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Cerca de catorze idosos em círculo seguram barbantes que formam uma rede, conectando todos as todos.
Foto: Divulgação PBH

BH em Pauta: Fórum da Terceira Idade

19/09/2017 | 16:05 | atualizado em 20/09/2017 | 20:22

Neide Auxiliadora, de 79 anos, moradora do bairro Alto Vera Cruz, participa do Grupo Cultural Meninas de Sinhá há 18 anos. A convite da amiga Valdete Cordeiro​, coordenadora do grupo, e seguindo o exemplo de sua irmã que já fazia parte dele, um dia ela decidiu que não queria mais se sentir sozinha e também se integrou à turma. Hoje, além de participar das oficinas, eventos culturais e palestras motivacionais e educativas promovidas pelo Meninas de Sinhá, Neide está aprendendo a tocar percussão.

Para ela, a troca de experiência e o convívio com outras pessoas são as principais motivações para a participação em grupos de terceira idade. “Muitas pessoas têm problemas ou doenças em casa e trazendo para o grupo fica mais fácil de levar. Gosto de participar porque me distraio, sinto uma melhora na minha saúde, na minha memória, e me sinto muito bem”, afirma.

Como Neide, outras idosas e também idosos que frequentam grupos de Convivência, Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Saúde da região Leste participam toda primeira segunda-feira de cada mês, das 14h às 17h, do Fórum da Terceira Idade realizado no auditório da Coordenadoria de Atendimento Regional Leste, na Rua Lauro Jaques, 20, no bairro Floresta.

Colocado em prática de forma pioneira em 1992 pela Regional Leste, a partir da criação do Conselho Municipal do Idoso (CMI) pela lei 6.173, o encontro tem como objetivo o compartilhamento de conhecimentos, o lazer e a disseminação de informações sobre as políticas desenvolvidas a favor da pessoa idosa.

De acordo com a psicóloga e coordenadora do Fórum da Terceira Idade Leste, Vilma Emereciana de Souza, também representante da Regional no Conselho Municipal do Idoso, essa iniciativa surgiu com a mobilização das igrejas e outras instituições localizadas na região. A partir daí foram criados grupos de idosos que se reuniam para conversar sobre as vivências e direitos e mostrar um pouco dos talentos, como fazer crochê, artesanato, pintura, canto e dança. À época também foi iniciada uma interlocução com os lares de idosos.

Em 1998, a ideia foi levada para as outras regiões de Belo Horizonte e o Fórum se espalhou pela cidade. “Iniciamos esse projeto porque acreditamos que o idoso tem muito a ensinar com o acúmulo de conhecimento, e, principalmente, porque queremos mostrar que eles não podem deixar de exercer a cidadania. Quando se fala em idoso, a Regional Leste é uma importante vitrine”, afirma Vilma.

Em 1999, foi criada a Coordenadoria de Direitos de Pessoa Idosa (CDPI), com a competência de coordenar a implantação da Política Municipal do Idoso, instituída pela Lei Municipal 7.930 de 1999. Responsável por propor e implementar programas, serviços e ações que visem a promoção e defesa dos direitos dos idosos, a Coordenadoria busca a eliminação da discriminação e a inserção deles na vida econômica, política, cultural e social do município, além da articulação de parcerias.


Estatuto do Idoso


Atualmente, cerca de 30 grupos existentes nos bairros da região Leste participam das atividades do Fórum da Terceira Idade. No encontro de setembro foram apresentadas informações sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC) pelo psicólogo e analista de políticas públicas da gerência de Assistência Social Átila Rafael Calzavala. Segundo ele, o benefício, previsto na Lei Orgânica de Assistência Social, deve ser conhecido e utilizado por todos que têm direito.

Márcia Amado, da Diretoria Regional de Assistência Social, uma das articuladoras do Fórum da Terceira Idade, também participou da reunião de setembro destacando a importância do Estatuto do Idoso como base para o desenvolvimento desse trabalho.

Segundo a psicóloga Vilma, os encontros do Fórum abordam diferentes temas e serviços relacionados ao bem-estar das pessoas idosas, que são escolhidos pelos próprios participantes. “No Fórum do mês de outubro vamos convidar a coordenadora da Coordenadoria do Idoso, Geisa Moreira, para falar sobre direitos estabelecidos pelo Estatuto do Idoso.”

Em Belo Horizonte, a população idosa também conta com o Disque Idoso, por meio do telefone 156, com atendimento e orientação telefônica sobre temas de interesse, e com o Centro de Referência da Pessoa Idosa (Av. Pedro II, 3.250, Caiçara).
 

 

19/09/2017. Fórum Terceira Idade. Fotos: Divulgação/PBH