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Participantes do Programa Vida Ativa, da Prefeitura de Belo Horizonte, reunidas em um salão comunitário. Vestindo camisetas brancas do programa, as mulheres aparecem sorrindo e com os braços levantados, ao lado de um professor de Educação Física sentado à frente do grupo. A imagem registra um momento de integração, alegria e convivência entre as participantes.
Acervo/Smel

Vida Ativa transforma a rotina de idosos em Belo Horizonte com exercícios e inclusão

criado em - atualizado em

O mês de outubro celebra o Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, chamando a atenção para os direitos, as necessidades e a qualidade de vida da população com 60 anos ou mais. O Programa Vida Ativa da Prefeitura de Belo Horizonte atende cerca de três mil pessoas com mais de 60 anos, em 42 núcleos espalhados pela cidade. Coordenado pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel), o programa foi criado há 32 anos e oferece atividades físicas, de lazer e socialização para as pessoas idosas da capital.

Aproximadamente 460 mil pessoas com 60 anos ou mais vivem em Belo Horizonte, número que representa quase 20% da população. A mesma tendência de envelhecimento é observada na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os dados foram compilados e analisados a partir do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Com o aumento da expectativa de vida nas últimas décadas, cresce também a busca por alternativas que contribuam para um envelhecimento mais saudável e ativo, para além do uso de medicamentos. Neste cenário, programas que combinam atividade física, convivência, inclusão, acolhimento e lazer, ganham espaço.

Dos atuais 42 núcleos comunitários do Vida Ativa distribuídos pelas diferentes regiões da cidade, um deles funciona no bairro Vista Alegre, onde as atividades são realizadas duas vezes por semana, no salão da Paróquia Jesus Missionário.

É nesse espaço que os participantes se encontram para praticar exercícios, movimentar o corpo e, principalmente, fortalecer vínculos de amizade e convivência. Para muitos, o programa passou a fazer parte da rotina e representa uma oportunidade de manter a autonomia, ampliar o círculo de amizades e envelhecer de maneira mais ativa.

Aos 91 anos, Alice encontrou na dança uma razão para continuar ativa

Entre as participantes mais longevas do Vida Ativa, está Alice Helaydia Leal, de 91 anos. Viúva há 42 anos, mãe de 11 filhos e avó de 11 netos, ela já perdeu a conta de há quanto tempo participa do programa. A única certeza é que são mais de duas décadas de atividades. Com bom humor, Alice resume sua rotina: há anos ela “dança e agacha quase até o chão”.

Para ela, a participação no Vida Ativa trouxe mudanças importantes para o cotidiano. Além de se sentir mais alegre, fez novas amizades e encontrou na dança uma das atividades que mais gosta. “Minha vida mudou totalmente depois que entrei no Vida Ativa. Fiquei mais alegre, fiz amigos e faço o exercício que mais gosto, que é dançar”, revelou. Alice disse acreditar que manter-se em movimento é fundamental para sua qualidade de vida. “Se eu não estivesse saindo, dançando e fazendo exercícios, provavelmente estaria doente em cima de uma cama.”

A história de Alice traduz um dos principais objetivos do programa: estimular a prática de atividades físicas sem deixar de lado a convivência e o bem-estar social.

Marilza trocou o sedentarismo pela atividade física

Aos 71 anos, Marilza da Mata Aguiar também encontrou no programa uma maneira de manter uma rotina mais ativa. Aposentada da enfermagem, ela trabalhou ainda como comerciante. Mãe de dois filhos e avó de quatro netos, participa do Vida Ativa há cinco anos.

A entrada no programa aconteceu depois de anos praticando pilates, atividade que, segundo ela, não estava trazendo os resultados esperados. A indicação para conhecer o Vida Ativa veio da cunhada. “Eu tive uma ótima referência da minha cunhada, que participou do programa e gostou muito. Então vim aqui no salão e a professora Jaqueline arranjou uma vaga para mim”, contou.

Desde então, Marilza diz ter percebido mudanças positivas em sua rotina. “Já perdi seis quilos, mantenho meu colesterol controlado e já não tenho receio de subir um morro nem de subir escadas.” A experiência também reforçou sua percepção sobre a importância de iniciativas voltadas à população idosa. Com 32 anos de atuação junto à terceira idade, Marilza considera o Vida Ativa uma importante ferramenta de promoção da qualidade de vida e de convivência.

Aos 84 anos, Vera vê no grupo uma grande família

A costureira Vera Lúcia Ferreira, de 84 anos, também faz parte do Vida Ativa há 25 anos. Mãe de três filhos e avó de três netos, ela mantém uma relação de longa data com o programa.

O guarda-roupa cheio de camisas do grupo é um dos sinais da importância que o Vida Ativa tem em sua vida. Vera faz questão de incentivar outras pessoas da mesma faixa etária a participarem. “Eu aconselho todo mundo. Tenho duas vizinhas e digo sempre para elas: ‘Vem, vem se inscrever, gente’”.

Para Vera, um dos maiores atrativos do programa é a possibilidade de sair em grupo e conviver com outras pessoas. Ela conta que as participantes costumam circular pela cidade usando o uniforme do Vida Ativa. “Em qualquer lugar que vamos, somos um bando, somos como um time de futebol”, destacou.

A fala de Vera evidencia outro aspecto presente no programa: a criação de vínculos que ultrapassam os momentos de exercício. O grupo se transforma em espaço de amizade, pertencimento e participação social.

Movimento, convivência e autonomia

O Programa Vida Ativa oferece atividades físicas, como ginástica, dança sênior, Lian Gong, caminhada orientada, boliche e voleibol adaptado, atividades de lazer e socialização conduzidas por profissionais e estagiários de Educação Física. Atualmente, cerca de três mil pessoas participam das atividades nos 42 núcleos comunitários distribuídos por Belo Horizonte.

Mais do que estimular o movimento do corpo, a iniciativa busca criar espaços de convivência e participação para a população com 60 anos ou mais. As experiências de Alice, Marilza e Vera mostram diferentes formas pelas quais a atividade física pode se integrar à rotina e contribuir para uma vida mais ativa.

Para participar, é necessário ter 60 anos ou mais. No momento da inscrição, o interessado deve apresentar os documentos pessoais e atestado médico de aptidão para a prática de atividades físicas.

Onde encontrar um núcleo do Vida Ativa

A lista completa dos núcleos do Programa Vida Ativa, com endereços, bairros, modalidade e horários de atendimento, pode ser consultada nos canais oficiais da Prefeitura de Belo Horizonte. Dúvidas também podem ser encaminhadas pelo e-mail vidaativa@pbh.gov.br.

Com 42 núcleos espalhados pela cidade e milhares de participantes, o Vida Ativa mostra que envelhecer de forma ativa pode significar muito mais do que fazer exercícios. Para quem participa, cada encontro também pode representar amizade, acolhimento, autonomia e a oportunidade de continuar fazendo parte da vida da cidade.