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Uma artista no centro do palco expressa grande emoção ao cantar com a boca aberta e braços bem abertos. Ela tem cabelos cacheados pretos, usa óculos de grau, brincos grandes e blusa preta sem mangas. Em uma das mãos, segura um instrumento percussivo (xequerê) para o alto. Ao fundo, à esquerda, um homem de camiseta preta toca tambores. Atrás deles, um telão iluminado em tom vermelho exibe a palavra "Trampolim" escrita em letras brancas estilizadas.
João Bosco/ Divulgação

Descontorno Cultural leva mais de 100 atrações para nove regionais de BH

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Nos dias 12 (sábado) e 13 de setembro (domingo), Belo Horizonte se torna palco da 11ª edição do Descontorno Cultural. Realizada pela Fundação Municipal de Cultura em parceria com o Instituto Lumiar, a mostra reúne artistas e público em Centros Culturais de nove regionais da cidade para celebrar a arte na capital. Mais informações sobre a programação completa no Portal PBH.

Ao longo de todo o evento, a população de BH e Região Metropolitana terá acesso a 108 atrações artísticas, entre apresentações e oficinas gratuitas nas áreas de música, artes cênicas, literatura, cultura popular e tradicional, cultura popular urbana, artes plásticas, audiovisual e ações voltadas para a infância e juventude.

Uma novidade em 2026 é que, dos dez Centro Culturais Públicos ocupados pelo evento, dois deles pertencem ao Barreiro. Nesta edição serão disponibilizadas ainda vans para transporte do público dos Centros Culturais que não têm programação para os que integram a Mostra este ano.

Homenagem

No domingo (13), a partir das 16h, o coletivo Rosas de São Bernardo se apresenta no Centro Cultural Jardim Guanabara (Regional Norte). Grande homenageado desta edição, o coletivo é formado por sete senhoras que, desde 2008, contribuem para a construção de uma programação artística permanente nos Centros Culturais da cidade. O grupo realiza recitais, contações de histórias e cantigas de roda com o intuito de divulgar a cultura popular, valorizar o protagonismo idoso e resgatar o patrimônio cultural comunitário. A apresentação será seguida de abertura oficial com a presença de autoridades municipais.

A presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, destaca o papel da mostra na valorização dos artistas e dos espaços públicos de cultura que mantêm viva a programação cultural da cidade ao longo do ano. “O Descontorno dá protagonismo à arte produzida nas bordas de Belo Horizonte e valoriza o trabalho de artistas de diferentes linguagens e segmentos, que durante todo o ano fortalecem a agenda dos nossos centros públicos culturais. A mostra é também um momento de encontro e celebração dessa produção, aproximando artistas e público, mostrando a força da cultura que acontece nos territórios”, reforça.

Para Frederico Diniz, diretor de Promoção dos Direitos Culturais, o Descontorno Cultural amplia o acesso à produção artística da capital mineira e convida o público a conhecer a diversidade cultural presente nos diferentes territórios. “Essa é uma oportunidade de aproximar o público de uma produção artística diversa, potente e que acontece em diferentes regiões. Ao promover a circulação das pessoas pelos espaços culturais e pela cidade, a mostra fortalece o acesso à cultura, valoriza os artistas e contribui para a efetivação dos direitos culturais e do direito à cidade”, destaca.

Destaques da programação

Neste ano, as programações nas unidades totalizam mais de dez horas de atrações por dia, entre shows, saraus, oficinas, contação de histórias, artesanato, apresentações de dança, performance e teatro, que estarão distribuídas pelo Centro Cultural Jardim Guanabara (Norte); Centro Cultural Vila Marçola (Centro-Sul); Centro Cultural São Geraldo (Leste); Centro Cultural Vila Santa Rita (Barreiro); Centro Cultural Urucuia (Barreiro); Centro Cultural Pampulha (Pampulha); Centro Cultural Salgado Filho (Oeste); Centro Cultural Padre Eustáquio (Noroeste); Centro Cultural Venda Nova (Venda Nova); e Centro Cultural Usina da Cultura (Nordeste).

Para esta edição, foram selecionados 80 artistas por meio de chamamento público. Um dos destaques é o projeto Rap Surdo, que propõe uma batalha de rimas em libras, criando um espaço de expressão, improviso e protagonismo para artistas surdos dentro da cultura hip hop. Também integra a lista dos selecionados a performance “Saudação à Ancestralidade”, da artista Júnia Bertolino (Cia Baobá Minas), que presta homenagem ao feminino e à natureza.

Para o público infantil, um destaque é "Brincadeiras Sonoras", espetáculo musical interativo do artista Edu Pio, com seu personagem Super Pamp, criado especialmente para bebês, crianças pequenas e famílias. Outra opção é a “Mostra Cênica Urbana", que apresenta quatro obras com temáticas variadas em diálogo com o universo das danças urbanas.

Atração também ligada à arte urbana e voltada para adultos, a oficina “Graffiti e Expressão”, ministrada pela artista KROL, propõe uma imersão na história, principais técnicas e estilos do graffiti.

Ainda na esteira da cultura urbana, o “Trap na Laje” oferece shows com artistas convidados. Nascido no Aglomerado da Serra (BH/MG), o projeto tem o propósito fortalecer e dar visibilidade à cena do trap (gênero derivado do rap), conectando artistas independentes e público. Já a artista Lu Mattos traz mais música com seu show autoral “Poptrópicosfera”, que une MPB, pop e rock em uma apresentação intensa e envolvente.

Também compõem a programação artistas voluntários que atuam nos centros culturais ao longo do ano, além de artistas selecionados via contrapartida de projetos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, como é o caso do renomado Grupo Trampulim, com seu espetáculo "Pratubatê", uma experiência musical interativa que usa o ritmo e a percussão coletiva como ferramenta de comunicação com a plateia.

Democratização

A mostra Descontorno Cultural integra as políticas públicas de democratização do acesso aos bens e serviços culturais, contribuindo para o fortalecimento, protagonismo e visibilidade dos trabalhos de artistas das periferias da cidade, além de celebrar as ações desenvolvidas ao longo de todo o ano nos centros culturais municipais. Trata-se de um verdadeiro instrumento de descentralização das políticas públicas de cultura.

Desde a sua criação, em 2013, cada edição reúne, em nove regionais da cidade, atrações gratuitas simultâneas com diferentes linguagens artísticas, voltadas a públicos de todas as idades. 

Sobre os Centros Culturais Municipais

Belo Horizonte conta com uma rede integrada de 17 Centros Culturais espalhados por nove regionais da cidade, funcionando como verdadeiros polos de efervescência e convivência comunitária. Grande parte desses espaços nasceu do desejo direto da população por meio do Orçamento Participativo (OP), consolidando o acesso à arte nos bairros e periferias.

Abertos a públicos de todas as idades, de crianças a idosos, os centros oferecem diariamente uma programação gratuita que inclui oficinas de formação, shows, espetáculos, exibições de filmes e preservação da memória local, além de abrigarem, todos eles, bibliotecas públicas. Pela localização estratégica, muitas dessas unidades atendem também a moradores de municípios da Região Metropolitana, reforçando o papel da rede na descentralização e democratização da cultura na cidade.


Serviço

11ª Mostra Descontorno Cultural

Quando: dias 12 e 13 de setembro (sábado e domingo), em 10 centros culturais

Classificação indicativa: Livre

Programação completa: Portal PBH