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Casa de Acolhimento LGBT recebe nome em homenagem a ativista Sissy Kelly
Divulgação/PBH

Casa de Acolhimento LGBT recebe nome em homenagem a ativista Sissy Kelly

criado em - atualizado em

No dia em que se comemorou o Dia Internacional da Visibilidade Trans, 31 de março, a Casa de Acolhimento LGBT da Prefeitura de Belo Horizonte foi batizada com o nome da ativista Sissy Kelly. A unidade, inaugurada em 2022, já acolheu cerca de 100 pessoas LGBTQIAPN+ desde a fundação, com a oferta de proteção integral e um ambiente seguro, acolhedor e respeitoso às pessoas atendidas, contribuindo para a superação de situações de vulnerabilidade.

Atualmente, 10 pessoas estão acolhidas na Casa Sissy Kelly, que tem capacidade para 20 usuárias. O trabalho na unidade é voltado ao fortalecimento e à reconstrução de vínculos interpessoais e familiares, estimulando o desenvolvimento de novas perspectivas e projetos de vida. Para isso, são realizados atendimentos técnicos com orientações individuais e coletivas, além de encaminhamentos para serviços e políticas públicas que favoreçam a autonomia e a inserção social, em especial por meio da promoção do acesso à qualificação e requalificação profissional, contribuindo para a inclusão produtiva e o fortalecimento da autonomia dos indivíduos acolhidos.

A instituição também atua na prevenção de situações de negligência, violência, abandono e ruptura de vínculos, promovendo a reinserção social, comunitária e familiar. Busca, ainda, garantir o acesso à rede socioassistencial, aos órgãos de defesa de direitos e às demais políticas públicas.

Incentiva ainda a participação em atividades culturais, esportivas, de lazer e ocupacionais, respeitando os interesses e as vivências de cada pessoa, promovendo a convivência comunitária. Ao mesmo tempo, favorece o desenvolvimento de habilidades, capacidades e oportunidades, estimulando escolhas autônomas, o autocuidado e a construção da independência.

Busca por autonomia

A Casa funciona como abrigo institucional destinado ao acolhimento de pessoas LGBT maiores de 18 anos, incluindo idosos com idade igual ou maiores de 60 anos, em trajetória de vida nas ruas e em situação de risco pessoal e social.  A prioridade é para pessoas em situação de pobreza e com rompimento ou fragilidade dos vínculos familiares e comunitários decorrentes da vivência de violência física, verbal ou psicológica, discriminação e violação de direitos em consequência da LGBTfobia. 

As vagas disponíveis são preenchidas por meio do encaminhamento de usuários pelos equipamentos socioassistenciais do município, após uma avaliação técnica que contempla os riscos e vulnerabilidades apresentados no atendimento. O tempo de acolhimento varia de acordo com cada pessoa, podendo ser de alguns dias ou até por três meses.

O local possui estrutura física semelhante à de uma residência, com ambiente acolhedor, visando o desenvolvimento de relações mais próximas do ambiente familiar. A equipe da unidade estabelece articulação com a rede socioassistencial, assim como com as demais secretarias municipais e órgãos do Sistema de Garantia de Direitos, com o objetivo de incentivar o acesso à cidade e às diversas políticas públicas setoriais.

Casa Sissy Kelly

O “batizado” da Casa Sissy Kelly, nome escolhido pelas atuais moradoras, foi um momento festivo, que contou com uma tarde de atividades voltadas ao bem-estar e à convivência, reunindo pessoas acolhidas, gestores da PBH e da OSC Darcy Ribeiro, trabalhadoras da instituição, além de familiares da homenageada. 

Sônia Sissy Kelly foi uma mulher trans e ativista mineira que marcou a construção de políticas públicas voltadas ao acolhimento da população LGBTQIAPN+ em Belo Horizonte. Nascida em Aimorés (MG), em 1957, enfrentou desde cedo a transfobia, vivendo situações de violência, exclusão, internações compulsórias e períodos em situação de rua. A partir dos anos 1990, passou a atuar no movimento social, defendendo direitos, fortalecendo redes de apoio e lutando por dignidade, acesso a serviços públicos e reconhecimento da identidade de gênero.

A militância de Sônia Sissy teve impacto direto nas políticas de acolhimento institucional, especialmente ao reivindicar que a separação em abrigos respeitasse a identidade de gênero autodeclarada. Após denunciar violências em espaços masculinos, conseguiu ser acolhida em uma instituição feminina e, posteriormente, tornou-se a primeira mulher trans a ingressar voluntariamente em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos em BH, abrindo caminho para outras. 

A trajetória dela contribuiu para transformar práticas excludentes e influenciar políticas públicas mais inclusivas, tornando-se referência para iniciativas como a Casa de Acolhimento LGBT da cidade.