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Sete mulheres e um homem em visita à casa de mosaicos de Maria Aparecida, moradora do Morro das Pedras.
Foto: Divulgação/PBH

BH em Pauta: Referência em educação ambiental no Vila Viva

27/10/2017 | 14:17 | atualizado em 27/10/2017 | 17:09

Maria Aparecida Cassemiro é moradora do Aglomerado Morro das Pedras desde a década de 1970. Localizada na Vila São Jorge, região Oeste de Belo Horizonte, a casa dela ficou famosa ao ser retratada no documentário ‘Aterro’, sobre o antigo Lixão do Aglomerado. Quem passa e vê do lado de fora nem imagina o que ela e seu marido fizeram no interior da casa, utilizando materiais que foram descartados por outras famílias.

A história da casa começa em 1976, quando ela se mudou para lá. Em 1981, parte da moradia ficou suspensa com o deslizamento de uma encosta no período chuvoso. Naquele tempo ainda não existia uma política consistente como a que é executada atualmente nas áreas de risco pela Prefeitura de Horizonte (PBH), por meio da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel). À época, Maria Aparecida não queria sair do local. O casal resolveu colocar uma lona e, como não tinha dinheiro, foi recolhendo materiais para reconstruir a casa.
 
Mas o Lixão da vila, onde Maria Aparecida havia catado materiais e comida por muitos anos, já estava extinto, e ela começou a juntar pelas ruas da cidade o material necessário para a casa: pedras, entulhos, concreto, areia, armários velhos, azulejos e tudo mais que pudesse ser reutilizado. Foram alguns anos de trabalho, mas ela e o marido colocaram as mãos na massa e fizeram um trabalho que ficou pra história: a casa de mosaicos.

“Foi uma luta, mas tenho orgulho em dizer que eu que fiz os pilares desta casa. Nas paredes, meu marido fazia massa e eu ia colando os azulejos. Subi até em andaime pra fazer o lado de fora. Tudo que tem na minha casa veio do lixo: o tanque que eu remendei com azulejos, a cama de garrafas pet, o baú feito de portas de armário, o sistema de aquecimento e mais um tanto de coisas. Para uns é lixo, para outros é luxo”, compara Maria.

Além de levar objetos pra reutilizar em casa, a moradora da Vila São Jorge também faz parte do Grupo de Referência do Programa Vila Viva, coordenado pela Urbel no Aglomerado Morro das Pedras. Os integrantes do grupo têm a função de acompanhar as intervenções de urbanização realizadas no local e fazer uma ponte permanente entre a comunidade e a PBH, que realiza várias atividades para capacitá-los, inclusive na área de educação ambiental.

Nesse contexto, a equipe social da Urbel exibiu para os membros do grupo o filme ‘Aterro’, que conta a história do antigo Lixão do Morro das Pedras, agora em revitalização pelo Vila Viva e que se tornará um complexo esportivo e espaço de convivência para a comunidade. 


Visitas e plantio

Ao ver a casa de mosaicos da Maria Aparecida passando na tela, todos quiseram conhecer o local. Andreia Cristina dos Santos, integrante do grupo e moradora da Vila Santa Sofia, achou a experiência fantástica: “A casa é maravilhosa e as ideias que ela nos deu para reaproveitar as coisas que jogamos fora são muito boas. Ela não deve ter gastado quase nada aqui e ia ficar muito caro fazer tudo isso.”

Segundo a técnica social Ana Paula Rodrigues, que realizou a atividade, é importante mudar o olhar das pessoas para os objetos, aprender a dar novo uso a eles e também valorizar o que existe na vila. “Muitas vezes vamos para fora para mostrar a eles práticas ambientais, enquanto temos aqui dentro muita coisa boa”, explica.  

Este ano, os integrantes do grupo visitaram o Complexo Esportivo do Baleião, o Parque Jaques Cousteau e realizaram plantio de árvore no Complexo Esportivo do Morro das Pedras, entre outras atividades.  



 

27/10/2017. Referência do Vila Viva - Casa de mosaico Morro das Pedra. Fotos: Divulgação/PBH