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Teatros Marília, Francisco Nunes e Raul Belém Machado recebem a programação de espetáculos, todos com entrada gratuita. Foto: Diego Bresani
Foto: Diego Bresani

Festival traz cena teatral do Distrito Federal para BH

16/08/2017 | 12:35 | atualizado em 21/08/2017 | 15:49

Até o dia 27 de agosto, Belo Horizonte recebe o Festival do Teatro Brasileiro - FTB, que traz para a cidade uma importante seleção das artes cênicas produzidas no Distrito Federal. Com apoio da Fundação Municipal de Cultura, os espetáculos que compõem o festival têm apresentações nos três teatros públicos municipais: Marília, Francisco Nunes e Raul Belém Machado. Todas as apresentações têm entrada gratuita, e os ingressos são distribuídos com 1 hora de antecedência. A programação completa do festival está disponível no site BH faz Cultura.

 

Além dos espetáculos, o Festival também realiza na capital mineira uma série de atividades: ações de formação de estudantes da rede pública municipal, encontros, oficinas e residência artística. “Reencontrar o público belo-horizontino, agora apresentando a Cena Distrito Federal, é motivo de muita felicidade! Encontros que renovam nossas forças, em um momento de grave crise em nosso país, são a forma de resistência do Festival do Teatro Brasileiro”, destaca o idealizador do Festival, Sergio Bacelar.

 

Nesta edição, o Festival do Teatro Brasileiro apresenta 12 espetáculos, que passam por diferentes linguagens do teatro e da dança, para o público adulto e infantil, indo da acrobacia aérea ao teatro para bebês, por exemplo, e discutindo questões políticas urgentes da sociedade contemporânea, como o racismo e a transexualidade. “Quando se pergunta quais foram os critérios para escolha de uma Cena a resposta nunca vai satisfazer a quem a faz. Sigo a ideia de oferecer um painel vasto e complexo do que se produz num estado. Sem deixar de lado o crítico me coloco no lugar do espectador que vê em festivais como este a oportunidade de ver o diferente, o novo, e não o mesmo do mesmo. A ideia é surpreender. Levar a este público qualidade e novidade. A Cena poderia ser muitas, várias. Há trabalhos de grupos permanentes, encenadores de prestígio, espetáculos consagrados. Espero ter conseguido uma Cena Distrito Federal marcante ao escolher espetáculos mais recentes em detrimento dos consagrados sucessos de público”, comenta o curador do Festival, Guilherme Filho.

 

Festival

Um festival nômade. Assim é o Festival do Teatro Brasileiro (FTB). Na estrada desde 1999, o evento chega a Belo Horizonte em 2017, trazendo na mala o que de importante está sendo feito no Distrito Federal em artes cênicas. Tendo como característica intrínseca, o caminhar, o andar, o viajar, o FTB segue levando o panorama cênico de um estado brasileiro a outro. Em edições anteriores, o festival promoveu a aproximação dos pernambucanos e sergipanos. Levou ao Distrito Federal a cena teatral dos gaúchos, mineiros, baianos e pernambucanos. Os gaúchos também foram ao encontro dos goianos, assim como cearenses ao de capixabas e mineiros. Os paranaenses receberam os mineiros e se encontraram com os gaúchos e paulistas. E os baianos, que já trocaram com os pernambucanos, maranhenses, acreanos, capixabas e paulistas.

 

O Festival do Teatro Brasileiro ocupa um espaço na ação de complementação de política de estado. Ele vem sendo considerado um formato renovador para os festivais, pois é construído por quem vai e quem recebe. E por deixar legados e boas lembranças. Em 16 anos de trajetória, já foram apresentadas as cenas Baiana, Cearense, Pernambucana, Mineira, Gaúcha, Paranaense e do Distrito Federal para 14 estados e DF: São Paulo, Rio de Janeiro, Acre, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Sergipe, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Goiás. O FTB já realizou 631 apresentações de 179 espetáculos selecionados, com público superior a 245 mil espectadores. Um total de 44.900 crianças e jovens da rede pública de ensino participou gratuitamente dos programas educativos promovidos; cerca de 2.090 pessoas frequentaram as oficinas e ao longo das dezesseis edições do projeto foram gerados mais de 2.350 empregos temporários.

