1 July 2026 -
Reformas em equipamentos de saúde de Belo Horizonte passaram a incorporar uma prática que alia sustentabilidade, economia de recursos públicos e responsabilidade ambiental. Materiais retirados durante as obras, como portas, esquadrias, louças sanitárias, luminárias, divisórias, tubulações e mobiliários passaram a integrar um sistema de reaproveitamento adotado pelo Programa Melhor Saúde BH.
A iniciativa estabelece uma nova lógica para a gestão dos resíduos da construção civil. Antes da demolição ou remoção de estruturas, equipes técnicas identificam e fazem a triagem dos materiais que ainda apresentam condições de uso. Os itens aprovados são encaminhados para os galpões da Secretaria Municipal de Saúde e das Gerências Regionais de Manutenção (Germas), onde ficam armazenados para utilização em futuras obras de manutenção, adequações prediais e pequenas intervenções em equipamentos públicos.
Os materiais que não podem ser reutilizados também recebem destinação ambientalmente adequada. Após nova avaliação, aqueles com potencial de reciclagem são encaminhados para cooperativas parceiras. Apenas os rejeitos sem possibilidade de reaproveitamento seguem para descarte final, conforme os procedimentos ambientais adotados pelo programa.
A estratégia foi estruturada pela equipe socioambiental da Unidade de Coordenação do Projeto (UCP), que passou a identificar sistematicamente materiais que tradicionalmente seriam destinados ao entulho, mas que ainda possuem valor para reutilização ou reciclagem. O trabalho envolve uma atuação integrada entre as equipes das obras, técnicos da Secretaria Municipal de Saúde e cooperativas de materiais recicláveis, formando uma cadeia de aproveitamento baseada nos princípios da economia circular.
Resultados já aparecem nas obras
A iniciativa está sendo desenvolvida em sete empreendimentos estratégicos: UPAs Venda Nova, Barreiro e Oeste, os Centros de Saúde Carlos Chagas e Oswaldo Cruz, além das obras da Rede de Frio Municipal e do Laboratório de Zoonoses.
Na obra da UPA Venda Nova, centenas de componentes serão reaproveitados, entre eles portas, louças sanitárias, luminárias, divisórias e metais. Também foram recuperados 488 metros de tubulação e 306 quilos de fiação de cobre. Paralelamente, cerca de 14 toneladas de materiais metálicos foram encaminhadas para reciclagem por cooperativa parceira.
Patrimônio preservado
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu durante as obras do Centro de Saúde Carlos Chagas, instalado no prédio que abrigou o antigo restaurante universitário da UFMG. No local, foi identificado um piso de taco de madeira de ipê em excelente estado de conservação.
O material foi cuidadosamente retirado e deverá ser reaproveitado em futuras intervenções da Prefeitura, entre elas a reforma do Museu de Arte da Pampulha. A iniciativa preserva um elemento histórico da edificação e demonstra como materiais de alto valor construtivo e cultural podem ganhar nova utilização.
Economia circular nas obras públicas
Além de reduzir a geração de resíduos — um dos principais desafios da construção civil —, a iniciativa contribui para diminuir a necessidade de aquisição de novos materiais e tornar mais eficiente o uso dos recursos públicos. Segundo a responsável pelo Monitoramento Socioambiental do Programa Melhor Saúde BH, Érika Ferreira, a proposta representa uma mudança na forma de conduzir as obras públicas.
"Mais do que reduzir a geração de resíduos, o Programa Melhor Saúde BH está promovendo uma mudança de cultura na gestão das obras públicas. Trata-se de incorporar princípios da economia circular ao setor público, transformando aquilo que antes era visto como descarte em um ativo capaz de gerar benefícios ambientais, econômicos e sociais para a cidade."
Ela ressalta que o processo exige planejamento e cuidados técnicos, já que cada obra apresenta características distintas e muitos materiais precisam ser removidos de forma criteriosa para preservar suas condições de uso. Também é necessário organizar espaços de armazenamento, logística e articulação com cooperativas de reciclagem.
A expectativa é que a experiência se consolide nas demais intervenções do Programa Melhor Saúde BH e sirva de referência para outros empreendimentos municipais, ampliando a adoção de práticas sustentáveis na gestão das obras públicas.
