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Mulheres cantando
Foto: Divulgação PBH

FLI BH chega ao fim com 83 horas de programação e mais de 18 mil visualizações

criado em 20/08/2021 - atualizado em 20/08/2021 | 18:27

Realizada pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Periférico, a 4ª edição do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI BH) chegou ao fim nesta sexta-feira, dia 20, após 11 dias de uma programação totalmente on-line e gratuita. A maioria das atividades realizadas segue disponível ao público pelo canal oficial da Fundação Municipal de Cultura no YouTube. Com o tema “Virando a Página: Livro e Leitura Tecendo Amanhãs”, o Festival esteve em sintonia com o momento que estamos vivendo e reafirmou seu compromisso com a democratização do acesso ao livro e à leitura, com uma programação intensa, que somou mais de 200 atrações.

“Após 11 dias de evento, a soma de mais de 18 mil visualizações nos diversos tipos de conteúdos que foram ofertados é um indicador de que conseguimos alcançar um público amplo, levando para as pessoas reflexões importantes sobre o papel dos livros e da literatura e assegurando a continuidade desta fundamental política pública da Cultura de Belo Horizonte”, afirma Fabíola Moulin, secretária municipal de Cultura e presidenta interina da Fundação Municipal de Cultura.

Ao todo, foram 201 atrações, que somaram 83 horas de mesas de debate, clubes de leitura, narração de histórias, conferências, entrevistas, performances e saraus. Até o fim de 2021, 55 horas de conteúdo ficarão disponíveis no canal do YouTube da Fundação Municipal de Cultura (youtube.com/canalFMC) para quem quiser assistir ao que foi realizado durante o evento ou revisitar os temas debatidos.

Um destaque da edição foi a apresentação de novos autores e títulos, com 108 obras lançadas, sendo 52 obras para o público infanto-juvenil e 56 para o público jovem e adulto. Ao todo, foram 255 participações de escritores, poetas, ilustradores, narradores de histórias, grupos de teatro e músicos, além dos profissionais do mercado literário, como produtores, editores e pesquisadores. A participação de 99 editoras de todo o país materializou a bibliodiversidade no Festival, especialmente na Feira Virtual do Livro, realizada pelo site oficial fli.pbh.gov.br. A contrapartida em livros oferecida por essas editoras, que soma cerca de 300 exemplares, será destinada para incorporar o acervo da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte (BPIJ BH), como presente por seu aniversário de 30 anos.

Entre o conteúdo dos últimos dias do Festival, alguns destaques são a reflexão sobre o direito das pessoas com deficiência à leitura, tratada na mesa "Gramáticas da Inclusão"; os processos contemporâneos de criação literária, na mesa "A literatura pelo avesso"; a presença da poesia em uma batalha de slam e como tema de mesa de debate; um olhar para a primeiríssima infância nas oficinas "Ler como bebês" e “Bebês leitores: um encontro com o inesperado”. Na manhã desta sexta-feira, a conferência de encerramento abordou aspectos sociológicos e econômicos da tradução em todo o mundo.

Para as curadoras do Festival, Madu Costa e Ana Elisa Ribeiro, o evento foi um presente que converge com o tema central. “O FLI BH cumpriu bem a proposta de falar de amanhãs, de propor a costura de novos dias, de virar a página e ir para uma (vida) melhor. A programação imensa e diversa pôs na roda tantos assuntos importantes que só podemos estar com este sentimento que mescla gratidão, realização e alegria, a despeito do quadro difícil que estamos vivendo e experimentando. Oficinas lindas e emocionantes, rodas de leitura igualmente emocionantes e relevantes, dando voz aos textos de A a Z, saraus, entrevistas incríveis, mesas de debate impressionantes. Por vários dias, dormi ainda ao som da voz de gente inteligente e atenta que olha para este mundo de hoje e pretende construir um outro, melhor para todos e todas. Creio que tenhamos cumprido nossa missão como curadoras, embora isso não seja nada definitivo. Aprendemos muito, conversamos bastante e estamos prontas para a próxima”, conclui Ana Elisa.

