de compra de animais e supervalorização dos animais de raça. Desde o início do projeto, o trabalho proporcionou adoção para mais de 2.000 animais, ao longo de 152 feiras de adoção.


A Secretaria Municipal de Saúde disponibiliza material educativo que contém orientações sobre a responsabilidade do tutor em relação aos seus animais, a importância da vacinação e vermifugação de cães e gatos, zoonoses, cuidados e formas de lidar com o animal, problemas decorrentes do número de animais domésticos e importância do controle da natalidade por meio da esterilização.

 

Para o diretor de Controle de Zoonoses, Eduardo Viana, o programa é fundamental na política de controle ético da população animal, com reflexos diretos na saúde pública. “Um animal adotado sai da rua, onde vive em risco e passa a ter um tutor responsável, o que tem impacto direto e indireto para a saúde pública”, explica.


O presidente da ONG, Cristiano Mendes, acredita que a adoção e a convivência com animais são uma importante lição de educação para as crianças, pois as ensinam a desenvolver empatia e se relacionar melhor com outras pessoas e a respeitar limites sociais. 

 

As cartilhas sobre guarda responsável de animais orientam que maltratar animais é crime previsto na lei federal 9.605/98, artigo 32. Qualquer pessoa pode denunciar. De acordo com a lei complementar 140, as denúncias e ocorrências de casos desta natureza podem ser feitas nos órgãos ambientais municipais. Entre os casos de maus-tratos estão não dar água e comida diariamente; privar o animal de liberdade, mantendo-o preso em corrente, em local sujo ou pequeno demais para que possa andar ou correr; abandonar; ferir ou machucar.

 


Contatos

Atualmente, a Rede SUS-BH conta com um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e quatro centros de esterilização de cães e gatos, sendo que o da Regional Norte funciona no CCZ. Estão previstas ainda para este semestre, mais duas centrais, uma na Regional Leste e outra na Regional Venda Nova. Estas unidades realizam castração gratuita - basta ligar para o centro mais próximo da sua casa e agendar. O município conta também com o trabalho de clínicas que cobram preço de custo, que gira em torno de 150 reais, para realizar a castração no prazo máximo de uma semana. 

 

Quem quiser ajudar o Programa Adote um Amigo, seja como voluntário ou doando ração, remédios e afins, basta entrar em contato pelo e-mail adotevoluntario@gmail.com. Ou, se preferir, é só ligar para o número 2527-3881. Para saber onde será a próxima feira, basta acessar a página do Facebook Adote um Amigo BH ou o site Adote um Amigo

 

 

26/01/2018. Adoção animais. Fotos: Marina Jordá/PBH