8 September 2026 -
A Secretaria Municipal de Saúde faz um alerta: as nove Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) de Belo Horizonte são destinadas a pacientes com quadros classificados como urgência e emergência de média e alta complexidades. A expressiva procura, no entanto, é de pessoas com sintomas leves, que deveriam buscar serviços médicos nos 154 centros de saúde ou por teleconsulta. O resultado é o maior tempo de espera por atendimento nas UPAs.
De janeiro a julho deste ano, as nove UPAs prestaram 560 mil atendimentos e 76,2% dos casos foram classificados como não urgentes. O percentual aumentou em relação a 2025, quando 75% dos 937 mil atendimentos, de janeiro a dezembro, foram de classificação verde no Protocolo de Manchester, ou seja, com quadro considerado pouco urgente, em que o paciente pode aguardar assistência médica ou ser encaminhado a outra unidade de saúde.
“Os dados mostram que as Unidades de Pronto-Atendimento estão atendendo usuários que poderiam ser assistidos em centros de saúde ou pelas teleconsultas ofertadas pela Prefeitura. Esta procura de pacientes com quadros leves às UPAs acaba refletindo em uma espera maior para o atendimento, pois essas unidades priorizam os pacientes que apresentam quadros mais graves”, destaca o secretário municipal de Saúde, Miguel Duarte.
Sintomas
As UPAs funcionam 24 horas e são estruturadas para atendimentos de casos com sintomas graves, como falta de ar intensa; febre alta (acima de 39°C); dor intensa no peito; fraturas e cortes com pouco sangramento. queda com torção e dor intensa (ou suspeita de fratura); crises convulsivas; cólicas renais; e vômito constante. Confira os endereços das UPAs.
As pessoas com sintomas leves, como febre branda; que precisam fazer curativos ou pequenas suturas; necessitam de avaliação de pressão arterial ou glicemia; com dores musculares; bronquite, asma e gripes leves; para consultas de rotina; pré-natal; acompanhamento de doenças crônicas (diabetes e hipertensão); e vacinas devem procurar o centro de saúde de sua referência, que funciona de segunda à sexta-feira, durante 12 horas, nestes endereços.
Pacientes com casos sem urgência também podem recorrer ao serviço de teleconsulta mantido pela Prefeitura de Belo Horizonte de segunda à sexta, das 7h às 20h. Além dos sintomas gripais leves, serve para quem apresenta sintomas leves de dengue, zika e Chikungunya; diarreias e dores de cabeça.
Protocolo de Manchester
As nove UPAs trabalham com o Protocolo de Manchester, método de triagem e classificação de riscos que determina escalas de urgência. Os pacientes são classificados de acordo com a gravidade do quadro clínico apresentado. Após a primeira avaliação, o usuário recebe uma pulseira colorida conforme a condição clínica, segundo a gravidade: vermelho, laranja, amarelo, verde ou azul.
O paciente classificado como vermelho é um caso de emergência, que exige atendimento imediato, pois apresenta risco de morte. A classificação laranja indica que o quadro é muito urgente e o paciente precisa ser atendido o mais rápido possível, mas há uma janela de tempo para intervenção. O paciente classificado como amarelo é considerado como caso urgente, que necessita de avaliação mais detalhada, mas tem condições clínicas de aguardar pelo cuidado.
A classificação verde indica pouca urgência, assim como os casos classificados como azul, podendo esses pacientes serem atendidos em centros de saúde ou por teleconsulta.
“É muito importante que as pessoas procurem as UPAs somente quando apresentarem quadros mais graves ou fora dos horários de atendimento dos centros de saúde e teleconsultas. O direcionamento correto dos pacientes evita filas, otimiza os recursos públicos e garante que quem realmente precisa de socorro imediato seja atendido com a rapidez necessária”, acrescenta o secretário de Saúde.
