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Menina com baixa visão usa óculos e lupa para ler
Fotos: Divulgação/PBH

Centro Municipal de Oftalmologia promove reabilitação visual

02/01/2018 | 14:59 | atualizado em 12/01/2018 | 09:29
Atendimento humanizado e ambiente acolhedor fazem toda a diferença na vida dos pacientes com baixa visão e cegueira do Centro Municipal de Oftalmologia (rua Frederico Bracher Junior, 103, bairro Padre Eustáquio). “Eu tinha dificuldade na escola. Não copiava direito, era muito difícil ler o quadro”, revela a estudante Jeniffer Emmanuely Bonifácio, de 10 anos, ao falar da condição de baixa visão, uma deficiência que ocorre em pessoas de todas as faixas etárias e afeta a vida das mais diferentes formas.
 
Com um histórico de toxoplasmose congênita, doença que afeta a região central e forma uma cicatriz no fundo do olho, a estudante é acompanhada pelo Serviço de Reabilitação Visual, ofertado no Centro Municipal de Oftalmologia (CMO). Ela recebeu uma nova lente de telessistema monocular - uma espécie de telescópio manual que permite a leitura à distância. 
 
Para receber o equipamento, passou por uma avaliação completa que determinou o que poderia ser adaptado para facilitar nas tarefas de vida diárias. “Testamos alguns auxílios. Vimos a questão dos óculos para facilitar o dia a dia na escola e de auxílios ópticos visuais, como lupa de apoio, para a leitura de perto; e de lentes de telessistemas monoculares, no caso de leitura a distância”, explicou a oftalmologista Alessandra Leite, que trabalha com reabilitação visual e visão subnormal infantil. 
 

Equipe multidisciplinar 

A reabilitação visual tem como objetivo oferecer ferramentas e preparar o paciente para atividades diárias e o desenvolvimento de habilidades para a participação nos processos de inclusão escolar, social e profissional.
 
Pessoas portadoras de baixa visão são aquelas que, mesmo após correção óptica, ainda são visualmente deficientes, mas que podem melhorar o funcionamento visual através do uso de auxílios ópticos, não ópticos, modificações ambientais e técnicas específicas. O serviço abrange indivíduos de todas as faixas etárias e visa à avaliação funcional da visão, o treinamento de auxílios ópticos, a estimulação visual e orientações pedagógicas necessárias para uma boa qualidade de vida. 
 
O Serviço de Reabilitação do CMO é a única unidade nas redes pública e privada do município a ofertar um serviço de reabilitação visual com uma equipe multidisciplinar. A unidade dispõe de médicos oftalmologistas, auxiliares de enfermagem, auxiliares administrativos, técnicos em ótica, ortopedista, assistente social, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e psicólogo. 
 
Os profissionais instruem as famílias para a adaptação do deficiente visual ao ambiente residencial e as escolas para adaptação do ambiente escolar - com orientações pedagógicas gerais e específicas para o caso de cada aluno.
 

Contrastes e brilhos

 
O paciente Richard de Castro Teixeira, de apenas 1 ano e 3 meses, é portador da Síndrome de Down e nasceu com catarata congênita. Ele começou a reabilitação há cerca de quatro meses, frequentando semanalmente a unidade, e faz uso de óculos especiais. 
 
“Depois que começou a fazer o tratamento com ajuda dos profissionais, ele apresentou uma evolução muito boa. A movimentação dos olhos melhorou demais, e a coordenação motora para pegar objetos e trocar o objeto de uma mão para a outra, também melhorou. O acompanhamento está sendo fundamental para o seu desenvolvimento”, observou o pai, Leandro Teixeira. 
 
Oftalmologista que trabalha a reabilitação visual de crianças e orientação de mobilidade de adultos, Guilherme Teixeira é um dos responsáveis pela reabilitação do Richard. “Ele tem apresentado uma boa evolução. O nistagmo - movimento involuntário dos olhos - diminuiu bastante, e hoje ele acompanha tanto horizontalmente quanto verticalmente os objetos, de alto ou baixo contraste. Antes, ele só demonstrava interesse por objetos que estivessem à sua frente”. 
 
Nas sessões, é trabalhada gradualmente a percepção do paciente, utilizando diferentes objetos de diferentes contrastes e brilhos, para ver se a criança consegue acompanhar. Os pais participam das sessões e são orientados a trabalhar em casa com os objetos de diferentes contrastes, para que a criança tenha um rendimento mais acentuado. 
 
A reabilitação visual também oferece um treinamento de orientação e mobilidade, que tem como objetivo propiciar condições para que a pessoa portadora de baixa visão ou cegueira possa se orientar e se movimentar com independência e segurança em diferentes ambientes. Um dos exemplos é o uso da bengala ao atravessar uma rua ou na identificação de obstáculos, como bueiros, buracos e degraus. Esse trabalho é realizado na unidade e no entorno do complexo, para que o paciente aprenda a se inteirar com o ambiente tanto dentro quanto fora de casa.
 

 

02/01/2018. Reabilitação Visual. Fotos: Divulgação/PBH