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Jardim Zoológico utiliza técnicas de treinamento para promover o bem-estar animal
Foto: Suziane Brugnara

Jardim Zoológico utiliza técnicas de treinamento para promover o bem-estar animal

criado em - atualizado em

O Jardim Zoológico de Belo Horizonte adota como técnicas o Enriquecimento Ambiental e o Condicionamento Operante com Reforço Positivo, para proporcionar melhores níveis de bem-estar aos animais e favorecer a expressão de comportamentos naturais. Os treinamentos melhoram a qualidade de vida de animais de diversos grupos e espécies, como primatas de pequeno e grande portes, felinos, hipopótamos, aves, serpentes e peixes. O Jardim Zoológico de Belo Horizonte atua na vanguarda, já que foi a primeira instituição do Brasil a criar um Programa de Bem-Estar Animal.

A bióloga e responsável pela Área Bem-Estar Animal da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, Cynthia Cipreste explica que o Enriquecimento Ambiental consiste na utilização de estímulos sensoriais (como gustativos, olfativos, táteis e auditivos), sociais, cognitivos (de aprendizagem) e estruturais (alterações no mobiliário dos recintos) para possibilitar que os animais tenham hábitos naturais. Isso acontece a partir da exploração do ambiente onde vivem, da busca por abrigo, por descanso, banhos de sol, água, lama, poeira, e da obtenção de alimentos.

Já o Condicionamento Operante com Reforço Positivo é uma técnica que facilita o manejo e as intervenções veterinárias, permitindo que sejam feitos curativos, aplicação de medicamentos e de vacinas, em troca de uma recompensa. O treinamento promove a segurança aos profissionais envolvidos no trabalho e aos animais, evitando o estresse de uma contenção forçada. 

“É importante ressaltar que essa técnica estimula a participação voluntária do animal, uma vez que, ao colaborar, ele recebe um reforço positivo, como um elemento extra da preferência dele. Trabalhamos com respeito aos animais, priorizando o bem-estar físico e psicológico e estabelecendo uma relação de confiança e cooperação entre os animais e a equipe de manejo. Isso garante a segurança de todos”, destacou Cynthia Cipreste.

A mesma técnica é utilizada com todos os animais. No entanto, como cada espécie e cada indivíduo têm as particularidades, algumas adaptações nas estratégias de treinamento são feitas para melhor atendê-los. Por isso, os biólogos e tratadores procuram respeitar essas características e comportamentos. Segundo a bióloga, “o condicionamento é feito no intervalo das refeições e a recompensa é sempre algo que não esteja na dieta do animal, para que ele tenha interesse nas atividades. Mas sempre sem interferir na dieta balanceada que ele normalmente recebe”.

As atividades são planejadas semanalmente e destinadas às aves, répteis, mamíferos e peixes do plantel. Além das práticas adotadas no Programa de Bem-Estar Animal, todos os recintos são ambientados com vegetação, relevo, temperatura e umidade que procuram reproduzir as condições do hábitat natural de cada um deles. 

Atualmente, a equipe da Área de Bem-Estar Animal é formada por cinco profissionais, sendo três biólogos, um tratador de animais e um estagiário. O pioneirismo da adoção dessas técnicas, baseadas em estudos científicos e, consequentemente, na experiência ao longo dos anos, resultou no treinamento de profissionais de outros jardins zoológicos e de instituições que mantêm animais silvestres. 

Certificação

Em 2025, o Zoo de BH, que é gerenciado pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, conquistou a Certificação em Bem-Estar Animal pelo atendimento de elevados padrões de manutenção e manejo de animais silvestres, concedida pela Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB).

A certificação, conduzida pela AZAB em parceria com a ONG internacional Wild Welfare (@wildwelfare), é um reconhecimento que atesta o compromisso do Zoo da capital mineira com os mais altos padrões de cuidado, manejo e qualidade de vida dos animais silvestres. 

O processo de certificação contou com auditoria técnica, análise documental e inspeções criteriosas aos recintos. Em todas as ações de cuidado com os animais, incluindo o acompanhamento nutricional e de saúde, a ambientação dos recintos e a promoção da expressão de comportamentos naturais priorizam o bem-estar físico e psicológico dos animais que estão sob os cuidados da instituição. O documento tem validade até 2030. 

Atualmente, o Zoológico de BH mantém sob cuidados cerca de 3.500 animais de 197 espécies distintas, distribuídos em recintos ambientados e adequados legalmente para cada espécie, indivíduo ou grupo de indivíduos.