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Imagem do artista Benedito Ferreira, um homem de óculos de armação preta e camiseta branca, de barba e bigode, posando diante de uma parede coberta por fotografias, documentos e imagens antigas organizadas em painéis.
Michele Rodrigues/PBH

Museu de Arte da Pampulha recebe instalação audiovisual que passeia pelo universo da música caipira

criado em - atualizado em

O Museu de Arte da Pampulha (MAP) recebe o projeto conceitual “Nunca mais vamos abraçar o que vem depois do fim”, do artista visual Benedito Ferreira, um dos bolsistas da 10ª edição do Programa de Residência Artística do MAP/Bolsa Pampulha. O trabalho apresenta, até 22 de novembro, uma instalação e uma gravação audiovisual com os violeiros Zé Canhoto e Caio Yanni, o Caxeado.

Com curadoria de Augusto Fonseca, a obra transita entre Goiás e Minas Gerais por meio de um trabalho que se aproxima da música caipira e acompanha suas transformações até a consolidação do sertanejo romântico. Sua popularização ampliou a presença da cultura sertaneja nas cidades e difundiu um repertório marcado por narrativas de amor e despedida.

Uma grande faixa de tecido, que traz o título "Nunca mais vamos abraçar o que vem depois do fim", ficará instalada no salão nobre do MAP entre duas colunas internas, que são visíveis do lado de fora do museu. A faixa recupera um formato comum nas ruas e festas populares para dar escala pública a uma declaração íntima. “O título anuncia uma separação e deixa em suspenso aquilo que pode existir depois dela”, explica Benedito Ferreira.

No dia 15 de novembro, Benedito realiza uma gravação audiovisual aberta ao público, em frente ao museu, com os violeiros Zé Canhoto e Caxeado. Com cerca de 40 anos de diferença entre si, os músicos participam dos encontros de violeiros que acontecem na capital mineira. Os dois se reúnem para tocar uma composição improvisada, promovendo um encontro entre diferentes gerações ligadas à viola e à música caipira.

A gravação integra a pesquisa audiovisual desenvolvida pelo artista durante o Bolsa Pampulha. A aproximação entre a frase de despedida e a música tocada pelos dois violeiros retoma uma questão presente na produção recente de Benedito Ferreira: a permanência de certas imagens do sertão e as mudanças que elas sofrem quando atravessam outros tempos e lugares.

Nascido em Itapuranga, Goiás, e radicado em Goiânia, Benedito Ferreira é artista visual, cineasta e pesquisador. Nos últimos anos, apresentou sua produção em países como Portugal, França, Holanda, Armênia, Polônia, Geórgia, Romênia, Uruguai, Colômbia e Coreia do Sul. Durante sua residência na Bolsa Pampulha, tem percorrido Belo Horizonte com sua câmera atrás de imagens do sertanejo que aparecem na cidade. A pesquisa se relaciona diretamente com sua produção em Goiás e com uma prática recorrente no próprio trabalho, marcada pelo deslocamento e pela observação das paisagens encontradas durante o percurso.

Sobre o Bolsa Pampulha

Com uma trajetória que se confunde com a história da arte em Minas Gerais, o Bolsa Pampulha é a continuidade do Salão de Arte da Prefeitura, instituído em 1937. Desde sua reformulação, em 2002, o programa consolida-se como um centro de experimentação, deixando de ser apenas um prêmio de exibição para focar na investigação e na formação artística.

A iniciativa é reconhecida nacionalmente por projetar nomes como Cinthia Marcelle, Marilá Dardot, Laura Belém, Paulo Nazareth, João Castilho, Efe Godoy, Desali, Sallisa Rosa, Froiid, Luana Vitra, entre outros, que hoje ocupam lugar de destaque no cenário global. Ao priorizar o processo criativo, o edital permite que artistas e pesquisadores em fase de consolidação aprofundem suas trajetórias sob a orientação de uma equipe de curadores e artistas, reafirmando Belo Horizonte como um ponto essencial de diálogo com a arte contemporânea.

Mais informações sobre o Bolsa Pampulha no Portal PBH.


Serviço
"Nunca mais vamos abraçar o que vem depois do fim" - Ação integrante da 10ª edição do Programa Bolsa Pampulha

Artista: Benedito Ferreira
Curadoria: Augusto Fonseca
Participação: Zé Canhoto e Caxeado
Período: até 22 de novembro de 2026
Local: Museu de Arte da Pampulha (MAP) - Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.585, Pampulha