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Canteiros de horta com cebolinha, alface e couve
Foto: Álvaro Pio/PBH

BH em Pauta: Quintal comunitário beneficia belo-horizontinos

06/07/2017 | 17:18 | atualizado em 06/07/2017 | 17:33

Atualmente, o orgulho de José Adão Chaves da Silva, de 51 anos, é compartilhar hortaliças frescas e “sem veneno” com os vizinhos. Natural do município de Coração de Jesus, no Norte de Minas, ele sempre esteve habituado à lida com a terra. Há quatro anos, desde que se mudou para a ocupação Vitória, na região de Isidora, Norte de Belo Horizonte, José Adão passou a cultivar uma modesta horta, aproveitando o espaço disponível.
 

“Eu cultivava com agrotóxico, mas o pessoal da Prefeitura me incentivou a plantar sem”, conta. Quando soube da possibilidade de ampliar a iniciativa, por meio do projeto Territórios Sustentáveis, ele aceitou doar o espaço do quintal de casa para a criação de uma horta coletiva, de forma a beneficiar mais pessoas a partir de alimentos saudáveis. “Eu pensei: eles vão incentivar a gente mais ainda, né?! Então, vamos trabalhar juntos!”
 

Em uma ação de mutirão, 30 voluntários prepararam dez canteiros para o plantio de alface, almeirão, salsinha, cebolinha e couve chinesa no quintal coletivo, disponibilizado por Adão. Mil mudas foram plantadas e, em três meses, a comunidade contará com todas essas hortaliças disponíveis para consumo. Cerca de mil pessoas serão beneficiadas.
 

De acordo com o gerente de apoio à produção e comercialização de alimentos da Secretaria Municipal Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional (SMASAN), Álvaro Pio Júnior, a iniciativa tem como objetivo materializar a segurança alimentar na comunidade. “Quando a gente potencializa o quintal, por meio da doação de mudas, propicia um momento de plantio coletivo e estimula o acesso à alimentação saudável e de qualidade. Coletivizamos algo que é individual. No caso da horta do senhor Adão, o nosso trabalho foi o de potencializar uma ação que já ocorria”, destaca Pio Júnior.
 

O Territórios Sustentáveis tem diferentes eixos de fomento ao plantio e estímulo à produção de alimentos, que vão desde a agricultura urbana até as hortas escolares e comunitárias, as oficinas de plantio em espaços alternativos, a Feira da Agricultura Urbana, dentre outros. O projeto oferece um pacote de serviços que inclui formação, educação alimentar, formas de produzir alimentos, identificação de áreas com potencial para instalação de hortas e pomares comunitários, priorizando espaços localizados em áreas de maior vulnerabilidade social.
 

Nesse sentido, o quintal de José Adão passou a ser um bom exemplo de agricultura urbana, tema que vem ganhando expressão nos últimos 30 anos, especialmente em regiões periféricas, apresentando-se como uma alternativa de sobrevivência à população de baixa renda, a fim de complementar a alimentação e a arrecadação. Conforme explica Pio Júnior, as discussões e ações de fomento surgem com a mudança de pensamento socioambiental. “Trata-se de um movimento capaz de alterar a dinâmica ecológica das cidades e de incluir socialmente populações marginalizadas, contribuindo para ganhos de renda, segurança alimentar, saúde, qualidade de vida, qualidade ambiental e gestão de resíduos”, pontua ele.