Madu Costa foi poeticamente enfática em sua avaliação: “Um mergulho. Um vôo. Um subir em árvores. Um andar descalça. Viramos páginas importantes. E os amanhãs? Já os vislumbramos melhores. Meus sentimentos acordam a criança interior e ela sorri de alegria pelo presente recebido. O festival foi o melhor presente que poderíamos nos dar. Foi inclusivo, profundo e com aquele gosto de querer mais. Foi um grande momento. Estou feliz”.

A diretora-presidente do Instituto Periférico, Gabriela Santoro, destaca o clima de otimismo proposto pelo tema. "Pensar uma agenda mais ampla para o livro e a leitura me parece uma tarefa importante do nosso tempo. São promissores os convites feitos pelo FLI BH nos muitos encontros realizados nos últimos dias, celebrando a literatura e os leitores e sua potência de construção perene de amanhãs. Em breve, voltaremos às bibliotecas e estaremos novamente nas livrarias, nas ruas, ouvindo, lendo e dividindo as histórias que partilhamos nas telas”.

Com as atrações francesas, Marielle Macé e Gisèle Sapiro, esta edição contou com o apoio da Aliança Francesa. Lucas Moraes, Gerente Cultural do órgão, conta qual foi a sua impressão desse momento de troca, quando avaliado o tema do evento. “A promoção do intercâmbio cultural e linguístico sempre foi uma das marcas do FLI BH. Contando com a participação de escritores e escritoras estrangeiros, a edição deste ano manteve-se fiel a esta missão, contribuindo enormemente para a troca de saberes sobre a diversidade de experiências de leitura e escrita nas diferentes culturas. Penso que os amanhãs nascem de parcerias como esta que a AFBH e a Embaixada da França tiveram a honra de firmar com o FLI'', explica Lucas.
 

Valorização de BH

Belo Horizonte foi a protagonista da edição, representada pela maioria dos participantes, e pelo público: 49% dos espectadores informou na pesquisa disponível no site oficial do Festival que é da capital mineira, o que demonstrou que a cidade converge os que produzem a quem aprecia a literatura. Outras cidades do Estado e do país também foram contempladas, tanto pelos participantes quanto pelos espectadores. Juiz de Fora, Bom Despacho, Contagem, Sabará, Lagoa Santa e Governador Valadares se fizeram presentes pelos participantes mineiros. Já de outros estados, o Festival contou com convidados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Roraima, além de Brasília. Quanto ao público, as cidades que mais foram informadas são Natal (RN), São José (SC), Vila Velha (ES), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Sabará, Lagoa Santa e Juiz de Fora (MG). De fora do Brasil, participaram convidadas e convidados de Moçambique, Argentina, França, Portugal, México, Espanha e do Chile.

 

Acesso foi proridade

O FLI BH investiu em recursos de acessibilidade, tendo em vista seu compromisso com a inclusão e com a garantia de participação de pessoas com deficiência, tanto como público, quanto como convidadas. O conteúdo produzido ao vivo foi oferecido em libras e, em alguns casos, com audiodescrição de imagens. No canal oficial da Fundação Municipal de Cultura, no YouTube, os vídeos contam com tradução em libras e legenda textual. Os participantes foram orientados a iniciar suas apresentações com autodescrição (falando como são fisicamente, o que vestem e onde estão), com o objetivo de criar condições para que pessoas cegas ou com baixa visão pudessem compreender visualmente quem era o agente da mensagem.

 

Sobre o FLI BH

Realizado a cada dois anos, o FLI BH oferece atividades diversas para a valorização da literatura, contemplando públicos distintos e abarcando as cadeias criativas, produtivas, formativas e de promoção do acesso ao livro e à leitura. Desde a primeira edição, o Festival já recebeu mais de 600 profissionais e artistas convidados e realizou cerca de 700 atividades voltadas para leitores de todas as idades.