Pular para o conteúdo principal

BH em Pauta: Coleta e sustentabilidade

28/09/2017 | 19:39 | atualizado em 09/11/2017 | 17:19
Restos de alimentos como frutas, verduras e legumes também podem ser reciclados e reutilizados de forma útil e eficiente. Em Belo Horizonte, cerca de 40 estabelecimentos, entre sacolões e restaurantes públicos e privados, segregam esses resíduos e os disponibilizam à Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).

O programa de compostagem da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) prioriza a coleta diferenciada de orgânicos nas grandes fontes geradoras, explica Ronaldo Marcucci Barbosa da Silveira, biólogo que atua na Central de Tratamento de Resíduos Sólidos da SLU, na BR-040, no bairro Jardim Filadélfia. “Eles são misturados com poda triturada e revirados por trator em pátio aberto, onde ficam por aproximadamente quatro meses”, detalha o especialista. “Nesse tempo, o material é transformado em composto orgânico, por meio da decomposição por microrganismos presentes na própria massa do resíduo.” O produto gerado no processo, uma espécie de adubo semelhante ao húmus, é usado, por exemplo, nas praças e parques da cidade.

A média anual, de produção de composto orgânico é de 1,2 mil toneladas. “Existe uma coleta regular diária nos sacolões das regiões Centro-Sul, Noroeste, Norte e Oeste, a partir de uma rota preestabelecida”, conta Marcucci. Segundo ele, ao chegar aos Centros de Tratamento da SLU, os resíduos passam por uma triagem, momento em que são retirados materiais como plástico, madeira, papelão e outros rejeitos.

As pilhas de resíduos, tecnicamente denominadas leiras, são molhadas periodicamente. Durante o processo de decomposição, o material é revirado semanalmente para se desagregar, evitando a compactação excessiva; oxigenar-se e manter a temperatura ideal. Nas duas primeiras semanas, temperaturas altas, entre 60°C e 70°C, resultantes da intensa atividade microbiana sobre o material, eliminam as bactérias patogênicas. Espera-se que, após 30 dias, a temperatura comece a baixar, até alcançar a temperatura ambiente. Amostras são recolhidas em todas as fases para análises físicas, físico-químicas, químicas e microbiológicas. O acompanhamento ocorre nos períodos de sete, 30, 60, 90 e 120 dias.

Depois desses quatro meses de monitoramento, o composto está pronto para ser utilizado no plantio de gramas, folhagens ornamentais e árvores de médio e grande porte. “Ao produzirmos diariamente essa mistura com os resíduos orgânicos coletados e juntarmos à poda triturada, temos, pelo menos, uma leira por semana. Ao final do ano, são mais de 50”, destaca.

O biólogo chama a atenção para o modelo de compostagem simplificada que está sendo desenvolvido pelo Departamento de Políticas Sociais e Mobilização da SLU nas escolas da Regional Norte. Em espaços reduzidos, como apartamentos e escritórios, é possível produzir composto orgânico em pequena escala, sem sujeira e cheiro desagradável.
 

28/09/17. Compostagem-SLU.Fotos: Divulgação/SLU