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A diretora executiva do Hospital do Barreiro, Maria do Carmo
Foto: Olavo Maneira

Hospital do Barreiro tem maioria feminina em sua gestão

10/01/2018 | 15:02 | atualizado em 12/03/2018 | 11:42
Em Belo Horizonte, o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro se destaca pela quantidade de mulheres em funções de coordenação, gerência e diretoria. Dos 35 cargos de gestão do Hospital, 30 estão sob a responsabilidade de mulheres, e cinco, de homens. Desses 35 postos de trabalho, cinco são gerências - e apenas uma dessas posições é ocupada por homem. Além disso, dos quatro cargos de diretoria, três são ocupados por mulheres.

Este cenário no Hospital Metropolitano contrasta com os dados da pesquisa 2017 da ‘Women in Business’, que revela que o índice das mulheres que estão em cargos de chefia ou de diretorias executivas no mundo é de apenas 12%. Desigualdade de gênero e divisão sexual do trabalho sustentam essa taxa, mesmo diante do fato de que as mulheres representam 49% do mercado de trabalho mundial, segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT).

A liderança principal do Hospital Metropolitano é missão de uma mulher. A diretora executiva Maria do Carmo é médica, doutora em administração pela UFMG e tem trajetória de 30 anos de dedicação na área de saúde pública. “Em todas as situações em que ocupei cargos de gestão, nunca pensei na questão do gênero para compor a equipe. A minha trajetória também não é a de mudança imediata de equipes quando chego para ocupar uma função de liderança. Se ocorrem mudanças, elas acontecem após um percurso de avaliação de habilidades e de competências para a missão de cada um”, pondera.
 


Avanços

Coordenadora de Seleção, Treinamento e Desenvolvimento da Gerência de Recursos Humanos do Hospital Metropolitano, Flávia Barbosa afirma que, nas seleções públicas para contratação de profissionais para o Hospital, as mulheres são maioria em todas as funções como candidatas e como aprovadas.

Dessa forma, Flávia vê como responsabilidade do mercado de trabalho a valorização do conhecimento e da experiência das mulheres em cargos de chefia. “Hoje a mulher se sente mais confortável nessa busca, nessa disputa. Elas querem ocupar esse espaço de liderança, é um movimento que aparece de forma clara”, afirma.
 


Quatro especializações em dez anos

No Brasil, as mulheres têm mais anos de estudo que os homens. Os números mais recentes, de 2015, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) sobre o Sistema Nacional de Pós-Graduação, mostram 175.419 mulheres matriculadas e tituladas em cursos de mestrado e doutorado, frente a 150.236 homens. A diferença é de aproximadamente 15%.

A enfermeira Vanessa Dias Souza de Morais é um dos exemplos. Aos 32 anos, casada, mãe de dois filhos, Raquel, 6, e Joaquim, 2, ela tem quatro especializações em menos de dez anos de profissão. É especialista em Terapia Intensiva, em Centro Cirúrgico, em Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, e, em 2017, concluiu, pela UFMG, a especialização em Cardiologia e Hemodinâmica. Vanessa é, atualmente, a coordenadora de Enfermagem da Linha de Cuidado ao Paciente Cirúrgico no Hospital Célio de Castro.

Conciliar a profissão com a maternidade é um desafio, mas que Vanessa encara com coragem.  “Minha filha nasceu prematura, de sete meses. Quando engravidei já estava na coordenação, não deixei de trabalhar e nem de dar assistência a ela. Ela agora está na fase da alfabetização, e faço questão de acompanhar. Fazemos o para casa juntas, levo à natação, ao balé, ao inglês. Tenho um outro filho e gosto de fazer a merendeira, de conferir os materiais que levam para escola. E não deixo de fazer as minhas atividades. Faço academia às 6h30 da manhã”, diz.
 
 

10/01/2018. Maioria feminina. Fotos: Divulgação/PBH