26 June 2026 -
O BH Itinerante, projeto de extensão de formação de agentes ambientes, encerrou nesta quinta (25) sua 50ª edição. As atividades aconteceram em área rural na região de Itabirito, com ações socioambientais e culturais, diplomação e homenagem a uma das idealizadoras do projeto.
A bordo do ônibus-sala de aula Expresso Ambiental, os participantes chegaram à última etapa do BH Itinerante, tendo como cenário o sítio Mairiporanga, cercado pelas serras do Itabirito e Moeda.
O nome do lugar remete à ideia de experiências, olhar estrangeiro e águas. Foi ali que os novos agentes ambientais conheceram uma área fundamental para o abastecimento hídrico da capital mineira – e igualmente os desafios de preservação e integração com a natureza exuberante.
Após café da manhã coletivo, os presentes fizeram trilha interpretativa, percebendo o microclima da região e observando espécies da mata atlântica como a macaúba, até chegarem a um curso de rio. Também foi realizado um plantio de araucária conduzido pelo servidor da SMMA Wanderson Marinho.
Na sequência os cursistas fizeram apresentação de trabalho de finalização do curso, prevendo atividade de trilha na Serra do Rola Moça. Com a presença do subsecretário de Gestão Ambiental e do Clima, Dimi Chaves, e da diretora de Educação Ambiental, Ana Paula Assunção, os participantes receberam capelos – os famosos chapéus de formandos –, lembranças e um brinde celebrativo pela conquista.
Pela tarde, após almoço feito no fogão à lenha do sítio e servido sob a sombra das árvores, os presentes visitaram o Córrego do Silva, importante curso que deságua no Rio das Velhas, participaram de vivências, de uma oficina de isca de captura de abelhas-sem-ferrão e celebram o encerramento com atividades culturais de dança circular e carimbó.
Homenagem
Na ocasião também foi realizada uma homenagem a Eliana Apgaua. Uma das idealizadoras do BH Itinerante, a servidora aposenta-se ao final deste mês após quase cinco décadas de dedicação ao serviço público. “Que a SMMA siga entendendo a grandeza do BH Itinerante. Obrigado por sua imensa dedicação”, afirmou Dimi Chaves. Para Ana Paula Assunção, que já foi cursista do projeto, Eliana deixa um legado por tudo que construiu. Por sua vez, a homenageada, com humildade, conferiu à parceria com os colegas, sobretudo Aluisio Cardoso e Laiena Teixeira, o alcance e qualidade do projeto. “Não deixem de aproveitar essa oportunidade. Essa experiência transforma as pessoas”, afirmou.
O projeto foi estruturado à época com direção de Marcílio Rezende, apoiador e mentor da iniciativa. A equipe era formada por Aluísio Cardoso, Cláudia Wanessa Alves, Eliana Apgaua, Rosa Veríssimo Machado e Vanusa Figueiredo. “Num histórico evolutivo, foi essa integração que proporcionou todo o sucesso do trabalho”, conta a homenageada.
Iniciado em agosto de 2000, o BH Itinerante é um dos projetos mais longevos da PBH, gerido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente através da Diretoria de Educação Ambiental. Com 12 encontros realizados ao longo do semestre, incluindo vivências em campo e aulas com especialistas e dinâmicas na Sala Verde da SMMA, o encerramento da histórica 50ª edição mostrou os valores que conduzem o projeto – incluindo a experiência em campo e perspectiva humana na preservação e multiplicação do conhecimento.
Novos multiplicadores
Eliane Maria Silveira, maranhense de 74 anos, participou de todo o curso e integrou as trilhas mata adentro, mesmo às vésperas de fazer uma cirurgia no joelho. A enfermeira aposentada encontrou na formação uma maneira de transformar sua preocupação com a degradação dos rios e córregos em ação. Ela pretende atuar como multiplicadora na proteção dos recursos hídricos: "o socorro só vem se todos se envolverem, com educação ambiental e participação das crianças".
Aos 19 anos, o estudante Francisco Junqueira Cardoso foi o formando mais novo desta turma. A experiência superou suas expectativas ao combinar visitas técnicas, contato com especialistas e troca de experiências entre participantes de diferentes gerações. "Passei a observar o ambiente urbano com um olhar mais crítico e analítico", conta. Para ele, o curso proporcionou uma nova forma de enxergar Belo Horizonte e despertou um olhar mais atento às questões socioambientais – conhecimento que pretende levar para sua vida acadêmica e pessoal.
Para Rosângela de Aguiar Santos, professora da educação infantil na rede municipal, o curso surgiu como uma oportunidade para atuação na própria comunidade escolar, onde já integra ações de educação ambiental. Ao concluir a formação, ela pretende compartilhar o conhecimento com a equipe pedagógica, integrar os conteúdos ao planejamento da escola, revitalizar a horta e ampliar as ações voltadas ao contato das crianças com a natureza. "Acreditamos que o investimento na primeira infância é fundamental", afirma.
