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Três papagaios filhotes.
Foto: Suziane Fonseca/PBH

Cuidado com os animais marca Jardim Zoológico de Belo Horizonte

27/12/2018 | 17:00 | atualizado em 05/04/2019 | 11:16
Biólogos, tratadores e estagiários da Seção de Aves do Jardim Zoológico de Belo Horizonte começaram a se despedir, esta semana, de cerca de 50 aves que estavam há mais de um mês sob a guarda temporária da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, por meio de parceria com o Centro de Triagem de Animais Silvestres do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Cetas/Ibama), em Belo Horizonte. As aves foram recolhidas em ação da Polícia Civil de Minas Gerais em uma residência no bairro Venda Nova, aonde mais de 500 aves jovens ou recém-nascidas vinham sendo mantidas para comércio ilegal.

 
Após a apreensão, no início do mês de novembro, os animais foram encaminhados ao Ibama. As aves foram então divididas em grupos e entregues a temporariamente a ONGs, criadores particulares legalizados e ao Jardim Zoológico da Fundação de Parques- instituições parceiras - para serem cuidadas e tratadas até ganharem autonomia suficiente para, possivelmente, voltarem à natureza.  No último dia 18 de dezembro, 25 aves já devidamente tratadas foram devolvidas ao Ibama e o restante continua sob os cuidados do Jardim Zoológico. 

 


Força-tarefa

Entre os 50 filhotes que chegaram ao Jardim Zoológico da capital estão uma curica-esfumaçada (Pionus maximilianii), papagaios-galegos (Alipiopsitta xanthops) e papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva), que pertencem ao grupo dos psitacídeos. “Ficamos com os mais jovens e, por isso, os que estavam em estado mais crítico entre os cerca 500 animais apreendidos. Todos chegaram bastante debilitados ao Zoológico, já que vinham sendo criados em condições precárias – dentro de caixinhas de leite e sem qualquer preocupação com a limpeza e higiene do local – estavam fracos e muito sujos e alguns até com queimaduras no esôfago, decorrentes de alimentação inadequada no cativeiro”, conta a bióloga Márcia Procópio, responsável pela Seção de Aves do Jardim Zoológico da Fundação de Parques.


De acordo com a bióloga, foi organizada uma força-tarefa e todos os filhotes eram acompanhados diariamente pela equipe técnica. “Eles receberam alimentação nutritiva e adequada à sua idade e foram acomodados em uma sala devidamente aclimatada e protegida. Além disso, as aves foram acompanhadas pela equipe do Hospital Veterinário para tratar possíveis doenças, já que alguns indivíduos apresentavam condições propícias para o desenvolvimento de vários tipos de infecção. Todas foram também medicadas com antibióticos para prevenir, especialmente, o aparecimento de doenças respiratórias”, relata. 


O trabalho envolveu duas biólogas, quatro tratadores, duas estagiárias e uma funcionária de apoio que, durante pouco mais de um mês, se revezaram em turnos, inclusive aos finais de semana, para garantir todos os cuidados necessários às aves. Tudo com o objetivo de que os filhotes ganhassem força e autonomia e desenvolvessem suas habilidades e instintos naturais.


Já apresentando boas condições de saúde, os primeiros 25 animais foram encaminhados ao Ibama no último dia 18 de dezembro. “Com o passar dos dias e com todos os cuidados e carinho dedicados a esses animais, parte deles já começou a se mostrar mais independente, tendo capacidade de reagir ao contato humano, rejeitando o toque e recusando a alimentação na seringa, ou seja, buscando o alimento no ambiente e defendendo-se de possíveis agressores. Isso é um sinal bastante positivo para sua autonomia e sobrevivência no meio natural”, explica Márcia.

 
Essas 25 aves poderão passar agora por uma triagem do Ibama para definir se estão plenamente capazes de ser reintroduzidas na natureza, em reservas ambientais, e sobreviver livremente ou se ficarão sob a guarda humana. 


Restam agora no Jardim Zoológico 19 aves ainda sob cuidados dos técnicos da Seção de Aves. “Elas ficarão aqui até que apresentem condições de saúde adequadas e manifestação de instintos suficientes. A preocupação é garantir o bem-estar delas, independente do tempo que leve. Quando devolvidas ao Ibama, esse órgão definirá o destino dessas aves, com base nas condições individuais de cada uma”, assinala Márcia. 



Comércio ilegal 

O comércio ilegal de animais é uma das razões que levam os animais aos  zoológicos e ONG’s de preservação ambiental no Brasil e no mundo. “Já recebemos, certa vez, um leão, fruto de uma apreensão em um circo. Ele ficou sob nossos cuidados e, depois, passou a fazer parte do nosso plantel em definitivo, pois não podia ser reintegrado mais à natureza. Temos também outros exemplos de animais que aqui estão ou estiveram, permanente ou temporariamente, como resultado de apreensões em criadouros irregulares ou mesmo por tráfico de animais silvestres. Além disso, os atropelamentos em rodovias resultaram na chegada de serpentes, anfíbios, onças-pardas, entre outros animais, para tratamento e guarda aqui no Zoológico de BH”, relata o presidente da Fundação de Parques e Zoobotânica, Sérgio Augusto Domingues.  


Ele salienta que alguns desses animais, especificamente os da fauna brasileira, podem apresentar condições de serem reintroduzidos na natureza em segurança, mas outros não. Nesse caso, eles acabam ficando sob a guarda humana, pois já não apresentam condições de sobreviver no meio selvagem. 


Além de um espaço para lazer e entretenimento, o Jardim Zoológico ganha importância também, por ações como essas, na conservação da fauna, aponta o presidente.  “Atualmente, cerca de 20% dos animais que compõem o plantel do Zoo de Belo Horizonte são representantes de espécies ameaçadas de extinção e, não à toa, temos hoje em planejamento programas de reprodução de algumas dessas espécies, nativas e exóticas, com destaque para o nosso grupo de gorilas, o único da América Latina, e de reintrodução das que são nativas, ou seja, das brasileiras, na natureza”, afirma. 



Jardim Zoológico 

Inaugurado em 25 de janeiro de 1959, o Jardim Zoológico de Belo Horizonte, hoje sob administração da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, possui cerca de 900 animais, entre aves, mamíferos, répteis e anfíbios, além de mais de três mil peixes de espécies do Rio São Francisco, que são cuidados por uma equipe de profissionais capacitada, responsável pelo manejo, tratamento veterinário, nutrição e bem-estar, além do controle dos processos administrativos. Das mais de 250 espécies presentes em seu plantel, cerca de 20% encontram-se ameaçadas de extinção.


Dentro da área do Jardim Zoológico, estão também o Aquário da Bacia do Rio São Francisco (o maior aquário temático do Brasil), o Jardim Botânico da capital, um Jardim Japonês e um Borboletário.


Para visitar o local, que funciona de terça a domingo, das 8h às 17h (entrada permitida até as 16h), é necessário comprovar estar vacinado há pelo menos 10 dias contra a febre amarela e apresentar documento de identidade. Em função da exigência da vacinação, bebês com menos de nove meses não podem frequentar o espaço.

 

27/12/2018. Papagaios apreendidos. Fotos: Suziane Fonseca/FPMZB