Pular para o conteúdo principal

PBH oferece atendimento domiciliar para idosos

22/12/2017 | 16:45 | atualizado em 13/06/2018 | 15:31
Apoiar as famílias no cuidado com os idosos e aumentar a qualidade de vida de todos. É com esse propósito que os cuidadores do Programa Maior Cuidado realizam atendimento domiciliar a pessoas idosas dependentes e semidependentes. No programa, os profissionais atendem aos idosos em casa, em dias e horários definidos por equipe multidisciplinar, de acordo com o grau de dependência de cada pessoa, e têm como norte a prevenção da exclusão e do isolamento. 


O trabalho busca dar apoio às famílias na rotina de cuidado a idosos inseridos no Serviço de Proteção e Atendimento Integral às Famílias (PAIF) que, por sua condição social e de saúde, precisam de cuidados constantes. O foco é também a garantia do acesso a direitos e a busca de evitar a ocorrência de situações que possam fragilizar e romper os vínculos familiares e sociais dos usuários.


Durante a permanência na residência, o profissional volta sua atenção integralmente para o idoso assistido. Atividades de higiene, alimentação e locomoção, mudança de posição de pessoas acamadas e controle de horário de medicamentos fazem parte da rotina do cuidador. Ele é a pessoa que os acompanha em atividades de lazer e acompanha em consultas médicas.


Atualmente, 139 cuidadores atendem a 492 idosos e nove supervisores se revezam no acompanhamento do serviço. A equipe de gestão do programa conta com mais seis profissionais, entre assistentes sociais, psicólogos e assistentes administrativos. O programa é gerido pelas Secretarias Municipais de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania (SMASAC) e de Saúde (SMSA) e executado por meio de parceria com entidade socioassistencial, responsável pela contratação dos cuidadores e demais profissionais.


Haydée Magda Gonçalves é gerente da Gestão dos Serviços de Proteção Social Básica da SMASAC. Ela informa que o principal foco do Maior Cuidado é evitar situações de risco, isolamento e abrigamento institucional. “As pessoas dependentes de cuidados de terceiros são particularmente mais vulneráveis e demandam especial atenção. Oferecer suporte às dinâmicas familiares no domicílio fortalece os vínculos sociais, melhora qualidade do cuidado familiar, amplia o acesso a direitos, estimula a autonomia e a participação social das pessoas idosas e de toda a família”, explica. 
 



Atenção aos idosos e às suas famílias

Não é incomum que pessoas próximas de idosos que dependem de cuidados apresentem quadros de ansiedade e depressão, já que o idoso frágil exige muito tempo e atenção dos familiares, tornando a rotina bastante desgastante. A tendência é que o autocuidado acabe sendo negligenciado em função da atenção integral ao familiar mais velho. 


Por isso, a presença de uma pessoa especializada, que não seja da família, e que esteja exclusivamente voltada para o idoso, pode contribuir nessa tarefa e, assim, aliviar a sobrecarga do responsável familiar. Esse é o relato de Márcia Pereira Zeferino de Oliveira, filha de Francisco Antônio Zeferino, e responsável pela maior parte do cuidado diário com o pai.


A mãe de Márcia, senhora Horacina, começou a ser atendida pelo Programa Maior Cuidado, em 2014. A idosa, que sofria do mal de Alzheimer, e faleceu em março de 2016, dependia totalmente de outras pessoas para realizar todas as atividades de rotina, sendo atendida pelos cuidadores diariamente. 


“Eu sou filha única, e antes das cuidadoras eu ficava por conta dos meus pais o tempo todo. Eu tinha muitas dores nas costas e estava deprimida porque eu não aceitava a ideia de deixar meus pais de lado para me cuidar. O mais difícil para mim foi admitir que eu não conseguiria sozinha e precisaria de ajuda”, conta.

 
Já o senhor Francisco, que tem mal de Parkinson, é semidependente, o que significa que ele realiza sozinho algumas atividades e depende de auxílio em outras. Ele começou a ser atendido alguns meses depois da esposa. Atualmente ele recebe a cuidadora Teresa Cristina nas tardes de terça e quinta-feira.


Márcia se emociona ao lembrar da importância da presença das cuidadoras durante os últimos dias de vida de sua mãe, para garantir que naquele momento de grande impacto emocional no qual todos estavam totalmente dedicados à senhora Horacina, o senhor Francisco não ficasse negligenciado. Ela salienta que, desde a inserção da família no programa, o apoio constante das profissionais tem sido extremamente positivo tanto para o pai quanto para ela.


“Com a cuidadora, eu sinto que estou recebendo mais dois braços e duas pernas, de alguém que cuida como eu cuido. É uma pessoa que me permite sair e ficar tranquila, sabendo que ele vai ser bem cuidado. Quando a Teresa está com o meu pai, eu vou ao cinema, faço uma caminhada, cuido das minhas coisas. Eu estava com depressão, tomando remédio controlado, e hoje eu estou mais tranquila por ele e por mim”.
 


Melhor relacionamento 

As ações do Programa Maior Cuidado ainda ampliam e dão qualidade ao relacionamento entre os idosos e suas famílias, física e emocionalmente. Elas não substituem as responsabilidades ou cuidados familiares, mas os complementam e evitam que o idoso precise ser acolhido em instituições de longa permanência, já que os laços familiares são fortalecidos e a carga diária do cuidado é dividida com o cuidador profissional.


A cuidadora Teresa Cristina relata que o seu trabalho extrapola os cuidados físicos e caminha na direção do fortalecimento das relações socioafetivas da família, escutando e valorizando a história de cada pessoa. 


“Os procedimentos que eu faço com o senhor Francisco são de dar banho, cortar a barba, de controlar horário dos remédios, fazer os exercícios indicados pela fisioterapeuta. Mas, mais do que isso, são de dar atenção, carinho, acompanhar em caminhadas e passeios, encorajá-lo a ter autonomia e manter sua mente ativa. Com meu trabalho posso ser um elo entre ele, a família e a comunidade”, afirma. 



Como acessar

Os idosos são identificados a partir do acompanhamento de famílias realizado pelas equipes do Serviço de Proteção e Atendimento Integral às Famílias -  PAIF, nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), pelas Equipes de Saúde da Família e do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) nos centros de saúde. A identificação também acontece por demanda espontânea, através de busca ativa e por encaminhamento da rede socioassistencial e das demais políticas públicas da cidade.

 

Para serem inseridos no programa, os idosos devem ter 60 anos ou mais, serem avaliados como dependentes ou semidependentes pela equipe de saúde e residir na área de abrangência de um dos CRAS. A família atendida recebe orientações do CRAS sobre as diretrizes do trabalho e sobre o que é de responsabilidade dos familiares e quais são as atribuições do cuidador. Estando todos de acordo, um Termo de Consentimento é assinado e inicia-se o atendimento.

 

O acompanhamento se encerra com a reabilitação ou óbito do idoso. O desligamento também pode ocorrer por opção da família, quando ela passa a ter condições de prover o cuidado, ou por recusa do idoso, e se ele for acolhido em instituição de longa permanência. Há idosos sendo acompanhados pelo Programa nas nove regionais da cidade em 26 Centros de Referência da Assistência Social.