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Kandandu abre oficialmente o Carnaval em BH com o encontro de blocos afros
Pablo Bernardo/Acervo Belotur

Kandandu abre oficialmente o Carnaval em BH com o encontro de blocos afros

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O Carnaval será aberto oficialmente com o Kandandu, Encontro de Blocos Afros de BH, que completa 10 anos em 2026 celebrando a cultura, a ancestralidade e a força da tradição afro-brasileira. O evento será realizado nesta sexta-feira (13) e sábado (14), na Praça da Estação, reunindo ritmos, cores e mensagens de resistência.

Neste ano, o tema do encontro é “Oxóssi, Orixá das Matas e da Fartura”. A identidade visual e conceitual do evento representa a prosperidade por meio de vários elementos em cena: os animais, as plantas, a água e os frutos.

A programação inclui shows de pagode da banda Akatu e do cantor Rodriguinho. Na sexta, as atrações começam às 17h e no sábado o palco recebe apresentações variadas a partir das 15h. A programação completa está disponível no Portal Belo Horizonte. A entrada é gratuita e o evento terá controle de acesso pela Guarda Civil Municipal para garantir a segurança do público.

Na sexta-feira, o Kandandu inicia a programação com a performance de Aguerê de Oxóssi Kaasius, às 17h. Às 18h40, o bloco Batucarte assume o palco, seguido pelo Arrasta Favela, às 19h45. A sequência conta com a força feminina do bloco Tapa de Mina, às 21h40, e com o Samba da Meia-Noite, às 21h55.

Às 23h, o público confere o show da banda mineira Akatu. No início da madrugada de sábado, à 0h45, o bloco Tambolelê fará o encerramento da primeira noite de evento. Durante os intervalos entre as apresentações, a trilha sonora fica por conta do DJ AfroKong.

No sábado, a programação será iniciada com a performance Mata Adentro, de Jéssica Knowles e André Arturos. Às 16h, o bloco Afrodum sobe ao palco, seguido pelo Filhos de Zambi, às 17h05. A partir das 18h10, o público confere o show do cantor de pagode Rodriguinho.

Na sequência, o bloco Afro Magia Negra se apresenta às 19h30, preparando o clima para a energia do Sambadouro, às 20h35. O encerramento do evento acontece às 23h30, com o bloco Swing Safado. Durante os intervalos entre as atrações, a trilha sonora será da DJ Black Josie.

“O que tem sido mais bonito na construção do Kandandu é justamente o sentido coletivo que move tudo isso. Desde o trabalho das equipes e o diálogo permanente na organização, até a relação próxima com os blocos, há um envolvimento muito verdadeiro. O Kandandu é sempre um marco importante para todos nós. Me emociona ver o quanto cada bloco afro de Belo Horizonte se prepara, se organiza e chega com brilho nos olhos, força, criatividade e energia para construir junto”, comemora Suellen Sampaio, diretora artística do Kandandu.

Resistência e celebração da cultura afro-brasileira

Completando dez anos em 2026, o Kandandu, Encontro de Blocos Afros de BH, tem sido um marco no Carnaval de Belo Horizonte, trazendo a força e a celebração das raízes afro-brasileiras. Mais do que um evento de abertura da folia belo-horizontina, o evento se consolidou como um símbolo de afirmação da identidade negra e de promoção da igualdade racial, exaltando a riqueza e a ancestralidade dessa cultura.

Em reconhecimento à sua relevância, o Kandandu e a Associação de Blocos Afro de Minas Gerais (Abafro-MG) foram homenageados pelo Ministério dos Direitos Humanos em 2018. Além disso, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais reconheceu a idealização da Abafro-MG como de especial interesse público e social.

A palavra “Kandandu”, que na língua africana kimbundu significa abraço, traduz o espírito do evento: um encontro de diferentes filosofias, saberes e vivências, promovendo um forte laço de união e fortalecimento através da ancestralidade.

Durante o Carnaval, os blocos afro ocupam as ruas com suas batidas, danças e cores vibrantes, mas o impacto vai muito além do período festivo, promovendo uma reflexão contínua sobre a importância da cultura afro-brasileira e sua contribuição para a sociedade. Ao longo do ano, esses grupos desenvolvem iniciativas comunitárias, combatendo o racismo e a intolerância religiosa, reafirmando seu compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

“O Kandandu promove o diálogo com as raízes afro-brasileiras e evidencia a importância de preservar e valorizar essas expressões que ajudam a construir a identidade de Belo Horizonte, além de estimular o sentimento de pertencimento da população”, destaca o presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel.

BH Sem Racismo

A Subsecretaria de Direitos Humanos promoverá pela primeira vez a ativação do selo BH Sem Racismo no Carnaval de 2026 no palco do Kandandu. A iniciativa busca fortalecer a campanha BH Sem Racismo no contexto da folia, distribuindo materiais educativos e orientativos que abordam o enfrentamento de todas as formas de discriminação racial, além de informar os foliões sobre os canais de denúncia caso ocorram violações de direitos durante as festas. A ação inédita coloca a pauta do combate ao racismo no centro do maior evento popular da cidade, incentivando um Carnaval mais seguro e acolhedor para todas as pessoas.

A parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) amplia o alcance da ação, integrando também o combate à xenofobia e afirmando o papel de BH como uma cidade acolhedora para todas as pessoas, independentemente de sua origem ou condição migratória.

Em um contexto em que a discriminação racial e a xenofobia ainda persistem como desafios sociais no Brasil, iniciativas como essa ajudam a visibilizar direitos, fortalecer a cultura de denúncia e promover o respeito às diferenças em espaços públicos e de convivência.

O diretor de Políticas de Reparação e Promoção da Igualdade Racial, Gabriel Souza, destaca a importância de abordar o combate ao racismo no Carnaval. "Ao trazer essas ações para um dos polos mais vibrantes do Carnaval, o palco do Kandandu, a Prefeitura e seus parceiros não só educam e alertam os foliões como reafirmam a importância dos direitos humanos como parte inerente da experiência carnavalesca”.

Ele aponta que o reforço de canais de denúncia e a distribuição de materiais informativos demonstram que políticas públicas podem e devem acompanhar de perto momentos de festa popular para garantir que a alegria seja vivida sem violência, discriminação ou exclusão. “Nesse sentido, a ativação do selo BH Sem Racismo no Carnaval representa um passo significativo para consolidar práticas antirracistas e que respeitam a inclusão nas ruas da capital mineira".