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Presépio de materiais naturais em exposição no Parque Municipal Américo Renné Giannetti.
Foto: Divulgação PBH

Presépios naturais em parque e zoológico embelezam a cidade

11/12/2017 | 15:38 | atualizado em 14/12/2017 | 10:02
Mais uma vez a criatividade e a beleza dos presépios sustentáveis desenvolvidos pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica estão encantando a população de Belo Horizonte. Já abertas ao público, as montagens fazem parte das comemorações natalinas e de 120 anos da cidade. 

No Parque Municipal Américo Renné Giannetti (Av. Afonso Pena 1.377, centro), o tradicional presépio é feito com materiais, em sua maioria, encontrados dentro do próprio parque, tais como folhas, frutos, sementes, cascas de troncos, bambu, palha, cabaças. Também são utilizados papelão, serragem, tinta, cola e arte em papel machê. Ao todo, são oito personagens - José, Maria, menino Jesus, os três reis magos, um pastor e um anjo. Também estão no presépio uma estrela-guia, três ovelhas, uma vaca, um burro e um galo, além de guirlandas e enfeites. A montagem fica abrigada em uma cabana construída com palha, madeira e lona.

Idealizado pela ajudante de serviços operacionais Joana Teixeira, o presépio começou como uma iniciativa pessoal para decoração interna da administração do Parque. Muito elogiado pelos colegas, o pequeno presépio de mesa feito pela funcionária serviu de inspiração para a primeira montagem, em tamanho médio, aberta ao público em 2005. De lá para cá, a montagem se tornou uma tradição na cidade e é muito aguardada pelos belo-horizontinos.

“Todos os anos venho sempre no primeiro dia para ver o presépio, já que moro na avenida João Pinheiro. Moro sozinha e tenho um pouco de preguiça de fazer a decoração de Natal em casa, mas estando perto do parque, sinto que não deixo a data passar em branco, graças a essa ideia tão original e perene”, comenta a professora Maria Clara Fonseca. 

Joana Teixeira explica que a ideia de montar o presépio surgiu da sua própria paixão com as decorações de Natal e confessa que nunca fez nenhum curso específico de artesanato. “É tudo fruto de inspiração mesmo, criatividade. Nunca ando desatenta pelo parque. Durante o ano inteiro vou recolhendo o que cai das árvores. Vou testando as coisas, às vezes dá certo, às vezes não, e aí vou corrigindo, buscando deixar os personagens diferentes a cada ano, mas fiéis à história e representando o verdadeiro sentido do Natal”, explica.

A “artista” Joana conta com a ajuda da bióloga do parque, Andrea Coutinho, na identificação das espécies encontradas e que podem ser utilizadas. Ela procura seguir a temática anual da arquidiocese para representar o presépio do parque. Este ano, cujo tema é a misericórdia, ela optou por posicionar os personagens sentados no chão e em instalar a manjedoura próxima à Maria, que carrega nos braços o menino Jesus. Mas Joana alerta: “pode ser que mais pra frente, durante a exposição, eu mude alguns itens de lugar. Gosto de variar pequenas coisas ao longo do mês para agradar a quem passa por aqui todos os dias”, diz. 
 
Sempre muito bem humorada e ressaltando a importância do verdadeiro espírito do Natal ao falar de seu trabalho, Joana faz mais uma confissão: “santo de casa não faz milagre! Até hoje não montei a árvore de Natal da minha casa”, conta, aos risos. 

A paixão da artista pelo Natal talvez possa ser explicada pela proximidade da comemoração com a sua data de aniversário: 31/12, quando Joana irá completar 54 anos. Mas certamente sua afinidade com tudo o que o Natal representa vem de sua própria história: ao longo de dois casamentos e mesmo com as dificuldades típicas de uma vida de origem humilde, ela criou seis filhos, sendo um adotivo. “Amor a gente não nega nem mede. Quando os pais do amigo do meu filho morreram, ele me pediu para adotá-lo, para cuidar dele. E assim eu fiz, sem pensar, sem hesitar”, conta.  

Questionada sobre aproveitar esse dom para as artes para empreender um negócio ou mesmo aumentar a renda, já que é sempre procurada pelos frequentadores para falar sobre o presépio, ela explica: “já fiz muito artesanato para comercializar, mas quando eu conseguia vender alguma peça, eu sentia saudade do meu trabalho. Concluí que eu me apego demais e por isso não gosto tanto de vender as peças que faço. O presépio é bom por isso, eu vou trabalhando todo ano em cima das mesmas peças, troco as roupas, mudo as expressões dos rostos, coloco os personagens de pé ou sentados, enfim, vou mudando um pouco o meu próprio trabalho”, finaliza.  




Jardim Zoológico

Já o presépio do Jardim Zoológico será inaugurado nesta terça-feira, dia 12, às 10h, com a participação do Coral Cantáridas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os personagens bíblicos estarão representados por meio de técnicas de jardinagem no presépio de topiaria (prática que dá formas artísticas às plantas), instalado no Zoológico (avenida Otacílio Negrão de Lima, 8.000, Pampulha). O espaço fica aberto à visitação até 7 de janeiro de 2018, de terça-feira a domingo, das 9h às 16h30. 

Considerado uma verdadeira obra de arte ao ar livre, o presépio é formado por um conjunto de 28 peças feitas em topiaria (técnica milenar originária dos Jardins da Babilônia), em tamanho natural que retratam, além das figuras da Sagrada Família (José, Maria e Menino Jesus), os três Reis Magos (Gaspar, Baltazar e Belchior) e 19 réplicas de animais dos cinco continentes, como (elefantes, onça, lobo-guará, casuar, camelo, cervo-nobre, dentre outros).
 
