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Animais silvestres de vida livre também chamam a atenção de quem visita o Zoológico e o Jardim Botânico
Foto: Suziane Brugnara

Animais silvestres de vida livre também chamam a atenção de quem visita o Zoológico e o Jardim Botânico

criado em - atualizado em

Além dos cerca de 3,5 mil animais de 198 espécies sob cuidados do Zoológico de Belo Horizonte, muitos bichos de vida livre usam as áreas verdes do Zoo e do Jardim Botânico como corredor ecológico ou mesmo como moradia. Só de aves, já foram registradas 150 espécies no espaço gerenciado pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB).

Para se ter uma ideia da riqueza da fauna silvestre nesses espaços de lazer de BH, a lista inclui tucanos, jacus, saracuras, periquitos, garças, papagaio-verdadeiro, gaviões, falcões, canários, sabiás, rolinhas, urubus, carrapateiros, bem-te-vis e colhereiros, entre outros. As áreas verdes da FPMZB são importantes refúgios dessas aves e têm papel fundamental na conservação das espécies.

Com a perda de habitat, o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) é a espécie mais traficada no Brasil e está na categoria "quase ameaçada" (NT) da lista brasileira do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e mundial da União Internacional para a Conservação da Natureza (em inglês, International Union for Conservation of Nature, IUCN).

Em Minas Gerais, a última lista do Instituto Estadual de Florestas (IEF), de 2010, aponta duas espécies na categoria de ameaça: o gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus) e o colhereiro (Platalea ajaja).

“É um número bem expressivo (de animais de vida livre) para uma mata dentro de área urbana. Isto reitera a importância ecológica e da manutenção destas áreas verdes para as espécies de aves e também para outros animais”, ressalta o biólogo da FMPZB e observador de aves da Ecoavis, Juan Espanha.

O especialista explica porque o Zoológico e a Zoobotânica funcionam como corredor ecológico. “Dentro da matriz urbana, essas áreas verdes se conectam com o Parque Ecológico da Pampulha e com a própria Lagoa da Pampulha, via Córrego Bom Jesus, e formam um mosaico de áreas verdes na região da Pampulha, sendo, portanto, importante refúgio da vida silvestre tanto para alimentação quanto para abrigo e reprodução”.

Ninhal comunitário

Um dos destaques para os admiradores de aves é o ninhal que se formou próximo à entrada da Portaria 1 da Zoobotânica. Segundo Juan, ele chama atenção pela quantidade de aves que abriga. No período reprodutivo, quatro espécies são frequentemente observadas: garça-branca-grande (Ardea alba), garça-branca-pequena (Egretta thula), garça-vaqueira (Bulbucus ibis) e socó-dorminhoco (Nycticorax nycticorax).

No ninhal também já foram vistas algumas espécies de aves de rapina, com destaque para as duas mais incomuns na região: falcão-de-coleira (Falco femoralis) e gavião-preto (Urubitinga urubitinga).

Juan Espanha ressalta que o trabalho de observação de aves foi feito pela Ecoavis durante doze meses consecutivos. “É importante que a amostragem seja realizada durante um ano inteiro, para que possamos observar as aves em todas as estações (sazonalidade) e também para conseguirmos observar as migratórias”.

O principal objetivo do trabalho é possibilitar a primeira catalogação oficial das espécies de aves de vida livre, para que a listagem seja divulgada e possa subsidiar outras pesquisas.

Outros animais

Assim como as aves, os mamíferos, répteis e anfíbios também buscam abrigo e condições climáticas adequadas para se alimentar e se reproduzir, e muitas vezes são avistados em vida livre por quem frequenta o Zoo e Jardim Botânico. No grupo dos mamíferos, as espécies mais avistadas são esquilo ou caxinguelê (Sciurus Guerlinguetus brasiliensis ingrami), mico-estrela-de-tufos-pretos (Callithrix penicillata), saruê ou gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) e preguiça comum (Bradypus variegatus).

Em relação aos répteis, os destaques são os teiús (Salvator merianae), o lagartinho-da-mata (Ecpleopus gaudichaudii) e as anfisbenas ou cobra-de-duas-cabeças (Amphisbaena alba e Leposternon cf. microcephalum).

Além disso, esporadicamente, em locais e horários específicos, já foi possível observar até o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris). Ainda no grupo dos anfíbios, destacam-se os abundantes sapos-cururu (Rhinella diptycha) e, na época das chuvas, a cecília ou cobra-cega (Siphonops annulatus).

Orientações para os visitantes

Conhecer a rica fauna da Zoobotânica é muito relevante para futuros estudos, visando a conservação das espécies. Como são áreas que recebem muitos visitantes, o médico-veterinário Carlyle Mendes Coelho, gerente de Veterinária do Jardim Zoológico, orienta as pessoas que ao avistarem um animal silvestre de vida livre, deve-se observá‑lo à distância, sem tentar se aproximar, tocar, capturar ou oferecer qualquer tipo de alimento, mantendo a calma e evitando barulhos ou movimentos bruscos.

“Em situações de suspeita de doença, agressividade anormal ou risco direto à população, a conduta correta é não intervir por conta própria e acionar imediatamente os responsáveis pela área, que vão comunicar os órgãos ambientais e/ou de Saúde do município. Alimentar animais silvestres traz riscos sanitários e comportamentais importantes, como transmissão de zoonoses, acidentes por mordeduras e mudanças prejudiciais no comportamento natural da fauna”, alerta Calyle.