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BH em Pauta: Ensino no ritmo certo

14/06/2017 | 15:53 | atualizado em 04/07/2017 | 14:37

Português, Matemática, Geografia e História são disciplinas que já fazem parte do currículo escolar de toda a rede municipal de educação. Mas, para mais de 1.800 desses alunos, o ensino tem ido além. Essas crianças e adolescentes estão fazendo aula de música, instrumentos e canto, por meio do Projeto Música na Escola. 
 

O programa existe desde o ano de 2013 e é uma parceria da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria de Educação, com escolas de música da capital. Os estudantes participam gratuitamente, duas vezes por semana, de aulas de vários instrumentos musicais e canto e estudam teoria e prática de música.
 

A Escola Municipal Augusta Medeiros, no bairro São Salvador, virou referência de participação e aprendizado entre os alunos. É uma das escolas com o maior número de crianças aprendendo instrumentos e já conta até com projetos de formação de bandas e coral por parte dos estudantes.
 

Caíque Eduardo tem 9 anos, cursa o 4º ano do ensino fundamental e está aprendendo flauta doce há mais de um ano. “Eu sinto muita emoção quando estou tocando. Aprender este instrumento me trouxe muita felicidade. As músicas que mais gosto de tocar são Aquarela, Baião Barroco e Bem-te-vi. Na escola, minhas notas melhoraram depois que comecei a tocar” comemora Caíque.
 

“A música me acalma muito. A melhor parte de aprender é que eu posso ensinar para os meus colegas que estão começando a tocar um instrumento. Eu me sinto mais concentrada na hora da aula da escola”, conta Lavínia Lima Azevedo, 9, que toca flauta há quase dois anos.
 

A diretora da Escola Municipal Augusta Medeiros, Léa Maria, relembra como foi o princípio do projeto por lá: “Fomos de sala em sala perguntando aos alunos quem gostaria de participar das aulas de música e observando quem mais levava a sério e daria continuidade. Nos surpreendemos com a grande adesão desses alunos e com a colaboração dos pais. Os estudantes que aprendem música, além de serem assíduos e responsáveis, tornaram-se referência para os demais alunos da escola em termos de disciplina e respeito uns aos outros. Inclusive, um aluno específico, que tinha muita dificuldade de aprendizado e comportamento, hoje observamos que se tornou uma criança mais sociável e com a autoestima mais elevada”, destacou.

 



Escola Integrada



O Projeto Música na Escola faz parte do programa Escola Integrada, que proporciona a crianças e adolescentes da rede municipal de educação nove horas diárias de atividades e oferece três refeições por dia aos estudantes.



Para Sidnei dos Santos, professor e coordenador do programa Escola Integrada da Escola Municipal Augusta Medeiros, o projeto é uma importante ferramenta pedagógica. “A parceria com a escola de música tem trazido amplas possibilidades de aprimoramento no processo de ensino e aprendizagem e a ampliação do horizonte cultural e musical das crianças. É interessante notar que elas encontram na música mais do que um hobby e já sonham com uma possível carreira musical. Eles são proativos e trazem novidades e pedem aos seus pais que comprem instrumentos musicais, e, a partir disso, tivemos a ideia de criar uma banda que já está em processo de formação, e um coral que já faz ensaios semanais, para participarmos de todos os eventos relacionados à música”, completou Sidnei.



O professor ainda salienta que é notório o fato de como os alunos se desenvolveram do ponto de vista da disciplina escolar e na aprendizagem, e que, em áreas de vulnerabilidade social, o programa contempla o contato com a música de qualidade que essas crianças não teriam fora do projeto.

 

A Quatro Por Quatro Núcleo Musical é uma das escolas parceiras neste projeto e oferece aulas de violão, canto coral, teclado, violino, bateria e flauta doce. 
 

Para Taciana Oliveira, diretora no Núcleo, os alunos têm uma melhora significativa nos estudos, no autoconhecimento, no respeito uns pelos outros, no trabalho em grupo, na socialização e no acesso de conhecer outra linguagem, a musical. “O programa vai muito além de ensinar apenas um instrumento, as crianças aprendem a ouvir e a se integrarem umas com as outras em prol de um objetivo em comum. Isso é muito importante para a formação desses estudantes,” afirmou.
 


Modalidades oferecidas


Qualquer aluno do 1º ao 9º ano das escolas municipais da capital pode participar do programa. A inscrição é feita na secretaria escolar, que indica a escola de música mais próxima de casa e o instrumento que a criança tem mais interesse e aptidão. 


Atualmente, o projeto atende a 1.840 alunos de várias regiões de Belo Horizonte, nas seguintes escolas de música credenciadas:

    - Associação Oásis de Assistência Social (Rua dos Salesianos, 528, São Bernardo): violão, guitarra/baixo, piano/saxofone, bateria e flauta doce.

    - Melody Maker (Rua Professor Pimenta da Veiga, 928, Cidade Nova): bateria, teclado, piano, violino, violoncelo e guitarra/contrabaixo.

    - Associação Mineira de Técnicos em Espetáculos Musicais (Rua Barão de Macaúbas, 11, Santo Antônio): canto e teatro musical.

    - Quatro Por Quatro Núcleo Musical (Rua Pará de Minas, 482, sala 3, Padre Eustáquio): violão, canto coral, teclado, violino, bateria e flauta doce.

    - Associação de Amigos do Centro Social Frei José Renato (Rua Delso Renault, 52, Aarão Reis): violão e flauta doce.

    - Sociedade Cruz da Malta (Rua Cachoeira de Minas, 434, Morro das Pedras): violão, violino, teclado e flauta doce.

    - Sociedade Artística Mirim de BH (Rua Luiz de Mello Mattos, 175, Planalto): formação de orquestra.

    - Bangalô Produções Ltda. (Rua Joanésia, 132, Serra): violão.