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Projeto Montes Verdes prepara aceiros para prevenção a incêndios
Divulgação/PBH

Projeto Montes Verdes prepara aceiros para prevenção a incêndios

criado em - atualizado em

A Prefeitura de Belo Horizonte está revegetando a área de 250 mil metros quadrados da serra do Engenheiro Nogueira, na região da Pampulha. O local está recebendo as intervenções do projeto Montes Verdes, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que está recuperando a área com espécies típicas da mata atlântica e do cerrado. O espaço que esteve degradado, atualmente exibe plantas com até um metro e meio de altura.  

Foram quase 40 mil plantios de 2017 até fevereiro deste ano. Desse total, cerca de 29 mil mudas foram obtidas por meio de convênios e parcerias. Cerca de 50% das semeaduras foram executadas por trabalhos colaborativos, sem usar compensações ou recursos do caixa da PBH. No final de 2024, o Montes Verdes realizou um plantio recorde de 500 mudas de uma só vez na Serra do Engenho Nogueira II, com apoio de mais de 60 voluntários. 

O projeto

O projeto Montes Verdes promove a recuperação e revegetação de áreas públicas em Belo Horizonte e atua, principalmente, por meio de voluntários, entre servidores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a comunidade. A iniciativa de resgate ambiental se estende por três áreas piloto localizadas na Serra do Engenho Nogueira. A ideia é restaurar esses locais tornando-as prestadoras relevantes de serviços ambientais - drenagem, melhoria da condição climática nas vizinhanças, sequestro de carbono, recuperação de nascentes, melhoria da qualidade cênica local, proteção de áreas de risco geológico - para as comunidades no entorno, além do resgate da fauna e flora da região. 

Com a chegada dos meses de estiagem, o trabalho dos voluntários se volta para a proteção da área plantada. Tarefa realizada aos fins de semana. Um dos destaques do projeto é a redução dos incêndios na região. Desde 2018, a Serra do Engenho Nogueira não é atingida por grandes focos de fogo. Isso graças aos aceiros – espaço aberto no terreno que circula as plantações ou uma propriedade. O principal objetivo dessa técnica é romper a continuidade da vegetação e retirar a matéria orgânica do local. Dessa forma, se ocorrer um incêndio, o fogo fica em um espaço restrito e não se propaga. 

Wanderson Marinho, gerente de licenciamento de atividades industriais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, um dos idealizadores do projeto Montes Verdes, conta que a ideia surgiu há quase dez anos, numa visita a uma empresa da região, quando a atenção dele voltou-se para a ausência de vegetação no entorno. “O anel rodoviário é uma via por onde trafegam milhares de pessoas, inclusive viajantes de outros estados, emoldurada pela serra do Engenho Nogueira. E a paisagem no terceiro ponto mais alto e de maior visibilidade da capital era feia e triste. O local estava abandonado, servia de bota-fora, tinha muito entulho acumulado”, lembra Wanderson. 

O projeto da Serra do Engenho Nogueira é um trabalho piloto que vem sendo acompanhado de perto e avaliado por estudo específico na SMMA. O objetivo é chegar a um modelo que permita recuperar e regenerar áreas verdes ou de preservação permanente (APPs) entre outras, de modo eficaz, desburocratizado e a baixo custo para replicá-lo a outras regiões da capital.  

Referência entre os projetos de arborização da capital, o Montes Verdes aprimora a metodologia de prevenção, contenção e combate aos incêndios criminosos.  “Muito mais que fazer um plantio, é cultivar. Esse é o trabalho que estamos realizando no Engenho Nogueira”, resume Wanderson. 

Proteção

Espécies nativas plantadas na Serra do Engenho Nogueira são protegidas por meio de planejamento de manutenção preventiva contra vandalismo, incêndios e ataques de pragas. Como resultado dessas ações, chegou-se a uma taxa de sobrevivência das mudas em torno de 70 %, número considerado alto para projetos de recuperação de áreas degradadas. Além disso, estudos desenvolvidos no projeto permitiram a redução dos custos de manutenção, que corresponderam a cerca de 5% do custo total e foram executados de forma planejada, no período mais seco do ano (maio a outubro).

A revegetação de áreas degradadas é um trabalho a longo prazo. Exemplos de como as florestas urbanas podem transformar uma cidade não faltam. O Montes Verdes se inspira num projeto criado em 2002 com o objetivo de reflorestar 2,5 hectares nas faces Leste e Sul do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Por meio de mutirões, voluntários ajudaram na recuperação ambiental no Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca. A própria floresta da Tijuca é uma área de recomposição da mata atlântica devastada por fazendas de café.  

“A natureza é generosa. Quando tratada da maneira correta, ela retribui. O projeto Montes Verdes é a semente de uma ideia que queremos espalhar por Belo Horizonte, a de promover o reflorestamento e permitir a regeneração natural da vegetação. As florestas urbanas são responsáveis por oferecer uma série de contribuições ecossistêmicas, essenciais para a saúde ambiental e humana, como a regulação do clima, a purificação do ar e a retenção da água da chuva, ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Além disso, essas áreas verdes ajudam a termos uma paisagem urbana mais agradável, mais acolhedora”, avalia o secretário de Meio Ambiente, Gelson Leite.