Pular para o conteúdo principal

Usuárias do Núcleo de Apoio à Saúde da Família do Barreiro participam de oficina de canto, que reduz o uso de antidepressivos.
Foto: Kátia Gaspar/PBH

BH em Pauta: Grupos fazem oficinas terapêuticas no Barreiro

11/07/2017 | 15:27 | atualizado em 11/07/2017 | 15:30

Com oficinas de canto e dança, integrantes do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), do Barreiro, utilizam a música como instrumento terapêutico e promovem a saúde de centenas de pessoas. “A proposta é focada na prevenção e melhoria de muitas doenças, inclusive mentais. São levados em conta os aspectos sociais, corporais e biológicos de cada pessoa. É um grande reforço para a saúde pública”, ressalta Grazielle Souza, referência técnica do Nasf no Barreiro.
 


Os benefícios são comprovados a cada nova avaliação feita pelos profissionais que acompanham os grupos, tais como redução da insônia, do uso de antidepressivos, adequação dos níveis de glicemia, além de melhora nas habilidades de leitura, desinibição e potencialização das habilidades musicais, com reflexos no humor e na socialização. “Percebemos uma melhora física e emocional muito grande dos participantes. Muitos que chegaram cabisbaixos e com quadros depressivos hoje estão mais alegres e com autonomia”, constata o fonoaudiólogo Matheus Klein.
 


Nas atividades da oficina de canto, o Grupo Em Canto pratica exercícios de aquecimento e aperfeiçoamento da voz cantada, além de atividades de ritmo e de percepção musical que estimulam não só a musicalidade, mas também aspectos cognitivos e de memória. Além dos aspectos técnicos de canto, os participantes recebem orientações de saúde vocal, alongamento e relaxamento.
 


Criado em 2011, o Grupo Em Canto já conquistou o reconhecimento de várias instâncias. O trabalho foi premiado pelo Ministério da Saúde, tendo conquistado o 3º lugar na IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família, em 2014. Pela Secretaria de Estado da Saúde, o grupo recebeu o Prêmio Mineiro de Práticas Exitosas na Atenção Primária à Saúde. A Vallourec, siderúrgica, que atua há mais de 60 anos na região, também reconheceu os benefícios desse trabalho para a comunidade local.
 


Cerca de 70 alunos participam das oficinas coordenadas por três fonoaudiólogos – Camila Rocha, Alessandra Mara e Matheus Klein, além da terapeuta ocupacional Bruna Mascarenhas. Elas são oferecidas a três subgrupos que realizam ensaios semanais nos bairros Lindeia, Milionários e Flávio Marques Lisboa. Dedicados, eles fazem do trabalho terapêutico uma expressão artística. Em seis anos de atividades, o grupo já realizou mais de 200 apresentações. No repertório, músicas populares, muitas indicadas pelos participantes.


Equilíbrio do corpo e das emoções

Além do canto, outra atividade utilizada pelos profissionais do Nasf Barreiro para a promoção da saúde é a dança sênior, que há seis anos tem gerado bons resultados como forma de estimulação de funções mentais, sobretudo para o público idoso. Realizada de pé ou sentada e através de passos curtos e leves, ela estimula a mobilidade das articulações, proporcionando uma melhor coordenação motora e maior domínio do corpo. Pode ser praticada por pessoas de qualquer idade, com ou sem comprometimento físico e mental.
 


A atividade melhora a flexibilidade, o equilíbrio, a consciência corporal e espacial e atua inclusive na prevenção de quedas. A respiração e a circulação sanguíneas intensificadas favorecem a oxigenação do corpo e previnem problemas cardiovasculares. A dança também desenvolve a sensibilidade, melhora a autoestima, o humor, a disposição e permite a manutenção da capacidade mental.
 


O ritmo da música embala o corpo e a harmonia no relacionamento com outros participantes do grupo. Cada grupo, a seu modo, encontra o desenvolvimento da autoestima e da qualidade de vida na socialização e na musicalidade. A dança e o canto estimulam a atenção e a concentração, e, com a necessidade constante de observação para o aprendizado das músicas e coreografias, desenvolvem a habilidade de focar a atenção nos detalhes dos movimentos. De acordo com o ritmo, há estimulação da atenção, memória, lateralidade, consciência corporal e melhora do equilíbrio do corpo e das emoções.
 


Durvalina Antônia de Carvalho, de 70 anos, mora no bairro Bonsucesso e participa do coral e da dança sênior no Complexo Esportivo Milionários. Ela é uma das alunas mais antigas. Participa de eventos e solenidades e conta que a música transforma as pessoas, tanto aquelas que cantam quanto aquelas que a ouvem. “Cantar e dançar são minhas paixões. Fico triste o dia que preciso faltar, gosto de ver a alegria no rosto das pessoas”, afirma Durvalina. E acrescenta: “Estas atividades fazem a cabeça da gente funcionar melhor, é como se fossem uma aeróbica da cabeça.”
 


A adesão tem sido cada vez maior aos grupos. Um exemplo são os encontros das turmas. “Em 2016, realizamos o terceiro encontro consecutivo de dança sênior e reunimos mais de 180 pessoas no bairro Milionários. Este ano faremos o quarto encontro com mais pessoas”, conta a psicóloga Vânia Dolher.


Onde praticar

A oficina de canto do Coral Em Canto é realizada às quartas-feiras em três endereços. Às 8h, no Centro Cultural Lindeia/Regina (Rua Aristolino Basílio de Oliveira, 445, Regina); às 9h45 no Centro Esportivo Milionários (Rua David Fonseca, 1.386) e às 15h no salão da Igreja Cristo Redentor (Avenida Menelick de Carvalho, 189, Flávio Marques Lisboa).
 


Os grupos de Dança Sênior se reúnem em nove locais do Barreiro: nos Centros Culturais Lindeia/Regina (Rua Aristolino Basílio de Oliveira, 445), Bairro das indústrias (Rua dos Industriários, 289) e Urucuia (Rua W3, 500) e nos Salões das Igrejas São Dimas (Avenida Djalma Vieira Castro, 1315, Vale do Jatobá), São Vicente de Paulo (Rua Glória nas Alturas, 283, Santa Cecília), Igreja Cristo Redentor (Avenida Menelick de Carvalho, 180, Flavio Marques Lisboa), Igreja Santa Luzia (Rua Souza Magalhães, 650, Barreiro), no Centro de Saúde Tirol (Avenida Nélio Cerqueira, 15) e no Espaço BH Cidadania/CRAS Petrópolis (Rua 285, 137).
 

 

11/07/2017. Show na Saúde. Fotos: Clindeia Regina/PBH