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Quatro mulheres mostram as bonequinhas negras - abayomis - em cima da mesa com forro colorido.
Foto: Zaira Magalhães/PBH

Oficina de bonecas de pano leva debate racial para o Cras Independência

27/11/2019 | 12:31 | atualizado em 27/11/2019 | 12:31

A Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania, realizou na quarta-feira, dia 20 de novembro, a atividade “Família, autocuidado e afeto: uma perspectiva das mulheres negras e latino-caribenhas. Oficina de abayomi para crianças e famílias” no Cras Independência. Participaram da atividade 40 pessoas, entre moradores dos territórios Petrópolis e Independência.

 

A ação fez parte do Circuito Arte e Cultura Afro-brasileira, programação que marcou a semana da Consciência Negra nos territórios. De acordo com Regiane Rodrigues, assistente social do Cras Independência, as atividades trouxeram reflexões históricas e atuais sobre a importância do povo negro e da cultura africana no Brasil.

 

“Para marcar o Novembro Preto, foi elaborada uma programação que pudesse contemplar as várias gerações que são atendidas no Cras, para valorizar e visibilizar as influências africanas e afrobrasileiras e reconhecer a importância da luta antirracista, trabalhando memória, ancestralidade, discutindo desigualdade, diferença e diversidade”, explica.

 

A artesã Gláucia Raimunda da Cruz ensinou os presentes a confeccionar as abayomi, bonecas negras feitas a partir da amarração de tiras de tecido, sem uso de linha ou costura. Além de repassar a técnica, ela contou sobre a origem do brinquedo.

 

“Nos navios negreiros, durante o tráfico de pessoas negras da África para o Brasil, os escravizados contraiam a doença do banzo, que chamamos atualmente de depressão e melancolia, saudades que eles tinha da terra natal, da liberdade. Em um desses navios, uma mãe cuja filha se chamava Abayomi, percebeu que a filha estava prostrada, febril, e rasgou tiras da própria roupa e amarrou para fazer uma boneca e distrair a criança”, explica.

 

Gláucia informa que, na história, “a menina morreu, e seu corpo foi lançado ao mar abraçadinha com a boneca. E a mãe continuou dentro do navio ajudando as outras mães a acalentar as outras crianças construindo a bonequinha”, conta. E completa: “Quando nos unimos para contar essa história e fazer as bonecas, junto delas vem o sentimento de amor que um deve passar para o outro, solidariedade, o estar junto, o comungar entre nós, estar unidos e fortalecidos, porque sozinhos não somos nada”, completa.

 

Cristiane de Souza é moradora do Independência, participou da oficina e relatou que, a partir das conversas com a oficineira e com a técnica do Cras, compreendeu o conceito de raça e como funciona o racismo. “Eu percebi que passei por uma situação de racismo quando entrei numa loja e o vendedor não quis me atender. Isso aqui para mim hoje é muito importante, para entender o que é a desigualdade, e conseguir falar sobre isso com minha família, comentar lá em casa, e ajudar meus filhos a exigirem seus direitos e não aceitar discriminação”, finaliza.

 

Segundo o secretário adjunto e subsecretário de Assistência Social da SMASAC, José Crus, atividades como esta são traduzidas nos planejamentos das unidades e serviços, programas e projetos socioassistenciais da cidade. São estratégias importantes e que potencializam o direito à convivência familiar e comunitária e ampliam a proteção social das famílias e seus membros no território de vivência.


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