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Oito pessoas na ECO Marioteca do Museu da Moda
Foto: Ricardo Laf/PBH

Museu da Moda de Belo Horizonte abriga acervo de ECO materiais têxteis

30/08/2018 | 16:59 | atualizado em 30/08/2018 | 16:59
Produzir moda a partir de resíduos e de forma sustentável. Esta é a proposta da Ecomarioteca, um acervo de ECO materiais têxteis disponíveis no mercado nacional com mais de 300 amostras que pode ser consultado na biblioteca do Museu da Moda (rua da Bahia, 1.149, Centro).
 
Idealizadora do projeto Mixtura com Você, Iri Martins participou de uma visita guiada ao acervo do Museu e se encantou com as possibilidades apresentadas na Ecomaterioteca. O projeto, desenvolvido por Iri no bairro Mantiqueira, região de Venda Nova, produz moda a partir de resíduos doados e gera renda para os moradores da comunidade. Iri, que já conseguiu doação de resíduos de 85 lojas de decoração de interiores, acredita que a reciclagem e reaproveitamento são o futuro da moda. “Esse material vai colocar comida na mesa de muita gente da comunidade do Mantiqueira. Nosso lema é: Resíduo da moda mineira vira moda no Mixtura”, afirma.
 
A Ecomarioteca foi idealizada por Gabriela Leite Marcondes Schott, da EM Resíduos Têxteis, que assina a curadoria e a produção executiva em parceria com a designer de moda, Denise Frade.
 
Segundo Gabriela, o Mumo é o primeiro museu no Brasil a receber o acervo da Ecomaterioteca. “O Museu da Moda de Belo Horizonte é referência nacional enquanto local de pesquisa e incentivo ao diálogo contemporâneo mediante suas ações e seu acervo. Sem dúvida, o Mumo vem traçando uma trajetória singular desde os últimos dois anos, com eventos de sucesso, incluindo a Exposição da Ecomaterioteca”, afirma.
 
As amostras disponibilizadas para consulta trazem tecidos e fios sustentáveis, orgânicos, ecológicos e biodegradáveis produzidos por cerca de 20 indústrias parceiras. A classificação, explica a designer de moda Denise Frade, foi estabelecida pela curadoria da Ecomaterioteca, pois a própria indústria têxtil está em processo de reconhecimento destes conceitos.
 
Para a gestora do Museu da Moda de Belo Horizonte, Marta Guerra, receber em uma biblioteca pública a primeira catalogação têxtil de tecidos sustentáveis, além do ineditismo, possibilita ao público em geral e, principalmente aos estudantes e produtores de moda, não somente a identificação do material utilizado apenas do ponto de vista da estética, mas também o conhecimento da produção desde sua origem. “É importante ampliar o acervo literário do Mumo, mas também diversificar seu conteúdo, com novas pesquisas reunindo, neste espaço público, artigos científicos publicados na área de moda e design ampliando o acesso a toda população para consulta e compartilhamento do conhecimento”, observa Marta.
 
Segundo Gabriela Schott, a Ecomaterioteca tem como objetivo principal socializar e democratizar o conhecimento, a pesquisa e a inovação de práticas sustentáveis por meio de seu acervo de amostras, de rodas de conversa e ações públicas criativas. Sua práxis, explica Gabriela, se dá por meio da aplicação do acervo ECO têxtil na criação de looks, acessórios e objetos de design inspiradores, do incentivo a novos talentos criativos que desejam trabalhar de forma sustentável. “Queremos provocar a discussão em todas as instâncias sobre o uso consciente de materiais no nosso cotidiano, seja na indústria têxtil, de confecção e também no consumidor”, salienta.
 
Gabriela Schott observa que a manutenção de um acervo ECO têxtil na biblioteca do Museu da Moda tem a intenção de promover a educação e a pesquisa, e pode atrair a presença de vários setores da indústria da moda, despertando o interesse público, tendo em vista que é um suporte fundamental no desenvolvimento de projetos para os designers (de moda, de produto, de interiores), arquitetos, artistas, figurinistas e outras áreas que englobam a economia criativa e a economia circular.
 
Denise Frade salienta que a Ecomaterioteca está alinhada com as políticas da ONU em sua Agenda para 2030, pois suas ações caminham para levar a sociedade ao consumo mais consciente e saudável, ao reaproveitamento e à reciclagem dos resíduos, promovendo bem-estar para todos, na medida em que isso se reflete na gestão sustentável dos recursos do planeta.
 
"A Ecomaterioteca torna-se uma ponte entre a indústria têxtil e de confecção, entre a academia e o mercado, entre o mercado e o consumidor ao propor a discussão sobre as possibilidades da moda sustentável e disponibilizar o conhecimento sobre novas formas de criar produtos de design sustentável”, diz Gabriela.

30/08/2018. Ecomaterioteca. Fotos: Ricardo Laf/FMC