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Homem sorri na foto. Ao fundo, tela com texto "Tabagismo e saúde bucal"
Foto: Divulgação/PBH

BH em Pauta: Xô, cigarro

22/06/2017 | 16:26 | atualizado em 26/06/2017 | 16:36

Diabético e insulinodependente há 20 anos, o corretor de imóveis Márcio Melo Franco de Carvalho, 59, está há quatro meses sem fumar, vício que mantinha desde a adolescência. Já a professora Marina Lúcia Nicácio, 66, fumou por mais de quatro décadas, o que não faz desde o ano passado. Ambos são adeptos do Programa de Controle do Tabagismo, tratamento gratuito oferecido à população nas unidades de saúde, pela Prefeitura de Belo Horizonte.
 

 Atualmente, cerca de seis milhões morrem no mundo em decorrência do hábito de fumar. No Brasil, são cerca de 140 mil pessoas. O programa municipal surgiu justamente com o objetivo de reduzir esse número na capital. E a realidade em Belo Horizonte, de fato, já começou a mudar, com queda no número de fumantes. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, o percentual de adultos fumantes (acima de 18 anos) na cidade era de 8,9% em 2015, contra 16,4% em 2008.
 

O tratamento dos fumantes é oferecido em 121 centros de saúde. Há previsão de ampliação para mais unidades. Em 2016 foram realizados 4.534 atendimentos individuais e em grupos. O atendimento aos tabagistas é feito no centro de saúde de referência do usuário ou onde quer que ele tenha sido direcionado. O encaminhamento é feito pela Equipe de Saúde da Família (ESF). O atendimento em grupo é a modalidade preferencial de acompanhamento e atende em torno de 15 fumantes. 
 

Nos casos que demandam a abordagem intensiva, um médico realiza avaliação clínica e encaminha para o acompanhamento através de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) em grupo ou individual. O plano de cuidado indicará ou não a necessidade de medicamentos de apoio – pastilhas de nicotina, adesivos transdérmicos de nicotina e/ou cloridrato de bupropiona (antidepressivo).
 

O corretor Márcio Melo começou a fumar aos 15 anos de idade, chegando a consumir dois maços por dia. No início deste ano, Márcio aguardava no Centro de Saúde Nossa Senhora Aparecida (Centro-Sul) para fazer um pedido de exame, e a médica que o atendeu perguntou se ele gostaria de parar de fumar. Ele aceitou, uma vez que já havia tentado parar sozinho e não conseguiu. Márcio acredita que essa abordagem aos tabagistas deveria ser ensinada nas escolas de medicina e ser enfatizada em todos os consultórios ao final do atendimento, com distribuição de material informativo. 
 

Na primeira reunião, o grupo foi ensinado sobre os malefícios do cigarro, as consequências para a saúde e a dificuldade que as pessoas têm de parar de fumar. Para Márcio, que está sem fumar há 4 meses, o mais importante foi poder trabalhar o psicológico e ter o apoio do grupo. “Sem o grupo, acho que jamais conseguiria. Eles são espetaculares! Quando você tem companhia, vai conversando, aprendendo, ensinando. Eles são e sempre serão meus heróis no combate ao tabagismo.”
 

O tratamento incluiu antidepressivos e adesivos de nicotina e, ao longo das reuniões, Márcio foi aprendendo que o ato de fumar é o hábito de abrir o maço, pegar o cigarro e colocar na boca. “Um cigarro aceso na frente, um idiota atrás”, brinca, ressaltando que à medida que a pessoa vai analisando, o hábito vai ficando para trás: “Foi Deus e a turma que me ajudaram. Pra mim está sendo maravilhoso e eu tenho que agradecer eternamente. Meu intuito é nunca mais colocar um cigarro na boca. A gente sente a diferença. Não tenho mais corpo de 90, e agora a cabeça é de 30.”
 

 A professora Marina Lúcia Nicácio fumou por mais de 40 anos. “Naquela época era moda, era bonito segurar o cigarro só pra mostrar que fumava”. Mas a brincadeira virou um vício que perdurou até o ano passado, quando viu um cartaz no Centro de Saúde Oswaldo Cruz (Centro-Sul), perguntou como funcionava, deixou o nome e esperou ser chamada. “Mesmo com os remédios e o adesivo, é difícil assimilar que a partir daquele momento, você não vai mais fumar. Mas me dediquei, comecei a frequentar o grupo semanalmente, e a fazer uso dos medicamentos, e percebi uma melhora de quase 100% na minha sinusite.”
 

Marina também acredita que a parte mais difícil é o hábito, a vontade de recorrer ao cigarro em determinados momentos. “As reuniões semanais são fundamentais para que a pessoa consiga se fortalecer, encontrar e falar a respeito das dificuldades e recaídas.” Ela crê que o mais importante para que as pessoas tomem consciência dos males do cigarro, é a divulgação. Há um ano sem fumar, hoje ela não se incomoda mais com o cheiro do cigarro e incentiva a irmã a seguir o mesmo caminho.