11 Fevereiro 2026 -
Dados da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) apontam que 98,9% dos empresários do comércio e turismo estão otimistas com o Carnaval de 2026, projetando um crescimento de 15% na movimentação financeira no período da folia. Os indicadores macroeconômicos sustentam essa euforia. Mas é no "micro", dentro dos ateliês, que se percebe a mudança de patamar da festa: o folião de BH deixou de buscar apenas o "barato" para investir na "experiência".
O Carnaval de BH consolida-se como uma indústria que vai muito além do turismo convencional, profissionalizando artistas plásticos, designers e artesãos que encontraram na folia um mercado de alto valor agregado.
“O Carnaval é um dos maiores impulsionadores da economia criativa da cidade. A festa movimenta uma cadeia produtiva diversa, que vai da criação artística à produção de figurinos, adereços e experiências, passando por pequenos negócios, coletivos culturais e profissionais autônomos. Ao fortalecer o Carnaval, estamos estimulando o empreendedorismo, gerando renda e ampliando oportunidades para quem transforma criatividade em trabalho e desenvolvimento econômico para a capital”, afirma o presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel.
Planejamento e estoque
O perfil do empreendedor de Carnaval mudou. Deixou de ser apenas uma renda extra de improviso para se tornar um negócio estruturado. Um exemplo claro é Bruna Sadra, terapeuta que no período pré-carnavalesco se transforma em empreendedora à frente da marca Rainha do Glitter.
Especializada em adereços de cabeça de alto padrão, feitos com penas, paetês e pedrarias, ela desenhou uma estratégia agressiva para 2026: aumentou sua produção em 50% focando apenas nos itens mais vendidos do ano anterior.
O resultado surpreendeu o planejamento. O estoque, projetado para durar até a véspera da festa, esgotou bem antes do início oficial. "Para minha surpresa, terminou duas semanas antes. As meninas viram que, para quem quer 'beber água limpa', precisa chegar primeiro, tem que se antecipar. Quem deixou para a última hora ficou de fora", aponta Bruna.
A empreendedora destaca que o público não busca preço, mas exclusividade. Seus adereços, que partem do valor de R$ 140, atendem principalmente ritmistas de baterias e turistas. "Ninguém questionou preço. A minha clientela entende que é um produto diferenciado, que não se encontra pronto". Todo o lucro é reinvestido no próprio negócio, financiando a compra antecipada de materiais e a contratação de profissionais para a próxima temporada.
Diferencial de mercado
Outro exemplo da sofisticação desse mercado é a artista plástica Kelly Camillozzi. Atuando com maquiagem artística e criação de adereços autorais, ela viu sua agenda ser disputada semanas antes da folia. Para ela, o Carnaval de BH atingiu um nível onde o cliente entende a diferença entre preço e valor.
"São poucas as pessoas que entendem o conceito de preço versus valor, mas quem entende, volta. Não é um produto ou um serviço, é a experiência. As pessoas sabem que eu vou entregar mais do que elas esperam, que não vai ter 'bicho no feijão'", afirma Kelly.
A artista explica que o mês que antecede o Carnaval é de trabalho intenso, muitas vezes virando noites para dar conta das encomendas de adereços exclusivos, que nunca são repetidos, e da agenda de maquiagens. Kelly também aponta um desafio econômico importante: a inflação dos insumos.
"O poder aquisitivo caiu e os materiais subiram bastante. Eu não consigo entregar um produto que eu me orgulhe cobrando barato, porque limita minha criatividade. Quem busca meu trabalho sabe que há anos de estudo, técnica e materiais de primeira linha envolvidos", ressalta a artista, reforçando que o mercado de exclusividade no Carnaval segue aquecido para quem busca diferenciação.
Geração de renda
Essa movimentação reflete diretamente na geração de renda. A estimativa do mercado é que o Carnaval de BH seja responsável pela abertura de 20 e 25 mil postos de trabalho temporários. Além dos artesãos e maquiadores, a cadeia abraça músicos instrumentistas e o setor de serviços.
A qualificação dos produtos oferecidos pela economia criativa de BH atrai um turista mais exigente. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG) projeta ocupação superior a 80%, com picos de lotação máxima em regiões nobres.
Varejo tradicional
Se os ateliês exclusivos operam com filas de espera, o varejo tradicional do Centro e dos bairros surge como o grande aliado do folião de última hora. Lojas da Rua dos Tamoios, Galeria Ouvidor e Avenida Álvares Cabral funcionam como "QGs da folia", oferecendo desde paetês e glitter, para quem quer customizar, até fantasias completas.
Essa diversidade de canais de venda é vital para a economia local. Ao comprar no comércio de rua ou em bairros como Padre Eustáquio e Santa Inês, o folião fortalece a economia da cidade. Seja com uma tiara de luxo de R$ 300 ou um pacote de glitter de R$ 5, todo o consumo gira a roda da economia da capital.
Para a Belotur, essa coexistência entre o mercado de luxo artesanal e o varejo popular é a prova do sucesso do modelo de BH. "Temos opções para todos os bolsos e estilos. O importante é que o dinheiro circule em Belo Horizonte, gerando renda dentro da cidade", completa Eduardo Cruvinel.
Lojas onde o folião pode garantir o look especial de Carnaval:
Centro
Estação Carnaval (Loja Colaborativa)
Onde: Avenida Álvares Cabral, 348
O que tem: adereços de produtores locais, fantasias autorais e acessórios
XZL Artesanato
Onde: Rua dos Tamoios, 466
O que tem: insumos para produção (paetês, pedrarias, penas), aviamentos e acessórios prontos. Ideal para customização
Casa Carnaval
Onde: Avenida Olegário Maciel, 800 (ou Rua Goitacazes, 753)
O que tem: fantasias completas, máscaras, chapéus e adereços variados
Alfa Fantasias
Onde: Avenida Afonso Pena, 526 (sobreloja 519)
O que tem: fantasias prontas e acessórios rápidos
Mega Festas
Onde: Rua da Bahia, 347
O que tem: acessórios criativos, saias de fitas e shorts de lantejoulas
Co.Lab
Onde: Mercado Novo (Rua da Bahia, 347)
O que tem: acessórios com pegada sustentável e design local
Galeria Ouvidor
Onde: Rua São Paulo, 656
O que tem: diversas lojas com tecidos, aviamentos e fantasias populares
Nos bairros
Fantasias BH (região Leste)
Onde: Rua Cordislândia, 64 – Santa Inês
O que tem: venda e aluguel, foco em infantil e adulto
Trelelê Fantasias (região Noroeste)
Onde: Rua Castigliano, 835 – Padre Eustáquio
O que tem: fantasias de personagens e grupos
Passa Laço Fantasias (região Noroeste)
Onde: Avenida Abílio Machado, 1.381 (Loja A) – Frei Eustáquio
O que tem: tradicional em aluguel, inclusive tamanhos plus size
Fantasias Vó Ditinha (região Oeste)
Onde: Rua José Rodrigues Pereira, 589 – Buritis
O que tem: aluguel de kits completos
Spazio Fantasias (região Centro-Sul)
Onde: Rua Geraldo Magalhães Mascarenhas, 155 – Belvedere
O que tem: customização e fantasias diferenciadas
