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Boletim de Monitoramento com termômetro da Covid-19
Foto: Arte PBH

Índice de transmissão atinge 1,00, mas ainda há alto volume de novos infectados

17/07/2020 | 16:34 | atualizado em 24/07/2020 | 17:24

O nível de alerta geral dos indicadores epidemiológicos da Covid- 19 na capital se manteve no vermelho (nível máximo) pela sexta semana consecutiva. O resultado consta no 10º Boletim de Monitoramento, divulgado pela Prefeitura de Belo Horizonte nesta sexta-feira, dia 17. Pela primeira vez, desde a edição 1 do boletim, dia 15/5, o número médio de transmissão por infectado (Rt) ficou em 1,00, no limite inferior do alerta amarelo para este indicador. Ou seja, a quantidade de infectados atual – que está no maior nível da pandemia na capital – transmite o vírus para o mesmo número de pessoas. Esse ritmo de difusão da contaminação indica estabilização na expansão da doença, mas o patamar elevado do número de novos infectados ainda permanece e tende a manter a alta ocupação de leitos.

Em 10 de julho, Belo Horizonte possuía 10.618 casos notificados de Coronavírus. Nessa quinta-feira, dia 16, os números saltaram para 13.559, representando um aumento de 28% neste curto período de tempo. Quando os números atuais são comparados com os de 22 de maio, dia em que a Prefeitura anunciou a primeira tentativa de reabertura (fase 1), a diferença é ainda maior. Naquela data, eram 1.351 casos notificados – um aumento desde então de mais de 900%.

Os dois índices de ocupação de leitos se mantiveram na zona vermelha, mesmo com leve redução em ambos os casos. O percentual de ocupação de leitos de UTI Covid passou dos 88% (boletim do último dia 10) para os atuais 85%. As internações nas enfermarias nesse mesmo período mudaram de 76% para 74%.

Os índices de ocupação apresentaram essa redução em razão do incremento assistencial realizado pela Prefeitura, que em apenas uma semana disponibilizou 106 leitos, acompanhados de todos os profissionais e insumos necessários para um atendimento adequado a cada um dos pacientes recebidos pelo SUS-BH. Somando os leitos Covid de enfermaria (1.087) e UTI (392), a Prefeitura de Belo Horizonte conta hoje com 1.479 leitos.

Desde o início da pandemia, em março, a Prefeitura de Belo Horizonte já ampliou o número de leitos de UTI e enfermaria para tratamento da Covid-19 em mais de 532%. Em março, eram 234 leitos Covid: 101 de UTI e 133 de enfermaria. Esse aumento da oferta de unidades para o atendimento de pacientes foi gradativo, acompanhando o planejamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde junto aos hospitais e a evolução dos indicadores epidemiológicos e assistenciais em relação à pandemia.

O secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, explica que mesmo com a expansão no número de leitos será necessário aguardar um recuo no número de internados para que se possa criar as condições ideais para a flexibilização das atividades econômicas. “O que os dados dos últimos sete dias revelam é que houve uma estabilização, contudo, gerando novos casos no nível mais alto de contaminação desde o início da pandemia. Dessa forma, o mais seguro é continuarmos na fase de controle para avaliação ao longo da próxima semana. Nesse período verificaremos se a estabilização do Rt irá refletir em redução na taxa de ocupação dos leitos hospitalares”, disse o secretário de Saúde.

Jackson Machado pede paciência e cautela da população nesse momento, reforçando sobre a importância da continuidade das medidas de distanciamento social e dos protocolos sanitários (lavagem das mãos com água e sabão, uso de máscaras e álcool em gel) para que Belo Horizonte continue preservando vidas, mantendo-se como uma das capitais com menor taxa de mortalidade do país.

Essa informação pode ser acompanhada pelo gráfico organizado pela Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão. Nele percebe-se que Belo Horizonte é a cidade com menos mortes por Covid entre as capitais com mais de 1 milhão de habitantes - 11,8 óbitos por 100 mil habitantes.
 

