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Palco do Kandandu
Foto: Júlia Lanari

Kandandu, encontro de blocos afro, abre Carnaval de Belo Horizonte 2020

18/02/2020 | 18:02 | atualizado em 20/02/2020 | 19:37


O Kandandu, encontro de blocos afro de Belo Horizonte, marca a abertura do feriado de Carnaval na capital mineira comemorando os 20 anos do Bloco Oficina Tambolelê. Construído coletivamente pela sociedade civil, Associação dos Blocos Afro de Minas Gerais (Abafro) e Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur, o evento acontece na sexta-feira, dia 21, a partir de 18h, e no sábado, dia 22, a partir de 16h, na Praça da Estação.

A palavra Kandandu, que na língua africana kimbundu significa “abraço”, também expressa a união de filosofias, ideais, conhecimentos e vivências por meio da ancestralidade africana. E é essa história que sobe ao palco da Praça da Estação, por meio dos tambores, da música e da dança.

“O Kandandu é uma conquista da sociedade belorizontina, que em seu último senso se declarou negra, uma vez que somos uma maioria contabilizada em 56% da população da cidade”, comenta Agnaldo Müller, presidente da Associação dos Blocos Afro de Minas Gerais (ABAFRO-MG).

Ao todo, 10 blocos da cultura afro da cidade, incluindo o homenageado, vão se apresentar, divididos entre os dois dias: Bloco Oficina Tambolelê, Fala Tambor, Magia Negra, Angola Janga, Timbaleiros do Gueto, Kizomba, Afrodum, Afoxé Bandarerê, Samba da Meia-Noite e Swing Safado.

O evento, que acontece desde 2017, traz uma novidade para este ano. Todas as apresentações trarão no repertório alguma música do grupo Tambolelê, referência afro e do congado em Minas Gerais. Entre uma atração e outra, tocam os DJs Black Josie e Hudson, um na sexta-feira e outro no sábado.

“O Kandandu é um evento muito simbólico para o Carnaval de Belo Horizonte e abre alas para o feriado de folia. É um marco na promoção da igualdade racial dentro da festa mais popular da cidade. Em 2020 esperamos mais um encontro potente desses blocos que representam a origem do Carnaval e nos mostram de onde essa festa, que hoje toma as ruas de Belo Horizonte, surgiu”, comenta Gilberto Castro, Presidente da Belotur,



Reconhecimento

O Carnaval é inseparavelmente ligado à cultura negra e esse encontro, que simboliza a abertura da folia na capital mineira, foi reconhecido pelo Ministério dos Direitos Humanos, em 2018, como uma das principais ações de promoção da igualdade racial do país. Os blocos afro realizam, durante todo ano, trabalhos socioculturais, tornando-se polos de promoção, manutenção e compartilhamento de cultura afro-brasileira, por meio de suas práticas e projetos.

 

Os blocos

Bloco Oficina Tambolelê
O Bloco Oficina Tambolelê foi criado no final dos anos 1990 pelos integrantes do grupo musical Tambolelê, no bairro Novo Glória, região Noroeste de Belo Horizonte. Com a proposta de valorizar a riqueza de ritmos afro-mineiros e a tradição do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, o grupo incorporou percussão e outras atividades para oferecer a crianças e jovens um espaço de inclusão social pela arte.

Fala Tambor
O Bloco Fala Tambor foi o primeiro movimento cultural tombado como bem cultural imaterial afro-brasileiro de Belo Horizonte, de acordo com o “Inventário Tradições Brasileiras”, realizado pela Fundação Municipal de Cultura. O bloco carnavalesco oferece aulas de percussão, dança e canto de forma gratuita e é considerado o primeiro Grupo de Samba de Roda Afro Minas Gerais, com trabalho autoral e foco na sensibilização das pessoas para a criação de ritmos, canto e dança.
 
Bloco Afro Magia Negra
O Bloco Afro Magia Negra tem o objetivo de reverenciar os valores da cultura afro e a imensa contribuição do povo negro na formação e construção do Brasil. Os integrantes do bloco participam também da Banda Magia Negra e da Banda de Rua Babadan, utilizando dança, cantos, tambores, instrumentos de sopro e outras expressões artísticas para promover um carnaval educativo que vai além do entretenimento.

