23 June 2026 -
Nesta quinta-feira (25), o Jardim Zoológico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica promove ação de sensibilização pelo Dia Internacional contra o Tráfico de Fauna Silvestre. O bate-papo “Tráfico de fauna silvestre. Uma ameaça à biodiversidade!”, que vai debater as consequências dessa prática criminosa para o meio ambiente e até para a vida humana, será próximo à Casa dos Répteis, das 9h às 11h e das 14h às 16h.
A proposta da atividade é sensibilizar os participantes sobre o impacto do tráfico da fauna na biodiversidade brasileira por meio de uma pequena exposição, contendo imagens e objetos apreendidos pelos órgãos de fiscalização nas ações de combate a essa atividade ilícita. “A atividade também tem o objetivo de apresentar o papel dos zoos na proteção e na conservação da fauna silvestre para formar pessoas sensíveis e comprometidas no combate a esse crime”, destaca a bióloga Rízzia Botelho.
Segundo ela, a data foi instituída pela Associação Latino-Americana de Parques Zoológicos e Aquários (Alpza), da qual o Zoológico de BH é um dos membros. “Essa iniciativa levou em consideração o fato de a América Latina ser a região com a maior diversidade biológica. E para proteger toda essa riqueza, é preciso, entre outras ações, combater a grave ameaça que o tráfico de fauna silvestre representa para a conservação da biodiversidade, tanto nessa região quanto em todo o mundo”.
Reabilitação
O Zoológico de Belo Horizonte é parceiro dos órgãos de fiscalização de crimes contra a fauna no recebimento, cuidados e reabilitação de animais silvestres apreendidos nas campanhas de combate ao tráfico de fauna silvestre. Para se ter uma ideia, cerca de 86% dos psitaciformes (papagaios, araras, periquitos, dentre outros) e 80% dos passeriformes (passarinhos), que atualmente estão sob os cuidados do Zoo, chegaram nesta condição, encaminhados pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas/Ibama-IEF).
O tráfico de fauna silvestre é considerado um dos crimes mais disseminados do mundo, assim como os tráficos de drogas, de armas e de pessoas. Anualmente, milhares de animais são retirados da natureza por meio do tráfico e a maioria não chega com vida ao seu destino. No Brasil, segundo dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), estima-se que 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza ilegalmente todos os anos.
No Brasil, as principais leis federais que tratam dessa prática são a de Proteção à Fauna (nº 5.197/67) e a dos Crimes Ambientais (nº 9.605/98), com sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. No entanto, há vários desafios para a aplicação da legislação, o que facilita a manutenção desse mercado perverso.
No Brasil, país com a maior diversidade biológica do mundo, com mais de 124 mil espécies da fauna e de 44 mil espécies da flora, o impacto é ainda mais grave, uma vez que afeta espécies fundamentais para o equilíbrio dos ambientes onde vivem.
Modalidades
O tráfico da fauna silvestre tem características peculiares quanto às espécies traficadas e ao destino que elas têm ao chegar nos mercados nacional e/ou internacional. As principais modalidades são:
- Animais para produtos e subprodutos - utilizados na fabricação de adornos e artesanatos. Normalmente, se comercializam couros, peles, penas, garras, presas, dentre outros.
- Animais para estimação (ou pets) - é a modalidade que mais incentiva o tráfico de animais silvestres no Brasil. Devido à grande procura, quase todas as espécies da fauna nativa estão incluídas nessa categoria.
- Animais para colecionadores particulares - prioriza principalmente as espécies mais ameaçadas de extinção. Quanto mais raro for o animal, maior é o seu valor de mercado. Essa modalidade, financia redes internacionais complexas de contrabando. Estimula a falsificação de documentos para tentar "lavar" e legalizar os animais roubados da natureza.
- Animais para fins científicos e laboratoriais (biopirataria) - neste grupo encontram-se as espécies que fornecem substâncias químicas, que servem como base para a pesquisa e produção de medicamentos. Devido à intensa incursão de pesquisadores ilegais no território brasileiro, em busca de novas espécies, aumenta a cada dia. Está à frente do roubo de patrimônio genético e de conhecimentos tradicionais, gerando patentes internacionais milionárias sem qualquer retorno ao país de origem.
Silvestre não é pet
O comércio legalizado de animais silvestres está muito relacionado ao tráfico de fauna, pois o mercado legal desperta o interesse das pessoas e normaliza o uso dos animais como um produto a ser consumido, fazendo com que mais pessoas tenham o desejo de ter, em casa, um exemplar silvestre. Muitas vezes, as pessoas buscam preços mais em conta e acabam sendo atraídas por animais de origem ilegal. Assim, mesmo gostando dos animais, tendo admiração por eles, acabam estimulando o tráfico.
Quem flagrar a venda de animais silvestres ou souber de alguém que os mantenha em casa, ilegalmente, pode fazer a denúncia ao Ibama pelo telefone 0800 061 8080 (Linha Verde). Em caso de emergência, poder ligar para a Polícia Militar Ambiental, no número 190. Denunciar o tráfico de animais silvestres é uma forma direta de proteger a biodiversidade e combater a exploração da fauna é um dever de todos.
