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Foto de uma cobra verde em fundo preto
Foto: Suziane Fonseca/PBH

Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica comemora Dia Mundial da Cobra

16/07/2018 | 18:31 | atualizado em 18/07/2018 | 17:19

É difícil encontrar pessoas que nunca tenham sentido aversão ou medo quando encontram uma cobra em áreas silvestres ou, simplesmente, quando visualizam uma foto ou vídeo desse animal. A reação, por mais irracional que possa parecer, revela um aspecto arraigado no imaginário coletivo: o receio que o ser humano sempre será atacado por animais considerados perigosos.
 

Exatamente com o propósito de quebrar esse estigma é que foi instituído o Dia Mundial da Cobra, o dia 16 d julho.
 

Para promover o conhecimento e mostrar ao público curiosidades sobre esses animais, o Jardim Zoológico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) vai oferecer atividades de educação ambiental na próxima terça-feira, dia 17/7, na Casa dos Répteis.
 

Como todos os animais da natureza, as cobras constituem um elo indispensável na cadeia alimentar, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas onde vivem, já que se comportam ora como predadoras, ora como presas. Além de controlar as populações de roedores, por exemplo, as cobras são muito sensíveis às mudanças climáticas e a quaisquer alterações que ocorram em seus habitats. Outro aspecto importante é que as cobras fornecem substâncias químicas (obtidas por meio de seu veneno) que servem como base para a pesquisa e a produção de medicamentos e do soro antiofídico. Essa matéria-prima, aliás, é bastante cobiçada quando o assunto é a biopirataria.
 

Para se ter uma ideia, o elevado valor do veneno das espécies de cobras existentes no nosso país estimula o tráfico desses animais ou a sua reprodução e comercialização em condições precárias e fora das regras estabelecidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
 

O grupo dos répteis, do qual fazem parte as cobras, é um dos mais atingidos pelo tráfico de animais silvestres e, por isso, ações de educação ambiental são sempre importantes para auxiliar na preservação das espécies. Já foram descritas cerca de 3.300 espécies de serpentes no mundo. Desse total, 392 ocorrem no Brasil. Dessas, 26 constam em alguma categoria de ameaça, conforme apresenta a Lista Nacional de Espécies da Ameaçadas de Extinção elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente.

 

Serpentes: conhecer para respeitar

Na próxima terça-feira, a Gerência de Educação Ambiental da FPMZB programou um bate-papo com os visitantes, das 9h às 11h e das 14h às 16h, na Casa dos Répteis, próximo ao recinto das grandes serpentes.
 

Na ocasião, o público poderá tirar dúvidas sobre as espécies presentes no acervo da Fundação e conhecer, especialmente, a diversidade de serpentes brasileiras destacando, por exemplo, as características daquelas que são ou não peçonhentas.
 

Nas atividades serão utilizados materiais educativos, como mudas de pele, guizo de cascavel e ovos de píton-reticulada, painel artesanal com fotos das espécies nativas e exóticas encontradas na Casa dos Répteis e cartaz sobre os tipos de dentição desses animais. Além disso, os visitantes vão receber um folder contendo fotos ilustrativas de espécies nativas, nome popular e científico e uma breve descrição de cada espécie. Para as crianças, haverá a montagem do jogo pedagógico “Cobranó”, uma espécie de dominó com informações e imagens referentes a determinadas características das serpentes.
 

Atualmente, o plantel do Jardim Zoológico da FPMZB possui 11 espécies de serpentes, sendo quatro exóticas e sete da fauna silvestre do nosso país. Entre as espécies brasileiras presentes no Zoo estão: cobra-papagaio (Corallus caninus), suaçuboia (Corallus hortulanus), jararaca-marmorizada (Bothrops marmoratus), cascavel (Crotalus durissus), sucuri-amarela (Eunectes notaeus), jiboia-do-cerrado (Boa constrictor amarali) e a jiboia-amazônica (Boa constrictor constrictor).
 

De acordo com a bióloga da Gerência de Educação Ambiental da FPMZB, Rízzia Botelho a comemoração desse dia é uma excelente oportunidade para apresentar às pessoas informações importantes sobre esses animais. “As serpentes sempre despertaram fascínio nos seres humanos, ou seja, um misto de admiração e temor. Na natureza esses animais, muitas vezes, provocam medo nas pessoas levando-as a terem reações que acabam por contribuir para a redução das populações desses animais. Por tudo isso, é necessário aliar o conhecimento científico e o popular a fim de desenvolver estratégias que visem transformar a imagem negativa que muitos têm acerca desses animais, incentivando-as a respeitá-los”, defende.

 

Curiosidades

 

• As serpentes estão presentes em quase todos os ambientes do Planeta, com exceção das regiões polares, onde o clima extremamente frio impede a sobrevivência de animais ectodérmicos, isto é, que obtêm calor de fontes externas, aquecendo-se ao sol, por exemplo.

• Tecnicamente todas as serpentes são venenosas, e o veneno tem a principal função de iniciar a digestão do alimento, ajudando no processo de absorção e assimilação dos nutrientes. As capacidades de injeção do veneno as tornam peçonhentas ou não. São peçonhentas quando possuem dentes modificados para a injeção do veneno (jararaca, cascavel, cobra-coral-verdadeira e outras) e não peçonhentas, quando não possuem dentes especializados (jiboia, sucuri, píton e outras). Aquelas que não injetam, geralmente possuem musculatura corporal mais desenvolvida para que possam segurar bem a presa, o famoso "abraço apertado". Já popularmente diz-se que são venenosas aquelas que, tecnicamente são as peçonhentas.

• As cobras têm uma alimentação variada, desde insetos, ovos de anfíbios e aves, peixes, outros répteis, mamíferos e até mesmo cobras "venenosas".

• As cobras não têm ouvidos externos nem pálpebras;

• As cobras utilizam a língua para sentir as partículas químicas presentes no ar, por isso expõem a língua várias vezes quando algo muda no ambiente, já que sua visão não é muito boa;

• As cobras conseguem comer uma presa inteira, pois o maxilar inferior consegue separar-se do superior;

• O processo de troca de pele das serpentes, também chamado de ecdise, acontece periodicamente por meio da substituição de uma pele “apertada”, por uma nova mais flexível que permanecerá até a próxima muda, permitindo que o animal continue crescendo. Vários fatores influenciam no número de mudas de pele, inclusive as condições ambientais.