Cada peça é composta por uma armação de ferro coberta por materiais biodegradáveis e recicláveis como o bagaço de cana, resíduo de celulose e papel picado, estimulando a preservação da natureza. Para dar acabamento e cor ao cenário, é utilizada uma trepadeira, a hera (Ficus pimula), planta que recobre todas as esculturas.

O Jardim Zoológico da Fundação de Parques Municipais Zoobotânica fica na avenida Otacílio Negrão de Lima, 8.000 – Pampulha. 
 

 
Curiosidades

Muitos foram os materiais usados no presépio do Parque Municipal. Ao todo, são mais de 30 espécies diferentes de plantas utilizadas na montagem. Confira o detalhamento: 

Menino Jesus: corpo em bucha vegetal, rosto em papel machê sobre cabaça, olhos de semente de Paineira, cabelo de palha de Palmeira, além de serragem, papelão, decoração geral em pó moído de verniz com resina de árvore. 

Baltazar (Rei do Ouro): rosto em papel machê, coroa feita de trança de palha de bananeira e capa de palmeira com semente de Tento Carolina (falso pau Brasil) e fruto de Pau Jangada, cabelo e barba de serragem de pinho, olho de semente de saboneteira, presente carregado por ele feito em fruto de saboneteira e sapucaia com detalhes em folhas de Araucária, casca de vagens de Tento Carolina e cachos de frutos da Saboneteira, além de manto feito em papelão  com decoração de fícus gameleira. 

Gaspar (Rei): rosto em papel machê sobre cabaça, olho de semente de Saboneteira, cabelo e barba em raspa de Cipreste, manto em papelão decorado com serragem, presente feito em fruto de Sapucaia, cacho de Palmeira e Araucária e semente Tento Carolina com folha de Fícus Gameleira, coroa de palha de Bananeira trançada com semente de Tento Carolina e semente de pêssego. 

Belchior (Rei): manto de papelão decorado com folha de goiabeira, turbante em palha de Bananeira, estrela decorativa em semente de Mogno recortada, cabelo de palha de Palmeira imperial e barba de capa de Latânia, rosto em papel machê, olho de semente de saboneteira, presente feito em fruto de saboneteira, decoração geral em serragem. 

Anjo Gabriel: rosto em papel machê, manto em papelão decorado com folha de sapucaia desidratada e serragem, asa em folha de bambu, cabelo em palha de palmeira trabalhada sob aquecimento. 

Pastor: barba e cabelo de fruto de Pau Jangada, rosto em papel machê, manto em papelão, olho de semente de Saboneteira, turbante de cipó da trepadeira insulina vegetal, cajado de Tamareira e serragem para decoração geral. 

Maria: manto em papelão com detalhes de flores de Sempre Viva e Bouganvilles desidratadas, rosto em papel machê, cabelo de palha de Bananeira, olhos de semente de Saboneteira. 

José: rosto de papel machê, olhos de semente de saboneteira, barba de palha de Latânia, manto em papelão com detalhes em vagens de Fedegoso. 

Ovelhas: pelo em paina de paineira, focinho em Bolsa-dePastor e sementes de Paineira, orelha de cascos dos frutos de Pau Rei.

Vaca: corpo em jornal e arame recoberto com capas de Latânia, patas de frutos de Pau Rei, tetas e chifres de frutos de Jequitibá, focinho de capa de Latânia, olhos de sementes de Saboneteira.

Burro: Corpo em jornal e arame recoberto com capas de Latânia, focinho de casca do fruto de Bolsa-de-Pastor, olhos de semente de Saboneteira, patas de tocos de Ficus. 

Galo: corpo de coco, cabeça de miolo do fruto de Mogno, olhos de sementes de Saboneteira, crista de casca de frutos de Guaçacu e penas de flores de Triplaris.

Manjedoura: capa de folha de Palmeira Imperial, palha de hastes de Papirus, enfeites de folhas desidratadas de Sapucaia

Estrela: Folhas de Latânia e hastes de Papirus. 

Estrebaria: Bambú e Latânia

 

Topiaria

A palavra vem do latim topiarius e significa “a arte de adornar jardins”. É uma técnica de jardinagem que tem por objetivo dar formas esculturais às plantas. Sua origem vem da “Terra Santa”, onde São Francisco de Assis, em 1224, recriou o ambiente do nascimento de Jesus. 

A prática da topiaria é antiga, mas ficou ainda mais conhecida nas mãos de Edward, personagem do filme “Edward mãos de tesoura”, estrelado por Johnny Depp, em 1991. Conhecem-se evidências de prática de topiaria desde os romanos, tendo a arte sido retomada com vigor no Renascimentoitaliano, e culminado com André Le Nôtre, o criador dos jardins de Versalhes em 1662, com a utilização de várias espécies (principalmente o buxo) para obter formas cónicas e piramidais.

Com o estilo de jardins do período vitoriano, na Inglaterra do século XIX, as formas utilizadas na arte da topiaria passam a ser arredondadas, meias luas, rombos, corações e arcos.

Para "esculpir" uma planta são necessários vários anos de intervenções que consistem, entre outras técnicas, em utilizar estacas e armações para guiar o crescimento e obter as formas que de outra maneira seriam impossíveis de conseguir.
 
Algumas das espécies vegetais utilizadas, para além do buxo, são as dos géneros Ligustrum (lentiscos), Lantana (lantana), Lonicera (madressilvas) e Hedera (hera), ou Prunus laurocerasus (o louro-cerejo) e o alecrim.

 Fontes: Wikipedia e Portal Opa
 
 

11/12/2017. Presépios e mergulho do Papai Noel. Fotos: Suziane Fonseca/FPMZB