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Parque Municipal recebe projeto de avistamento de aves neste final de semana
Graça Brito

Parque Municipal recebe projeto de avistamento de aves neste final de semana

criado em - atualizado em

Admirar as aves e, quem sabe, redescobrir espécies que há tempos não se viam nos parques de Belo Horizonte. Este é um dos objetivos do projeto Avistavis, que realiza a 4ª edição de 2026 no próximo domingo (14), no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro da capital. As inscrições já estão abertas, por meio do formulário disponível no Instagram da Ecoavis (@ecoavis), que realiza o projeto em parceria com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica. 

A atividade é gratuita e aberta ao público profissional e amador. São oferecidas 50 vagas a cada edição e as inscrições se encerram às 12h da sexta-feira que antecede a expedição ou enquanto houver vagas. O Avistavis, criado em 2012, consiste em expedições em formato de caminhada, reunindo desde entusiastas e amadores até especialistas, com foco na observação de aves nas áreas verdes da cidade, especialmente nos parques.

A programação desta 4ª edição começa às 6h30, com o ponto de concentração na portaria da avenida Afonso Pena, 1.055. Com o grupo reunido, serão repassadas as orientações para a saída, que ocorre às 7h30. Os participantes podem levar máquinas fotográficas de quaisquer tipos e/ou binóculos. Entre as recomendações para melhor aproveitamento da atividade, também estão o uso de protetor solar, repelente, boné e calçados fechados, além de um bom agasalho para enfrentar o tempo frio típico do horário e desta época do ano. Para favorecer a aproximação das aves, sem afugentá-las, sugere-se o uso de roupas em cores neutras e a manutenção de um tom de voz baixo ao se comunicar com os demais presentes na atividade.

Dentre as espécies que poderão ser encontradas no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, estão: bem-te-vi, sanhaço-cinzento, sabiá-laranjeira, sabiá-barranco, joão-de-barro, pica-pau-verde-barrado, periquito-de-encontro-amarelo, maritacas, saí-azul, saíra-ferrugem, fim-fim, beija-flor-de-peito-azul, beija-flor-tesoura, saracura-três-potes, lavadeira-mascarada,  risadinha, pombo-das-rochas, rolinha-roxa, pomba-asa-branca, além de espécies de aves aquáticas, ao redor dos lagos, como garças, biguás e o pato-do-mato.

Além de poder observá-las e fazer belos registros, os participantes irão conhecer um pouco mais sobre os hábitos das espécies, características, técnicas de observação e outras curiosidades sobre a avifauna da cidade, apresentadas pelos técnicos da Ecoavis. O visitante terá a oportunidade de apreciar as belezas, a biodiversidade e os recursos naturais presentes neste importante parque, que nasceu antes mesmo da própria cidade e atualmente funciona como um refúgio climático e abrigo para uma boa parte das esécies da cidade, além de pequenos mamíferos, insetos e répteis.

Primeiro registro da espécie coró-coró em BH

Na última edição, realizada em 7 de junho no Parque Ursulina de Andrade Mello, quem esteve na “passarinhada”, como é carinhosamente chamada a expedição, presenciou um momento histórico: o primeiro registro da espécie coró-coró documentado em Belo Horizonte. 

Segundo Juan Espanha, chefe da Seção de Aves do Jardim Zoológico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica e que também participa das expedições, a espécie, de fato, não havia sido avistada em nenhum outro local de BH com registro oficializado até então, apesar dos relatos de ocorrência do coró-coró na lagoa da Pampulha.“Na região da pampulha, está muito presente o tapicuru-de-cara-pelada, ou simplesmente tapicuru, que é uma ave comum de ser avistada em BH em córregos, lagoas e ambientes alagados em áreas abertas. O tapicuru é da mesma família do coró-coró, o que pode gerar confusão entre as duas espécies, especialmente para novos observadores, já que ambos habitam ambientes úmidos”, explicou. 

Algumas diferenças são que o coró-coró tem preferência por áreas de mata mais fechada; possui vocalização marcante - de onde vem seu nome popular; e não costuma formar bandos grandes como o tapicuru. “No caso do registro do Parque Ursulina temos a confirmação oficial de se tratar, de fato, do coró-coró, que tem a plumagem mais azulada, enquanto a do tapicuru tende mais para o preto, puxando para o esverdeado na época de reprodução. Além disso, a face do tapicuru é, como o nome diz, ‘pelada’ e de cor clara, enquanto a do coró-coró é mais enegrecida, sem se destacar tanto”, disse Juan Espanha.

O presidente da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, Gelson Leite ressaltou que “a descoberta da ave em BH reafirma a importância da preservação dos Parques Municipais da capital para a manutenção da biodiversidade e demonstra como ações em projetos de lazer podem contribuir para a ampliação do conhecimento científico, como é o caso do projeto Avistavis”.

Próximas expedições do Avistavis:

Avistavis - 2026
14/6 – Parque Municipal Américo Renné Giannetti (Centro) 
18/7 – Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado (Pampulha) 
8/8 – Parque da Serra do Curral (Centro-sul) 
12/9 – Parque Ecológico Francisco Lins do Rego (Ecológico da Pampulha) 
17/10 – Parque Municipal das Mangabeiras Maurício Campos (Centro-sul) 
14/11 – Parque Carlos de Faria Tavares (Parque Vila Pinho – Barreiro)