Pular para o conteúdo principal

Mulher com camiseta e chapéu e camiseta coloca a mão em mudas suspensas de horta comunitária.
Foto: Lidiane Sant'Ana/PBH

Lixo e entulho dão lugar a hortaliças em áreas públicas

21/11/2018 | 14:49 | atualizado em 21/11/2018 | 14:53
Terra, luminosidade, água e disposição para cultivar. Não é preciso muito para transformar terrenos vagos em locais produtivos. Mas antes de lançar as sementes, é preciso fazer reuniões e definir atribuições. É dessa forma que a da cidade e, com o apoio da comunidade, dando nova destinação a áreas públicas sujeitas à deposição clandestina de lixo ou invasões.

Se por um lado não são necessários muitos recursos, planejamento e persistência são essenciais. É preciso escolher o terreno, cercar, limpar a área e preparar os canteiros. Reunindo-se desde janeiro para discutir o projeto, um grupo de moradores do bairro Milionários agora colhe os frutos da dedicação. Aparecida Tibúrcio faz parte do Conselho da Horta Comunitária. Ela conta que já fizeram duas colheitas, mas destaca a importância da perseverança. “Estamos só começando e vemos que é um exercício de dedicação. Os resultados vêm com o tempo”, avalia.

Outros bairros também têm se organizado. No Tirol, uma área de mais de mil metros quadrados, sem destinação definida e frequentada por usuários de drogas, ganhou novos ares. “Fomos à Coordenadoria de Atendimento Regional, preenchemos formulários e oficializamos o uso do espaço em nome da associação. No começo das discussões eram umas vinte pessoas. Agora, trabalhando efetivamente no cultivo, somos quinze”, explica o presidente da associação de moradores do bairro, Edson Amorim. O terreno antes cheio de lixo, agora tem canteiros de couve, rúcula, cebolinha. “A comunidade já compra nosso excesso de produção, mas a ideia é ampliar bastante dentro de quatro meses, pois acabamos de receber novas mudas. Planejamos expandir para outra área e começamos a produzir hortas em caixotes, para quem quiser cultivar em casa”, conta.
 
A adubação é toda orgânica. O grupo se divide em uma escala de plantio, cuidado com os canteiros e colheita. Cada voluntário trabalha pelo menos sete horas por semana. Os moradores do entorno apoiam a nova destinação do espaço. “Sempre recebemos doações de mudas, de madeira, de ferramentas. Temos tido muita cooperação da vizinhança”, destaca a voluntária Vanilda Campos.
 
Além de modificar hábitos alimentares e fortalecer vínculos comunitários, a prática resgata conhecimentos e possibilita novos aprendizados. A escolha das hortaliças e todo processo de planejamento e execução da horta é feito com a participação direta do grupo. A Prefeitura dá suporte em todas as etapas, desde a mobilização até o preparo do terreno, passando pelo apoio técnico e doação das mudas. Eles recebem acompanhamento da Emater e da Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania.
 
A criação das hortas comunitárias também traz benefícios para a cidade. “Além de comercializarem o que produzem, promovendo o acesso à alimentação fresca e orgânica para outras pessoas, as hortas contribuem para evitar a invasão e a deposição clandestina de lixo em áreas públicas”, destaca o coordenador de Atendimento Regional Barreiro, Walmir Mattos. “O custo que a Prefeitura tem para manter essas áreas livres de lixo descartado clandestinamente é muito alto, sem contar as implicações que isso têm para a saúde e a segurança de quem mora no entorno. O meio ambiente também agradece”, conclui.
 
Interessados em implementar o projeto em suas comunidades devem formalizar a solicitação nas regionais. O pedido pode ser feito por pessoas físicas, grupos ou entidades.
 
 

21/11/2018. Hortas Comunitárias - Regional Barreiro. Fotos: Lidiane Sant'Ana/PBH