Bloco Afro Angola
O Bloco Afro Angola Janga dedica-se ao empoderamento e à emancipação do povo negro, por meio de suas práticas e repertórios. Com uma levada que vai do “Axé” ao Funk, ganhou reconhecimento de blocos baianos, com destaque para o Ilê Aiyê (primeiro bloco afro do mundo), que identificou o grupo belorizontino como um dos “filhos” mais novos em 2017. Angola Janga, ou “Pequena Angola”, era o nome dado ao Quilombo de Palmares por seus moradores.

Grupo Afro Cultural Timbaleiros do Ghetto
Uma conversa animada, em meio a uma roda de samba salpicada de atitude, deu o pontapé para o Grupo Afro Cultural Timbaleiros do Ghetto. Na época, em 2017, os fundadores concentraram  suas ações no bairro Primeiro de Maio, região Norte de Belo Horizonte. Entre as principais referências do grupo estão Olodum, Timbalada e Sandra de Sá, que se reúnem em um ritmo contagiante.
 
Kizomba
Kizomba é um termo de origem bantu que significa “festa do povo que resistiu à escravidão”. O projeto está ligado à comunidade quilombola Manzo Ngunzo Kaiango, no bairro Santa Efigênia, regional Centro-Sul de Belo Horizonte, e configura uma iniciativa sociocultural de valorização e promoção da cultura afro-brasileira. Oferece oficinas e vivências de capoeira, samba de roda, dança afro e percussão para crianças e adolescentes do quilombo e bairros vizinhos.
 
Afrodum
O Afrodum é o bloco de carnaval da Associação Cultural Odum Orixás, formado com o objetivo de estabelecer novos canais para a expressão e fortalecimento da história e cultura negra e contribuir para a ampliação do debate sobre a questão étnica. O repertório transita por diversas referências da música afro-brasileira e ritmos como Ijexá, Moçambique, Arramunha, Ilú, Agueré e Congo.
 
Afoxé Bandarerê
O Afoxé Bandarerê nasceu com o objetivo de abraçar a comunidade afro-cultural e tomar as ruas com a alegria dos terreiros, com um projeto que visa não só a divulgação e valorização da cultura negra, mas também a quebra de preconceitos e a maior integração entre os membros de religiões de matriz africana. O nome Bandarerê remete a Belo Horizonte como “pedaço bom”.
 
Samba da Meia-Noite
O Samba da Meia-Noite é uma família de sambistas que traz vivências ancestrais de uma cultura singular, com origem no Recôncavo Baiano. Através da oralidade multirregional tipicamente brasileira, e da origem do samba de roda — voz, corpo e tambor — o grupo expressa essa herança com um tempero mineiro, como as cantorias de beira-rio (as chulas e os benditos) entoadas na região do Jequitinhonha.
 
Bloco Swing Safado

O Bloco Swing Safado vem das ladeiras da comunidade do Conjunto Santa Maria, um bairro que conta com a história viva e presente do samba e do Grêmio Recreativo Escola de Samba Cidade Jardim. O nome do bloco tem origem na valorização da ginga natural da herança ancestral africana, combinando a descontração carnavalesca com as letras de duplo sentido tão presentes na música popular.

 

Kandandu

Data: 21 e 22 de fevereiro
Local: Praça da Estação
Entrada gratuita

Sexta-feira - 21/02
18h: Solenidade
18h30: Tambolelê
19h20: DJ Black Josie
20h: Fala Tambor
20h50: DJ Black Josie
21h30: Bloco Afro Magia Negra
22h20: DJ Black Josie
23h: Angola Janga
23h50: DJ Black Josie
00h10: Timbaleiros do Gueto

Sábado - 22/02
16h: DJ Hudson
16h30: Kizomba
17h10: DJ Hudson
17h40: Afrodum
18h20: DJ Hudson
18h50: Afoxé Bandarerê
19h30: DJ Hudson
20h: Samba da Meia Noite
20h40: DJ Hudson
21h: Swing Safado



Carnaval de Belo Horizonte 2020

O Carnaval de Belo Horizonte 2020 é viabilizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur, com patrocínio master da Skol Puro Malte e patrocínio do iFood, Zé Delivery e do Iti, aplicativo de pagamentos digitais do Itaú Unibanco. O valor é de R$ 6 milhões em verba direta, mais R$ 8,3 milhões em planilhas de estruturas e serviços, captado por meio de Edital de Patrocínio.

Vale ressaltar que a contratação de músicos, subvenção de blocos e escolas de samba e toda a estrutura dos palcos espalhados pelas regionais da cidade durante o evento, assim como todo o orçamento da Belotur, é proveniente de investimento privado.

 


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