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Tubos de ensaio cheios de Aedes com Wolbachia
Foto: Rodrigo Clemente

Prefeitura amplia liberação de Aedes com Wolbachia para novos pontos da capital

03/03/2021 | 18:56 | atualizado em 03/03/2021 | 20:18

A Prefeitura de Belo Horizonte expandiu os trabalhos do Método Wolbachia em 2021. Os mosquitos Aedes Aegypti com Wolbachia começaram a ser soltos nas regionais Norte e Noroeste e em novos bairros de Venda Nova. A implantação é progressiva e atingirá 29 áreas de Belo Horizonte. Essa estratégia começou em Venda Nova, em 5 de outubro, nas áreas de abrangência dos Centros de Saúde Jardim Leblon, Copacabana e Piratininga.

A nova fase, que integra as ações do Estudo Clínico Controlado Randomizado (RCT, sigla em inglês), será desenvolvida onde vivem cerca de 400 mil pessoas. O trabalho está sendo realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)/WMP e terá a participação de uma equipe da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Além da liberação dos Aedes com Wolbachia, nesta etapa será feito um estudo por meio do monitoramento da saúde de crianças de 6 a 11 anos, de escolas municipais, para verificar as tendências das incidências de doenças transmitidas pelo Aedes nestes locais.

“Este é mais um importante avanço que o município de Belo Horizonte insere no conjunto de ações setoriais e intersetoriais que são executadas continuamente, visando melhorar a efetividade do controle do Aedes Aegypti. Entretanto, em nenhum momento podemos prescindir da participação da população, verificando e eliminando pelo menos uma vez por semana os potenciais criadouros em seu domicílio e ambiente de trabalho. Mais de 80% dos focos está no ambiente domiciliar”, disse o subsecretário de Vigilância em Saúde, Fabiano Pimenta.

A implantação do método será progressiva até atingir a totalidade da cidade. Uma pesquisa realizada com a população – antes de iniciar o trabalho de soltura dos mosquitos – identificou que a maioria dos entrevistados aceita essa nova estratégia. “Este método tem eficácia comprovada e já temos visto bons resultados aqui no Brasil, com dados preliminares apontando 75% da redução dos casos de Chikungunya em Niterói, no Rio de Janeiro”, destaca o líder do Método Wolbachia no Brasil e pesquisador da Fiocruz, Luciano Moreira.

Para a implantação do método, a Prefeitura de Belo Horizonte construiu uma biofábrica que produz Aedes com Wolbachia. O investimento foi de aproximadamente R$ 700 mil, em recursos próprios. O método está presente em 11 países, sendo que Belo Horizonte é a primeira cidade do mundo que conta com biofábrica própria.

O Método Wolbachia é complementar às demais ações de controle das arboviroses realizadas pela Prefeitura. A Wolbachia é um microorganismo intracelular presente em 60% dos insetos da natureza, mas que não estava presente no Aedes aegypti.  Quando presente no mosquito, ela impede que os vírus das doenças transmitidas pelo vetor se desenvolvam dentro do inseto, contribuindo para a redução da dengue, Zika e Chikungunya.