21 September 2026 -
A Prefeitura de Belo Horizonte abriu inscrições nesta segunda-feira (21) para manifestações de interesse na criação de novas Unidades Produtivas (UPs) Institucionais, as chamadas hortas institucionais. Até a próxima segunda-feira (28), escolas, centros de saúde, centros culturais, Centros de Referência em Assistência Social (Cras), entidades socioassistenciais, institutos, fundações, associações e organizações da sociedade civil sem fins lucrativos podem se inscrever para receber apoio na implantação de uma horta.
O formulário para inscrições está disponível na página da Agroecologia, Agricultura Urbana e Agricultura Familiar da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN). A PBH fornece os insumos, a capacitação e a assessoria técnica, além de acompanhar a implementação e a manutenção das hortas, o que reduz a barreira de entrada para instituições sem experiência prévia em cultivo.
As UPs institucionais são pequenas porções de terra onde a produção agrícola é feita de forma integrada e sustentável, com base nos princípios da agroecologia: manejo sem agrotóxicos, respeito ao ciclo do solo, valorização da biodiversidade e uso racional da água. As unidades podem ser públicas, com a gestão feita por servidores e a produção compartilhada com usuários da instituição ou pela comunidade do entorno, e podem ser privadas, sem fins lucrativos, com gestão e produção por organizações da sociedade civil.
Rômulo Dias de Oliveira Barros, professor de apoio à Comunicação, Linguagens e Tecnologias Assistivas na Escola Estadual Elpídio Aristides de Freitas, Bairro Camargos, elogia a parceria com o município na implantação e acompanhamento da horta na instituição. Ele enfatiza que o processo anterior à implantação da UP, a qualificação das pessoas que ficarão à frente dos cuidados com a horta, foi fundamental para desenvolver a confiança da escola no processo.
“A experiência tem sido muito boa, uma parceria forte e que tem sequência. Recebemos os insumos que necessitamos e a orientação técnica. Recentemente, fizemos o curso de ervas medicinais e já estamos aplicando os conhecimentos na horta”, ressalta, acrescentando que além da consultoria, a parceria oferece as formações continuadas por meio dos Centros de Vivência Agroecológica (Cevaes).
Batata doce roxa, algodão, salsinha, cebolinha, tomate, rúcula, almeirão roxo, beterraba, banana, feijão de corda, capim cidreira, funcho, boldo e mamão são algumas espécies cultivadas na horta. Além dos benefícios alimentares, o professor Rômulo ressalta os ganhos didáticos com o espaço. “Nesta semana teremos várias ações interdisciplinares com os professores de biologia, matemática, artes, dentre outras disciplinas, que repassarão aos alunos muitos conteúdos que podem ser reforçados com a prática do cultivo”.
Agricultura urbana
Ana Paula Ferreira, gerente de Fortalecimento da Agroecologia e Ações Estratégicas da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional, explica que a abertura do período de manifestação de interesse amplia a possibilidade de instituições públicas e entidades sem fins lucrativos incorporarem a agricultura urbana às suas atividades. Segundo ela, as Unidades Produtivas institucionais podem ser implantadas mesmo em espaços reduzidos e assumir diferentes formatos, como hortas, jardins produtivos e áreas de cultivo de plantas medicinais. “Mais do que a quantidade de alimentos produzidos, o que buscamos é estimular espaços vivos de aprendizagem, cuidado e convivência, que contribuam para a educação alimentar e ambiental, a promoção da saúde e o fortalecimento da segurança alimentar e nutricional”.
O Centro de Saúde Santa Terezinha, localizado no bairro de mesmo nome, é um exemplo de sucesso de uma Unidade Produtiva Institucional cultivada em um pequeno espaço. Antes ocioso, um cantinho na área externa foi usado para garantir o cultivo de hortaliças como alface, mostarda, rúcula, salsinha e cebolinha, e plantas medicinais.
Segundo Cecília Garcias Neto, agente comunitária do Centro de Saúde, a horta funciona como uma terapia para os servidores que cuidam do local. “Além de termos alimentos saudáveis e fresquinhos, cuidar do espaço é muito prazeroso. Plantamos até flores aqui”, conta, entusiasmada.
