14 July 2026 -
Os admiradores de pássaros têm um encontro marcado no Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado, na Pampulha, no próximo sábado (18). Neste dia, acontece a 5ª edição do Projeto Avistavis em 2026, que consiste em expedições com foco na observação e fotografia de aves nas áreas verdes da cidade, especialmente nos parques. Para participar, é necessário fazer a inscrição prévia pelo formulário no link na bio da Ecoavis (@ecoavis), organização da sociedade civil (OSC) que promove a ação, em parceria com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB).
A atividade é gratuita e aberta ao público profissional e amador. São oferecidas 50 vagas a cada edição e as inscrições se encerram às 12h da sexta-feira que antecede a expedição ou enquanto houver vagas (podendo serem encerradas antes da véspera).
A programação desta quinta edição se inicia às 6h30, com o ponto de concentração Centro Cultural (Casa Amarela, onde fica a biblioteca do Parque), com entrada mais próxima pela rua Desembargador Lincoln Prates, 240. Com o grupo reunido, serão repassadas as orientações para a saída, que ocorre às 7h30.
Os participantes podem levar máquinas fotográficas de quaisquer tipos e/ou binóculos. Entre as recomendações para melhor aproveitamento da atividade, também estão o uso de protetor solar, repelente, boné e calçados fechados, além de um bom agasalho para enfrentar o tempo frio típico do horário e desta época do ano. Para favorecer a aproximação das aves, sem afugentá-las, sugere-se o uso de roupas em cores neutras e a manutenção de um tom de voz baixo ao se comunicar com os demais presentes na atividade.
Dentre as espécies que poderão ser encontradas no Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado, estão pica-pau-verde-barrado, maria-cavaleira, canário-do-mato, cuitelão, guaracavuçu, sabiá-laranjeira, beija-flor-tesoura-verde, martim-pescador-verde, jacupemba, beija-flor-de-peito-azul, saracura-três-potes, garibaldi, tapicuru, carrapateiro, sanhaço-cinzento, corruíra, cambacica, petrim, pula-pula, choca-da-mata, gavião-carijó, alma-de-gato, gavião-de-cauda-curta, bentivizinho-de-penacho-vermelho, saíra-amarela, ariramba-de-cauda-ruiva, tucanuçu, choró-boi, biguatinga, entre outros.
Além de poder observá-las e fazer belos registros, os participantes irão conhecer um pouco mais sobre seus hábitos, características, técnicas de observação e outras curiosidades sobre a avifauna da cidade, apresentadas pelos técnicos da Ecoavis. Além disso, o visitante terá a oportunidade de apreciar as belezas, a biodiversidade e os recursos naturais presentes neste importante parque, que tem em seu DNA a luta popular pela preservação na natureza, que levou à implantação no parque em setembro de 1994.
Registros ajudam no mapeamento da biodiversidade
Neste ano, em maio, quem esteve na expedição do Avistavis no Parque Ursulina de Andrade Mello (também na Pampulha) presenciou um momento histórico: o primeiro registro da espécie coró-coró documentado em Belo Horizonte. Segundo Juan Espanha, chefe da Seção de Aves do Jardim Zoológico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica e que também participa das expedições, a espécie, de fato, não havia sido avistada em nenhum outro local de BH com registro oficializado até então, apesar dos relatos de ocorrência do coró-coró na lagoa da Pampulha.
“Na região da pampulha, está muito presente o tapicuru-de-cara-pelada, ou simplesmente tapicuru. Esta é uma ave comum de ser avistada em BH em córregos, lagoas e ambientes alagados em áreas abertas. O tapicuru é da mesma família do coró-coró, o que pode gerar confusão entre as duas espécies, especialmente para novos observadores, já que ambos habitam ambientes úmidos. Outras diferenças são que o coró-coró tem preferência por áreas de mata mais fechada, possui vocalização marcante (de onde vem seu nome popular) e não costuma formar bandos grandes como o tapicuru. No caso deste registro do Parque Ursulina temos a confirmação oficial de se tratar, de fato, do coró-coró, que tem a plumagem mais azulada, enquanto a do tapicuru tende mais para o preto, puxando para o esverdeado na época de reprodução. Além disso, a face do tapicuru é, como o nome diz, ‘pelada’ e de cor clara, enquanto a do coró-coró é mais enegrecida, sem se destacar tanto”, detalha.
“A descoberta da ave em BH reafirma a importância da preservação e manutenção dos Parques Municipais de Belo Horizonte para a manutenção da biodiversidade, especialmente se levarmos em conta que, principalmente para a avifauna, essas áreas verdes quase contíguas se firmam como corredores ecológicos, formando um mosaico de áreas que servem de abrigo, proteção, fonte de alimento e de sobrevivência para esses animais. Isso demonstra como ações e projetos de lazer responsável nessas áreas podem contribuir para a ampliação do conhecimento científico, como é o caso do projeto Avistavis”, comenta Gelson Leite, presidente da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica.
Confira abaixo o calendário das próximas expedições do Avistavis:
Avistavis - 2026
18/7 – Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado (Pampulha)
8/8 – Parque da Serra do Curral (Centro-sul)
12/9 – Parque Ecológico Francisco Lins do Rego (Ecológico da Pampulha)
17/10 – Parque Municipal das Mangabeiras Maurício Campos (Centro-sul)
14/11 – Parque Carlos de Faria Tavares (Parque Vila Pinho – Barreiro)