Gráfico Covid nas capitais


Segundo o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, André Reis, esse é o resultado do uso da ciência, do planejamento e do comprometimento dos inúmeros profissionais que se dedicam todos os dias para poupar e salvar vidas da população. “Cientes e responsáveis desses compromissos, continuaremos monitorando os indicadores epidemiológicos e tão logo os números demonstrem segurança, anunciaremos novas reaberturas. Muitos que criticam Belo Horizonte por não ter reaberto tudo como em outros lugares, ignoram a superioridade de vidas salvas na capital até o momento. Reiteramos que nossa prioridade é a vida de cada belo-horizontino e a assistência digna às pessoas acometidas por essa doença”, disse.

 

Construção conjunta de protocolos de funcionamento

As propostas com os protocolos de funcionamento entregues na quarta-feira (15) às entidades representativas do comércio foram construídas a partir do diálogo constante e das sugestões enviadas por cada segmento, ajustados de acordo com critérios apontados pela Vigilância Sanitária e pelo Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19, em complementação aos protocolos já vigentes (Portaria SMSA/SUS-BH 0194/2020).

Os representantes dos setores avaliarão as propostas, e existindo divergência nessas diretrizes, as entidades podem consolidar as avaliações e enviar à Prefeitura para análise quanto a ajustes e aperfeiçoamentos possíveis, com a premissa de que não há regra possível neste momento que mantenha o funcionamento como antes da pandemia.

A Prefeitura esclarece que, enquanto não for disponibilizada uma vacina, a adoção de medidas mais restritivas será necessária para preservar vidas e evitar o colapso assistencial de saúde. Com um eventual descontrole, a pandemia se expande de forma exponencial e não há recursos humanos e materiais suficientes para atender os impactos, caso o número de infectados cresça de forma descontrolada em uma cidade de 2,5 milhões de habitantes como Belo Horizonte.

Um parâmetro utilizado pelo mundo é: 20% dos contaminados precisarão de internação e ¼ destes precisarão de UTI. Portanto, se tivermos em Belo Horizonte 2% da população (50 mil pessoas) contaminada ao mesmo tempo, teríamos uma demanda de 10 mil leitos de enfermaria e de 2,5 mil leitos de UTI. Muita gente morreria sem acesso à atenção à saúde. Isso sem falar de todas as demais causas de internação que normalmente já ocupam grande parte dos nossos hospitais.

Quanto às previsões de reabertura, a Prefeitura continuará acompanhando diariamente os indicadores epidemiológicos (índice de transmissão e ocupação de leitos) e, somente quando os números estiverem favoráveis, irá propor a retomada.

 

Indicadores

A Prefeitura usa três indicadores principais: número médio de transmissão por infectado (Rt); taxa de ocupação de leitos UTI Covid e taxa de ocupação Enfermaria Covid. A classificação desses indicadores é feita pelas cores verde, amarela e vermelha. São categorizados em nível verde se houver utilização de até 50% das vagas. Caso a ocupação esteja entre 50 e 70%, o nível será amarelo. E, acima de 70%, vermelho.

O número médio de transmissão por infectado (Rt) estará verde de 0 até 1, amarelo, entre 1 e 1,2, e vermelho, quando estiver acima de 1,2.

Com base nesses três indicadores principais, a Prefeitura de Belo Horizonte, juntamente com o Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19, analisa os números e define o nível de alerta geral, também categorizado pelas mesmas três cores.

A reabertura das atividades é feita em fases subsequentes e cumulativas, conforme a segurança do quadro geral da cidade. A mudança das fases dependerá da análise dos indicadores epidemiológicos e dos resultados publicados no Boletim de Monitoramento. Resultados positivos criam condições para a evolução do processo. Da mesma forma, existe a possibilidade de retorno às fases anteriores, em caso de indicadores negativos.


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