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 Filhote de tamanduá-mirim nasce no Zoo de BH
Suziane Brugnara

Filhote de tamanduá-mirim nasce no Zoo de BH

criado em - atualizado em

A Prefeitura de Belo Horizonte registrou o nascimento de um filhote de tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) no Jardim Zoológico da capital. A espécie, embora não seja considerada ameaçada de extinção, está com a população em franco declínio na natureza. Atualmente encontram-se sob os cuidados da instituição cinco indivíduos dessa espécie, sendo três fêmeas e um macho (adultos) e o filhote nascido em 28 de setembro deste ano. Benedita, a mais recente mamãe do Zoo está em um recinto localizado em área restrita para que tenha a tranquilidade de cuidar do filhote de modo mais natural possível.

Os dois últimos indivíduos dessa espécie que chegaram ao Zoológico de BH são duas filhotes órfãs, cujas mães foram vítimas de atropelamento. Elas foram resgatadas recém-nascidas, ainda com o cordão umbilical e mantidas, inicialmente, sob cuidados do Centro de Triagem de Animais Silvestres de Salvador, Bahia, de onde foram transferidas para BH em 21 de março de 2023.

De acordo com a chefe da Seção de Mamíferos do Zoo, a bióloga Valéria Pereira,“os zoos desempenham um importante papel na reabilitação, reintrodução, bem como na manutenção sob seus cuidados de animais que foram resgatados pelos órgãos de fiscalização. Neste sentido, a chegada de novos animais ou o nascimento sob cuidados humanos representam uma chance a mais para a conservação na própria natureza”, explica.

A cada ano, o Jardim Zoológico de Belo Horizonte celebra o nascimento de vários filhotes de animais da fauna brasileira e exótica, entre aves, répteis, mamíferos e peixes, o que reafirma o sucesso no trabalho desenvolvido pelos técnicos e traz esperança com relação à conservação das espécies.

Estratégias de conservação

A chefe da Seção de Mamíferos do Zoo, a bióloga Valéria Pereira, destaca ainda que para a conservação da espécie são necessárias medidas que visem a proteção dos habitats, com ênfase na criação de Unidades de Conservação ou implantação das já existentes. “Outra estratégia é reduzir a pressão de caça sobre populações nativas, aumentando a fiscalização e implementando projetos de educação ambiental em áreas onde a caça ainda é uma atividade tradicional”, disse.

Além disso, as instituições que mantêm esse animal sob cuidados humanos, como os zoológicos, devem aproveitar o carisma que possui para realizar campanhas de sensibilização com a finalidade de conservar as populações silvestres”, conclui.

Alimentação

O curioso é que no próprio nome científico do tamanduá-mirim ou tamanduá-de-colete aparece uma característica fundamental que é a de ser um “caçador de formigas com quatro dedos”, ou seja, seu nome guarda a curiosidade de ser este um animal que adora se alimentar  de formigas e cupins capturados especialmente no solo ou nas árvores.

É insetívoro. Alimenta-se principalmente de formigas e cupins, no solo ou nas árvores e deste modo acessa cupinzeiros arbóreos não disponíveis ao tamanduá-bandeira. Come até 9 mil insetos por dia. Eventualmente pode comer abelhas e larvas de besouros.

Quando se alimenta, esse animal nunca acaba com um formigueiro ou cupinzeiro. Ele faz isto por períodos curtos e depois muda para outro ponto, permitindo às colônias de insetos se recuperarem rapidamente.

No Zoo de Belo Horizonte os tamanduás-mirins alimentam-se de uma “papa” feita com banana, mamão, cenoura, beterraba, água e uma “mistura para tamanduá” composta por ingredientes como ração de cachorro moída, farelo de trigo, leite de soja, leite em pó, ovo em pó e semente de linhaça. Além disso, recebem pedaços de cupinzeiros com cupins vivos como parte da dieta.

Características

Mede entre 0,55 a 0, 63 metros de comprimento, com uma cauda de 0,40 a 0,67 metros. Pode pesar até 7Kg. Possui uma faixa de pelos pretos que se estende ao longo do dorso e ventre do animal dando a ideia de que está vestindo um colete, o que explica o nome popular tamanduá-de-colete.

Apresenta nítida diferença morfológica nas diferentes populações. Animais ao norte do Brasil possuem coloração mais escura e o corpo mais alongado, assim como o focinho e as orelhas. Os animais da Mata Atlântica são mais claros e com o “colete” bem definido. Já os animais do Cerrado são mais robustos e com coloração mais dourada.

Não possui dentes. A forma de comer assemelha-se à dos demais tamanduás: também tem uma língua comprida e extensível e saliva pegajosa. Ele introduz na língua no formigueiro ou cupinzeiro, os insetos grudam e ele os recolhe para a boca, que se caracteriza por uma pequena abertura circular.

O olfato é o sentido mais desenvolvido e é o que o animal utiliza para se orientar. A visão e a audição não são muito boas e o tato é grosseiro. As patas anteriores possuem musculatura muito desenvolvida e cada uma apresenta quatro dedos com garras recurvadas, sendo a garra do terceiro dedo a maior, porém proporcionalmente menor à equivalente do tamanduá-bandeira. Já as patas posteriores apresentam cinco dedos com garras menores e musculatura menos desenvolvida.

As garras fortes presentes nas patas anteriores ajudam o animal a abrir frestas nos cupinzeiros e a subir em árvores e troncos. É dócil, mas quando atacado se defende usando essas garras. A porção final da cauda não apresenta pêlos e tem função semipreênsil. Ele a utiliza para subir em árvores e se pendurar nos galhos enquanto busca alimento.

Estado de conservação da espécie

O tamanduá-mirim consta nas Listas Vermelhas de Espécies Ameaçadas de Extinção, na categoria “Menos Preocupante” (IUCN, 2022-2 e ICMBio, 2022). É importante ressaltar que a carência de informações científicas sobre suas densidades populacionais e sobre sua ecologia dificulta consideravelmente a correta avaliação do estado de conservação da espécie.

Além disso, como possui uma taxa de reprodução baixa, dificilmente dá conta de compensar qualquer tipo de caça ou reverter o declínio populacional devido a atropelamentos ou queimadas.

Ocorrência

Ocorre na América do Sul, é encontrado a leste dos Andes, na Colômbia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, ao norte do Uruguai, ao norte da Argentina e Brasil, onde ocorre em todos os biomas.

Hábitos

Possui hábitos solitários, exceto durante a época reprodutiva e durante o período de amamentação. É predominantemente arborícola, mas também pode se deslocar-se, alimentar-se e descansar no solo. O seu período de maior atividade é à noite, mas pode ser observado durante o dia e ao entardecer. Quando não está ativo, esse animal costuma descansar em ocos de árvores, tocas de tatus ou em outras cavidades naturais.

Reprodução

A gestação tem duração de 130 a 150 dias. Nasce geralmente um filhote no final da estação seca. O filhote é amamentado durante um longo período, permanecendo dependente da mãe por pelo menos um ano, até aprender a se alimentar sozinho.

Principais ameaças

As principais ameaças à espécie são: perda de habitat, atropelamentos, caça, ataques de cães.

Tamanduá-mirim ou tamanduá-de-colete – origem do nome

Southern Tamandua

Tamandua tetradactyla

Tamandua (tupi): Tá’monduá = caçador de formigas

Tetradactyla (grego): tetra = quatro; dactylos = dedos

Significado do nome: “caçador de formigas com quatro dedos”.