10 August 2026 -
A construção do Plano de Salvaguarda do Samba de Belo Horizonte avança com a 3ª reunião oública que será realizada no dia 17 de agosto (segunda-feira), das 18h30 às 21h, no Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira (Rua Formiga, 140 – Bairro Lagoinha). O encontro vai reunir sambistas para debater propostas para o plano e a criação de uma instância permanente para a proteção dessa manifestação cultural, reconhecida como Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. A iniciativa é da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura.
A reunião pública é destinada a sambistas, agentes culturais, grupos sociais, entidades coletivas, produtores artísticos e demais sujeitos vinculados aos diversos segmentos dessa linguagem musical e de sua cadeia produtiva. A entrada é gratuita, sem necessidade de inscrição prévia.
A ampla participação de quem atua no universo do samba é fundamental para garantir uma abordagem adequada às peculiaridades deste patrimônio imaterial. A partir do debate público sobre desafios e potencialidades do samba, as propostas voltadas ao fortalecimento dessa expressão cultural serão sistematizadas em um Plano de Salvaguarda, com ações de curto, médio e longo prazo a serem colocadas em prática na cidade.
O plano definirá estratégias para manutenção, preservação e transmissão dos saberes ancestrais associados a esse bem cultural, incluindo a valorização das mestras e mestres detentores desses saberes e a melhoria das condições de vida dos trabalhadores da cadeia produtiva do samba após o registro como patrimônio imaterial da cidade.
O Comitê de Salvaguarda será um importante instrumento para condução pelos sambistas, junto ao poder público, do Plano de Salvaguarda do Samba de Belo Horizonte, documento que organizará um conjunto de ações propostas de forma conjunta entre as comunidades do samba e o poder público.
Patrimônio cultural
Presente em toda a capital, o samba representado por seus movimentos — escolas de samba, blocos caricatos, blocos de rua, rodas de samba, lugares e espaços de samba — constitui uma expressão cultural plural representante da cultura afrodiaspórica, enraizada na cidade antes de sua inauguração. Em dezembro de 2024, o samba foi oficialmente declarado Patrimônio Cultural de Belo Horizonte após a análise do Inventário Participativo e do Dossiê de Registro pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural da cidade.
O estudo, produzido pelo projeto Horizontes do Samba, parceria entre o Coletivo de Sambistas Mestre Conga, Projeto República/UFMG e Fundação Municipal de Cultura/PBH, identificou a relevância histórica, social e simbólica do samba na capital, mapeando seus modos de fazer, tradições, influências e territórios de referência, especialmente na Pedreira Prado Lopes, Lagoinha, Concórdia e demais comunidades reconhecidas como seus principais redutos.
Atualmente, essa expressão social pode ser vivenciada nas dez regionais de BH. O samba registra, revigora e transmite às novas gerações saberes e práticas culturais de matrizes africanas, além de contribuir para o desenvolvimento social, econômico, cultural, artístico e político de Belo Horizonte.
Os sambistas de Belo Horizonte cantam a resistência e a alegria de um povo. Sua linguagem musical articula caminhos e descaminhos, memórias e desmemórias, recordações e esquecimentos que fundamentam um olhar crítico sobre a cidade do presente e do passado.
Desse entrecruzamento de tempos e espaços emerge outra narrativa da cidade, mais diversa, plural e horizontal, costurada pelos percursos físicos e sonoros que conectam a produção musical das novas gerações à presença histórica de mestras e mestres no cenário urbano da capital mineira.
Serviço
3ª Reunião Pública | Construção do Plano de Salvaguarda do Samba de Belo Horizonte
Data: segunda-feira (17)
Horário: 18h30 às 21h
Local: Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira (Rua Formiga, 140 – Lagoinha)
A entrada é gratuita sem necessidade de inscrição prévia. Sujeita à lotação do espaço
