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Mãe segura bebê sorridente.
Foto: Divulgação PBH

Prefeitura amplia o serviço de coleta de leite materno

20/03/2019 | 18:03 | atualizado em 24/05/2019 | 15:24
Desde que o pequeno Tiago nasceu, há dois meses, o leite materno é o único alimento que ele consome. E a produção da Fernanda, a mãe dele, aumenta a cada dia. Por isso, ela resolveu compartilhar o que considera uma bênção. Todos os dias, ela separa alguns minutos para ordenhar o leite que vai para a doação. “É um benefício para os dois lados: para mim, pois tenho produzido muito e em alguns momentos chega a empedrar, e para quem recebe. Sinto muito feliz por ser doadora”, disse Fernanda Laguardia, funcionária pública.
 

Uma vez por semana, a Equipe de Saúde da Família do Centro de Saúde Pompeia, na Regional Leste, passa na casa da Fernanda e recolhe os potes de leite congelado. O centro de saúde é uma das 22 unidades coletoras de leite do Projeto Mama Bebê, que funciona desde 2004, em Belo Horizonte.

 

E para atender uma demanda sempre crescente, a Prefeitura vai ampliar o número de postos de coleta com a inclusão de mais três unidades coletoras de leite humano. Os Centros de Saúde Leopoldo Crisóstomo, Vera Cruz e São José Operário estão concluindo a fase de projetos para inaugurarem a suas unidades coletoras de leite humano.

 

Além desses, os centros de saúde Vila Maria e Marco Antônio de Menezes também vão oferecer o serviço. Para isso, já iniciaram a fase de comitê local de aleitamento materno. 

 

Experiência de doar vida

Até os 4 meses do Caíque, a Nilmara fazia questão de doar parte da sua produção para a unidade. Ela recebeu um kit, contendo pote de vidro esterilizado, luvas, touca e máscara, muita orientação e o carinho dos integrantes da Equipe de Saúde da Família. “Se eu pudesse, estaria doando até hoje. Mas, conforme o Caíque foi crescendo, meu leite diminuiu e ficou restrito à demanda dele. Mas, fico muito feliz por saber que ajudei muitas outras crianças”, contou Nilmara Lima, policial civil.

 

No Centro de Saúde Pompeia, assim que a mulher chega para fazer o pré-natal, nas salas de vacina ou até mesmo quando acompanha seu filho nas consultas com o pediatra, ela recebe informações sobre a doação de leite. Um trabalho que requer muita sensibilidade dos profissionais. “É um momento de muitas mudanças na vida da mulher, o que faz com que muitas vezes ela desista de doar pelo trabalho extra que isso gera. Então, a gente sempre tenta abordar o assunto, falar da importância desse gesto. Caso a mulher se interesse, analisamos os últimos exames para verificar a saúde dela. Se estiver tudo bem, nossa equipe faz uma visita, orienta a ordenha e agenda o retorno para buscar o leito doado”, disse Solange Cicarelli, gerente do Centro de Saúde Pompeia.

 

Depois que chegam às unidades coletoras, os potes de leite congelado são encaminhados ao posto de coleta da Unidade de Referência Secundária Saudade, também na regional Leste, um dos pioneiros do Brasil. Na Unidade de Referência Secundária Saudade os recipientes passam por uma análise criteriosa. “Verificamos o acondicionamento, a temperatura, o aspecto e os dados descritos nos fracos. Eles precisam atender aos padrões exigidos para, a partir daí, serem enviados à maternidade. Uma tampa semiaberta, por exemplo, pode alterar a condição do leite”, ressaltou Maria de Lourdes Miri, responsável pelo posto de coleta de leite da Prefeitura.

 

Por mês, o posto de coleta de leite da Unidade de Referência Secundária Saudade envia cerca de 25 litros de leite para a Maternidade Odete Valadares, hospital referência em banco de leite no Estado. Só no ano passado foram enviados, aproximadamente, 250 litros. O leite materno é um alimento completo que ajuda na recuperação dos bebês internados em hospitais. Para se ter uma ideia da importância dele, 1 litro de leite humano pode sustentar até 10 recém-nascidos por dia. A depender do peso do prematuro, um ml já é o suficiente para nutri-lo a cada vez que for alimentado.

 

Segundo a pediatra da Unidade, Marisa Lages, o ideal é que o leite seja oferecido exclusivamente no peito até os seis meses de idade ou enquanto a mãe puder e quiser. “O aleitamento materno é uma das principais formas de prevenir os processos alérgicos ao longo da vida, além de prolongar o vínculo mãe e filho e do aspecto nutricional e emocional”, afirmou a pediatra. 

 

Foi durante uma consulta com o nutricionista da Unidade de Referência Saudade que a Tayná soube do posto de coleta de leite materno. Ela é mãe do Thayler, de 1 ano e 3 meses. O menino ainda mama no peito, mas como Tayná quer desmamá-lo, optou por doar o leite por um tempo. Ela, mais do que ninguém, sabe o quanto poderá ajudar outras famílias. “Meu filho nasceu prematuro e precisou ficar internado. Para continuar produzindo leite, eu tinha que ordenhar e jogar fora, pois não havia posto de coleta no hospital. Agora, quero poder fazer por outras crianças o que não pude fazer pelo Thayler naquela época”, disse Tayná Pereira, atendente de padaria.

 

Centros de Saúde que são Unidades de Coleta de Leite Humano

• Barreiro: Vila Cemig

• Centro-sul: Cafezal, Nossa Senhora Aparecida e Padre Tarcísio

• Leste: Alto Vera Cruz, Boa Vista, Granja de Freitas, Paraíso, Pompeia, Novo Horizonte, Taquaril e São José Operário (em fase de implantação)

• Nordeste: Olavo Albino, Cachoeirinha e Vila Maria

• Norte: Novo Aarão Reis

• Pampulha: Trevo 

• Venda Nova: Venda Nova, Copacabana, Lagoa

 

 

20/03/2019. Banco de leite. Fotos: Divulgação/PBH


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