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Quatro garis da SLU, com uniformes laranjas, atrás do caminhão de lixo.
Foto: Ana Clara Nunes/PBH

BH em Pauta: Vida de Gari

11/08/2017 | 16:50 | atualizado em 17/08/2017 | 08:08

Em meio à rotina agitada pelas ruas e avenidas de Belo Horizonte, a vida de gari é também receber o carinho de quem reconhece e valoriza o esforço diário pela manutenção da limpeza da cidade. Juntos, os quase 600 garis da coleta domiciliar da capital aprenderam o significado de trabalhar em equipe, a lidar educadamente com as pessoas e a dar muito valor ao dinheiro que recebem. Entre os colegas, eles disputam amigavelmente quem é o mais forte e veloz durante o recolhimento de resíduos.
 

Vinicius Tadeu tem 24 anos e é pai de um menino. Há quatro anos, trabalha como gari em Belo Horizonte. Ele demonstra enorme consideração e respeito pelo serviço que executa, já que foi assim que conseguiu se estabelecer financeiramente. “Passei por momentos difíceis e minha profissão me deu a oportunidade de melhorar de vida, ganhando meu sustento de forma honesta e digna”, afirma. Nas horas vagas, ele ainda trabalha como motorista particular.
 

Diego Charles, 29, tem três filhas e está há sete anos na coleta. Ele conta que, mesmo tendo vivido longe da mãe e perdido o pai quando ainda era muito jovem, a profissão de coletor de resíduos o ajudou a construir o futuro sem se envolver com o crime ou qualquer outra atividade ilícita. “Fui criado por minha avó materna e, graças a meu trabalho na SLU, com coragem e esforço, adquiri alguns bens que hoje me são importantes”, orgulha-se.
 

A dona de casa Sandra Amaral, moradora do bairro Floramar, na região Norte da capital, faz questão de esperar a equipe na porta de casa com um vidro de água fresquinha, um suco ou até biscoitos. “O que faço não é muito, é apenas um pequeno agradecimento, um gesto de carinho para esses trabalhadores que são como meus próprios vizinhos”, declara. “Afinal, durante três vezes por semana, eles estão à minha porta, prestando-me um serviço que muitos só dão valor se, por algum motivo, ele for suspenso”, observa ela.
 

Nada mais justo o apelido delicado de “Madrinhas”, que é como são chamadas, pelos garis, essas mulheres que, como a dona Sandra, oferecem além de um refresco e outras delícias, uma grande porção de afeto.

 

Desafios

Apesar de toda a popularidade conquistada pelos profissionais da limpeza urbana, Anísio Moreira, 29, há dois anos na coleta domiciliar, casado e pai de um filho, desabafa: “Percebo que algumas pessoas muitas vezes preferem não se sentar ao nosso lado no ônibus ou no metrô, por causa da nossa roupa; por isso, saio do serviço e já tiro logo o uniforme”, conta. “Mas, não me importo, pois tudo que conquistei, devo ao meu trabalho honesto como coletor.”
 

Jonatas Chagas, 33, casado, três filhos, completou nove anos de coleta. Ele não se vê como alvo de preconceito das pessoas, embora, ao ser chamado de “cheiroso”, devolva o apelido com humor e de maneira desarmada. Ele aprecia a liberdade que a atividade lhe oferece. “É muito bom trabalhar na rua sem um chefe o tempo todo com a gente”, brinca. Jonatas conta que já se feriu com cacos de vidro descartados de forma incorreta no lixo domiciliar e que, agora, redobra os cuidados para evitar contratempos.
 

Na chuva, a tarefa se torna um pouco mais desafiadora, por isso, a capa plástica é um acessório útil em dias assim. O lixo molhado fica mais pesado, exigindo um esforço a mais para ser arremessado no caminhão.
 

Um alerta feito pela equipe entrevistada, que atua na região Leste da capital, diz respeito às garrafas com urina que são jogadas no meio do lixo, não se sabe se por descuido ou de propósito. Ao serem prensadas no mecanismo de compactação do caminhão, elas estouram, sujando os trabalhadores.
 

Mas a alegria e a criatividade, marcas registradas dos garis, conseguem superar os momentos menos agradáveis. Para se ter uma ideia, essa turma desenvolveu uma forma bem peculiar de comunicação entre os coletores e o motorista. Para que as ações de subir e descer do caminhão se tornem ainda mais seguras e eficientes, eles imitam o som de um importante aplicativo de celular. Se um saco de lixo está pesado e algum colega necessita de uma forcinha extra, logo se ouve um “Chega comigo”. E é assim, com companheirismo e disposição, que esses profissionais seguem pela cidade, cumprindo bem a missão de manter tudo limpo.
 

 

11/08/2017. Profissão Gari-Rorina de um gari. Fotos: Divulgação/SLU

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