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Mulher com jaleco mostra bolsa de sanque, em frente à geladeira aberta.
Foto: Divulgação PBH

Hospital Dr. Célio de Castro é referência para pacientes com doença genética

24/09/2019 | 18:21 | atualizado em 24/09/2019 | 20:44

Reconhecido por oferecer excelência em tratamentos especializados, o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, no Barreiro, se tornou, desde o ano de 2018, uma das referências na capital mineira para internação de pacientes com complicações da doença falciforme. Condição hereditária e genética, a doença tem como principal manifestação a anemia e costuma exigir internação quando os portadores sofrem crise dolorosas que exigem abordagem específica.

 

Em Belo Horizonte, os pacientes adultos e adolescentes que têm doença falciforme e necessitam de internação são transferidos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para o hospital. O estudante universitário William Souza Dias Pinheiro, de 24 anos, está entre esses pacientes e conta que já precisou de internação por várias vezes. Segundo ele, o Hospital Célio de Castro é superqualificado para o atendimento. “Na minha opinião, o suporte que recebemos aqui não tem igual”, relata.

 

A doença falciforme é mais frequente em povos africanos, mas está presente em todos os continentes como consequência das migrações populacionais. Dados do Ministério da Saúde apontam que de 25 mil a 50 mil pessoas no Brasil têm a doença. A anemia é a principal manifestação. “A doença falciforme é uma condição genética e hereditária que resulta em uma malformação da hemoglobina. Como consequência, os pacientes têm crises de dor de forte intensidade, isquemia nos órgãos e outras complicações sistêmicas”, afirma a médica hematologista e referência técnica da Agência Transfusional do Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, Paula Madeira.

 

Obrigatório em todo o país desde 1992, o teste do pezinho, realizado preferencialmente entre o 3º e 5º dia de vida da criança em todos os centros de saúde de Belo Horizonte, detecta doenças metabólicas, genéticas ou infecciosas, incluindo a doença falciforme. “Quando a doença falciforme é diagnosticada, a criança é direcionada a um Centro de Referência para ser acompanhada e evitar possíveis complicações da doença. Em Minas Gerais, a Fundação Hemominas é referência ambulatorial para esses pacientes”, afirma Paula Madeira.

 

 

Atendimento no hospital

De janeiro a agosto de 2019, o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro registrou 45 internações de 39 pacientes com doença falciforme. Quando chegam na unidade, eles são acolhidos pela clínica médica. O tratamento inclui analgésicos, hidratação venosa e abordagem multiprofissional com a psicologia, nutrição, serviço social, terapia ocupacional, hematologia, dependendo de cada caso. Quando a crise álgica é grave ou o paciente precisa ser submetido a um procedimento cirúrgico, o tratamento é mais complexo pela necessidade de transfusão de sangue.

 

No laboratório de Imunohematologia da Fundação Hemominas é realizada a fenotipagem do sangue dos pacientes com doença falciforme através de um estudo da hemácia. “São feitos vários testes para identificar os antígenos e os anticorpos que o doente possui. As transfusões de sangue são guiadas pelo resultado da fenotipagem, que muitas vezes podem ser essenciais no tratamento da doença falciforme”, observa Paula Madeira.

 

E é esse um dos papeis da Agência Transfusional do Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro. “Assim que um paciente com a doença falciforme dá entrada no Hospital, a Agência é imediatamente avisada. Nós fazemos o contato com a Fundação Hemominas para saber se o paciente possui fenotipagem e damos suporte especializado aos médicos clínicos na condução de pacientes com casos complexos, que podem precisar de transfusão”, explica Paula Madeira.

 

O estudante Willian Souza Dias Pinheiro faz o controle semestral da doença falciforme no ambulatório do Hemominas. Ele conta que passou por um longo período, dos 12 aos 20 anos, sem precisar de nenhuma internação. No entanto, desde os 21, começou a ter crises constantes que necessitam de uma abordagem hospitalar. “As crises vaso-oclusivas dolorosas, também chamadas de crises álgicas, são a manifestação aguda mais comum da doença falciforme e a maior causa de hospitalização dos pacientes falcêmicos”, afirma Paula Madeira.

 

 

Fluxo de atendimento

O fluxo assistencial da linha de cuidado da doença falciforme em Belo Horizonte tem como referência de atendimento para eventos agudos em crianças com doença falciforme o Hospital Infantil João Paulo II. Casos de eventos agudos em gestantes e casos de priapismo em homens (adolescentes ou adultos) a referência é o Hospital Metropolitano Odilon Behrens.
 

Já os eventos agudos de adolescentes e adultos atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) são encaminhados prioritariamente para o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro e casos que exigem especialidades não existentes no Hospital são atendidos em outras unidades hospitalares de acordo com a grade de urgência.

 

Segundo a Gerência da Rede Complementar da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, no final de 2018 a Secretaria de Saúde, por meio da Subsecretaria de Atenção à Saúde e da Diretoria de Atenção à Saúde, instituiu um Grupo Técnico de Profissionais para a construção do fluxo assistencial da linha de cuidado da doença falciforme em Belo Horizonte.

 

Em parceria com o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG (NUPAD) e a Fundação Hemominas, o objetivo é ofertar a integralidade do cuidado, em tempo oportuno, através de profissionais capacitados e qualificados, em todos os pontos de atenção da Rede SUS BH. O fluxo destaca o cuidado ao paciente desde a realização do teste do pezinho nos Centros de Saúde, com acompanhamento das Equipes de Saúde da Família, o acesso prioritário às consultas e exames especializados até a necessidade de atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento e Hospitais.

 

A Gerência da Rede Complementar destaca ainda que o fluxo assistencial da linha de cuidado da doença falciforme da Rede SUS-BH foi apresentado e validado com anuência da Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia de Belo Horizonte (DREMINAS BH).

 

 

24/09/2019. Doença Falciforme. Fotos: Divulgação/PBH