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Grupo de vinte pessoas posa para a foto em um jardim. Eles seguram balões nas cores azul, amarelo e laranja
Foto: Andrea Moreira/PBH

Pampulha promove roda de conversa para população em situação de rua

11/10/2018 | 10:47 | atualizado em 11/10/2018 | 10:47

Os acordes do violão serviam de arranjo para a música improvisada, chamando a atenção daqueles que passavam pela orla da Lagoa da Pampulha. Foi nesse clima que aconteceu a roda de conversa Desembola na Orla, realizada pela Prefeitura de Belo Horizonte por meio do Centro Especializado de Assistência Social Pampulha (CREAS-P) em parceria com a ACESSUAS. Participaram cerca de 30 pessoas que fazem das ruas seu local de moradia e sobrevivência para conversar sobre a temática “Mundo do Trabalho”.
 

A Analista de Políticas Públicas do CREAS-P, Jane Libério explicou que o objetivo da atividade coletiva foi conhecer as perspectivas dos usuários que moram nas ruas em relação à temática e, a partir daí, planejar palestras e oficinas de acordo com as sugestões dos participantes.
 

Durante a roda de conversa, os participantes apontaram alguns desafios enfrentados por quem vive nas ruas e as possibilidades de melhoria. De acordo com eles, os principais desafios enfrentados são: preconceito, falta de oportunidade, dificuldade de encontrar emprego, vícios, fome, violência em alguns abrigos, falta de documentação, desigualdade e falta de qualificação profissional. Como possibilidades para melhoria de vida foram citados: os restaurantes populares, os abrigos com boa estrutura como o Granja de Freitas e o Pompeia, o acesso aos serviços Socioassistenciais da PBH para regularizar a documentação daqueles que não possuem ou perderam seus documentos e a oferta de cursos de qualificação e de oficinas de preparação para o trabalho.
 

O baiano F.A.S., 25 anos, estava de passagem por Belo Horizonte e resolveu participar da atividade. Para ele, há vários fatores que trazem dificuldades na hora de conseguir emprego: “Se você mora em abrigo ou na rua, é difícil arrumar emprego. As pessoas ficam desconfiadas.”
 

Usuário dos serviços do CREAS-P desde 2017, A.C.S., 42 anos, conta que já trabalhou em várias profissões, mas atualmente está desempregado. Para ele, a falta de documentação também dificulta o acesso ao trabalho. “A gente com documentação na mão já facilita bastante. Se você não tem documento, muitas vezes é tratado como vagabundo e pode até ir preso. Só sabe o preço da liberdade aquele já a perdeu um dia.”
 

Ao final da atividade, foi proposto aos presentes participarem de uma oficina de artesanato para produção de canetas e vasos feitos com materiais recicláveis, que será realizada no dia 10 de outubro, na Coordenadoria de Atendimento Regional Pampulha.