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Cinco pessoas estão em um jardim com pedras e plantas
Foto: Divulgação/PBH

Jardins do Museu Casa Kubitschek abrigam diversidade de espécies da flora

13/09/2018 | 17:37 | atualizado em 18/09/2018 | 11:54

Os jardins do Museu Casa Kubitschek é um recanto onde o visitante pode desfrutar da beleza e diversidade da flora brasileira. Criados por Burle Marx, eles contornam a sede do Museu Casa Kubitschek, integrante da rede de museus municipais e do Conjunto Moderno da Pampulha. A exuberância do local é um convite para apreciar o trabalho deste artista que revolucionou o paisagismo no século 20. Abertos à visitação durante o horário de funcionamento do museu, os jardins possuem 86 espécies de plantas, em sua maioria originárias de regiões tropicais.
 

Coordenadora do Museu Casa Kubitschek, Vanessa Araújo explica que uma característica marcante da obra do paisagista Roberto Burle Marx é a utilização de espécies originárias de regiões tropicais. “A partir da década de 1930, quando ele elabora seus primeiros projetos, promove uma mudança radical em relação aos jardins tradicionais, que importavam modelos e flora europeias”, ressalta.
 

No terreno de três mil metros quadrados, encontram-se canteiros que revelam a diversidade botânica do país cercados por arbustos de médio porte nas laterais que não comprometem a vista da Lagoa da Pampulha. Um lago de forma sinuosa permite a introdução de plantas aquáticas, que produzem um belo contraste vegetacional, e um banco revestido de mosaico acompanha o lago, ajudando a realçar o caráter contemplativo do jardim.
 

O pátio interno da casa se abre para um canteiro cujo vermelho vibrante se destaca. E acompanhando a elevação do terreno, há um jardim rochoso, valendo-se da vegetação de canga, encontrada nas serras de minério de ferro. A coordenadora chama a atenção, mais uma vez, para o trabalho dedicado de Burle Marx. “Aqui podemos observar que o paisagista não só se preocupava em usar espécies de plantas brasileiras, mas também em reproduzir as interações ecológicas que investigava nas suas excursões”, ela afirma.
 

De acordo com Vanessa Araújo, por muitos anos as políticas de preservação dedicaram-se basicamente à conservação dos bens edificados. Ela conta que, somente a partir dos anos 1980, as discussões se ampliaram, sendo que a primeira Carta Patrimonial, voltada exclusivamente para os jardins históricos, foi elaborada em Florença, na Itália, em 1981. “Desde então, houve maior reconhecimento do valor cultural dos jardins. Resulta daí atividades voltadas especificamente sobre o tema, como o projeto O Jardim e o Museu, cujas ações dialogam diretamente com o fortalecimento das políticas patrimoniais relacionadas às composições arquitetônicas de material vegetal, vivo e renovável” frisa.

 

O jardim e o Museu

Para fortalecer a percepção de que este jardim, assim como a casa, é patrimônio cultural, são desenvolvidas atividades dirigidas no projeto O Jardim e o Museu.

O projeto tem como objetivo central propiciar a manutenção e salvaguarda do jardim e contribuir para o reconhecimento de sua importância pelo público. Suas ações são executadas continuamente e envolvem um público anual de cerca de 2000 pessoas. Ele é desenvolvido por meio de encontros de formação de educadores e agentes culturais; visitas mediadas; distribuição de mudas ao público com informações básicas sobre cada planta, nome popular, nome científico e cuidados; oficinas para trabalhar o plantio das mudas; e oficinas culturais que usam as espécies botânicas como tema para produção de bordados, marcadores de livro, receitas culinárias, entre outras aplicações. Ainda no conjunto de ações, está o processamento do acervo botânico, ou seja, identificação das espécies e pesquisa sobre suas características científicas e populares.
 

Walquiria Almeida de Jesus, professora da rede municipal de educação, participou de um encontro de formação de educadores do O Jardim e o Museu, e é uma das entusiastas da atividade. “Um lugar que nos toca com sua variedade de histórias e beleza natural. Quantas memórias ele carrega!”. A educadora se sensibilizou pela relevância histórica do espaço. “Através do olhar em cada trajeto realizado, nos apropriamos de conhecimentos e o desejo de saber mais sobre nossa cidade. Foi marcante!”, recorda.
 

Ana Claudia Figueiredo Brasil Silva, também professora da rede municipal de educação, destaca sua ampliação e compreensão sobre patrimônio, história e cidadania a partir de sua experiência com a atividade. “É uma maneira de conhecer Belo Horizonte por uma perspectiva diferente. A presença das pessoas que passaram por essa casa ficou ‘impressa’ no jardim, e pensar nas marcas deixadas por onde passamos é uma reflexão muito profunda, pois diz de quem somos e do que construímos”, reflete.

 

Aniversário do Museu Casa Kubitschek

Neste mês de setembro, o Museu Casa Kubitschek completa cinco anos e seu jardim é o protagonista da festa, pois a programação promove mais atividades voltadas para sua valorização. Tais como as visitas guiadas, inclusive noturna, a distribuição de mudas no mirante Bandeirantes e no Parque Municipal e o lançamento de uma publicação sobre o patrimônio paisagístico - que será distribuído gratuitamente no local. Vanessa Araújo reforça o valor dessas ações. “Como fazem parte do nosso cotidiano, geralmente usufruímos dos jardins sem prestarmos atenção na riqueza de símbolos, de histórias e de memórias guardadas em cada canteiro, em cada espécie selecionada. Aqui, o participante é convidado a desvendá-los, interpretando suas formas, estilos e histórias”, finaliza.

 

Museu Casa Kubitschek

Avenida Otacílio Negrão de Lima, 4188, Pampulha
Telefones: (31) 3277-1586 / 3277-7993 / 3246-0309 || E-mail: ck.fmc@pbh.gov.br
Funcionamento: de terça a domingo, das 9 às 18 horas


Obs.: As mudas estão sempre disponíveis em caixotes espalhados pelo jardim; as demais atividades acontecem periodicamente e os interessados participam mediante inscrições prévias.