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Ave Sanhaço em uma galho com fruto amarelo no bico
Edanise Reis/Divulgação

Parque Ecológico da Pampulha recebe projeto de observação de aves com 50 vagas gratuitas

criado em - atualizado em

Neste sábado (12), os admiradores de pássaros têm um encontro marcado no Parque Promotor Francisco Lins do Rego, mais conhecido como Parque Ecológico da Pampulha, na 7ª edição de 2026 do Projeto Avistavis. A atividade consiste em expedições com foco na observação e fotografia de aves nas áreas verdes da cidade, especialmente nos parques. Para participar, é necessário fazer a inscrição pelo formulário no link na bio da Ecoavis, organização da sociedade civil (OSC) que promove a ação, em parceria com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB).

A atividade é gratuita e aberta ao público profissional e amador. São oferecidas 50 vagas a cada edição e as inscrições se encerram às 12h da sexta-feira que antecede a expedição ou enquanto houver vagas (podendo se encerrar antes). 

A programação desta sétima edição começa às 6h30 com ponto de concentração na portaria 1 do parque (Marco Zero), na Avenida Otacílio Negrão de Lima, 6.061. Com o grupo reunido serão repassadas as orientações para a saída, que ocorre às 7h. Os participantes podem levar máquinas fotográficas de quaisquer tipos e/ou binóculos.

Entre as recomendações para melhor aproveitamento da atividade também estão o uso de protetor solar, repelente, boné e calçados fechados, além de um bom agasalho para enfrentar o tempo frio típico do horário e desta época do ano. Para favorecer a aproximação das aves, sem afugentá-las, é sugerido o uso de roupas em cores neutras e manter o tom de voz baixo ao se comunicar com os demais presentes na atividade.

Dentre as espécies que poderão ser encontradas no Parque Ecológico da Pampulha estão algumas aquáticas e de margem, como marreca-irere, marreca-cabocla, garças-brancas (grande e pequena), socozinho, socó-dorminhoco, galinha-d'água, saracura-três-potes, tapicuru e pernilongo-de-costas-brancs. Das rapinantes estão gavião-caramujeiro, carrapateiro, carcará e coruja-buraqueira.

Com sorte, os visitantes poderão avistar espécies migratórias notáveis como príncipe, tesourinha, bem-te-vi-rajado, suiriri-pequeno, peitica, maçarico-solitário e mergulhão-pequeno. E entre as aves de bosque, campo e jardim é possível encontrar quero-quero, anu-preto, alma-de-gato, chupim, canário-da-terra, pica-pau-verde-barrado, periquito-de-encontro-amarelo, periquitão-maracanã, joão-de-barro, curutié, lavadeira-mascarada, bem-te-vi, suiriri-cavaleiro, andorinha-pequena-de-casa, sabiá-poca, sabiá-barranco, encontro, sanhaço-cinzento, cambacica, bico-de-lacre e arapaçu-de-cerrado.

Além de observar e fazer belos registros das aves, os participantes vão conhecer um pouco mais sobre hábitos, características, técnicas de observação e outras curiosidades sobre a avifauna da cidade apresentadas pelos técnicos da Ecoavis. Além disso, terão a oportunidade de apreciar as belezas da biodiversidade deste importante parque.

Mapeamento da biodiversidade

Em maio deste ano, quem participou da expedição do Avistavis no Parque Ursulina de Andrade Mello (também na Pampulha) presenciou um momento histórico: o primeiro registro da espécie coró-coró documentado em Belo Horizonte. Juan Espanha, chefe da Seção de Aves do Jardim Zoológico da FPMZB, confirma que a ave nunca tinha sido avistada em outro local de BH, com registro oficial, apesar dos relatos de ocorrência do coró-coró na Lagoa da Pampulha.

“Na Pampulha está muito presente o tapicuru-de-cara-pelada, ou simplesmente tapicuru. É uma ave comum de ser avistada em BH, em córregos, lagoas e ambientes alagados em áreas abertas. O tapicuru é da mesma família do coró-coró, o que pode gerar confusão entre as duas espécies, especialmente para novos observadores, já que ambos habitam ambientes úmidos”, explica o especialista.

Outras diferenças, segundo ele, é que o coró-coró tem preferência por áreas de mata mais fechada, vocalização marcante (de onde vem o nome popular) e não costuma formar bandos grandes como o tapicuru. “No caso deste registro do Parque Ursulina temos a confirmação oficial de se tratar do coró-coró, que tem a plumagem mais azulada, enquanto a do tapicuru tende mais para o preto, puxando para o esverdeado na época de reprodução. Além disso, a face do tapicuru é, como o nome diz, pelada e de cor clara, enquanto a do coró-coró é mais enegrecida, sem se destacar tanto”, detalha.

O presidente da FPMZB, Gelson Leite, ressalta que a descoberta da ave em BH reafirma a importância da preservação e manutenção dos parques municipais para a manutenção da biodiversidade. “Especialmente se levarmos em conta que, principalmente para a avifauna, essas áreas verdes quase contíguas se firmam como corredores ecológicos, formando um mosaico de áreas que servem de abrigo, proteção, fonte de alimento e de sobrevivência para esses animais. Isso demonstra como ações e projetos de lazer responsável nessas áreas podem contribuir para a ampliação do conhecimento científico, como é o caso do projeto Avistavis”.

Calendário das próximas expedições do Avistavis:
17 de outubro – Parque Municipal das Mangabeiras - Maurício Campos (Centro-sul) 
14 de novembro – Parque Carlos de Faria Tavares - Vila Pinho (Barreiro)