 

Festival do Teatro Brasileiro – Cena Distrito Federal

Até 27 de agosto.

Apresentações nos teatros Marília, Francisco Nunes e Raul Belém Machado e Funarte.

Entrada gratuita.

 

PROGRAMAÇÃO DE ESPETÁCULOS
 

Dias 17 e 18 de agosto

 

“De Carne e Concreto - Uma Instalação Coreográfica” - Anti Status Quo Cia. de Dança

 

Propõe uma reflexão sobre a condição urbana humana atual sob a perspectiva do corpo. Na fronteira entre a performance, as artes visuais e a dança contemporânea, o trabalho da Anti Status Quo Companhia de Dança de Brasília-DF coloca o público diante da questão de vivermos em coletividade e em grande centros urbanos e sob o sistema econômico vigente. Fruto de estudo da relação do corpo com a cidade, o trabalho parte da materialidade das coisas, do simples e do precário para revermos como nos relacionamos uns com os outros, como lidamos com o individual e o coletivo, com o espaço e o tempo e com o corpo e a mente. O formato de instalação instaura diferentes maneiras de perceber a obra, propondo uma vivência de arte como experiência.

Quando: 19h30 Onde: Funarte MG – Rua Januária, 68, Centro Duração: 140 min Classificação indicativa: 18 anos  


“A Moscou! Um palimpsesto” - Companhia Setor de Áreas Isoladas

O espetáculo é uma re-escrita contemporânea do clássico As três irmãs de Anton Tchekhov. Em um diálogo caloroso entre o teatro e a música, quatro atrizes e dois músicos se propuseram a compor a sua versão do drama. Escrita entre os vestígios da peça original, a peça explora o tema da dificuldade de resistir à erosão da vida e dos sonhos pela ação do tempo. Revisitando o drama dos 4 irmãos tchekhovianos que sonham em voltar para Moscou, o paraíso perdido, sem nunca conseguir, deparamo-nos com questões que dialogam perfeitamente com nosso aqui e agora.

Quando: 20h Onde: Teatro Marília – Av. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia Duração: 90 min Classificação indicativa: 14 anos. 

 

Dias 19 e 20 de agosto

“A Geometria dos Sonhos” - La Casa Incierta

A peça é um caminho poético que evoca a história da metamorfose de uma pedra. A força do desejo move a pedra desde as entranhas da terra até seu destino, convertida finalmente em uma nuvem para assim completar seu sonho de poder chorar. O espetáculo é um caminho através dos mapas do corpo, através dos seus balbucios, seus erros, suas marcas não desejadas e seus atos falidos. O espaço é um sonho geométrico em forma de abacaxi, o espaço onde se gera a luz que se abre um caminho na escuridão.

Quando:  11h. Onde: Teatro Francisco Nunes – Av. Afonso Pena, s/nº, Centro (Parque Municipal). Duração: 40 min. Classificação indicativa: para crianças de até 5 anos. Lotação: 40 pessoas.

          
“Entre Quartos” - Grupo Tripé 

Analisando o estilo de vida da juventude dos dias de hoje, os atores do grupo exploram a relação entre quatro jovens que decidiram sair de casa e morar juntos. Ao longo do tempo, a convivência entre eles é abalada por conflitos do dia-a-dia, trazendo questionamentos sobre liberdade, amor e amizade. Com a produção, o Grupo Tripé marcou sua estreia profissional, levando aos palcos a rebeldia e o descontentamento dos jovens por meio de intensidade e dinamicidade. O projeto cria uma metáfora sobre as fases e os ciclos do amor na forma de um apartamento compartilhado entre amigos.

Quando: 19/08 – 20h e 20/08 – 19h. Onde: Funarte MG – Rua Januária, 68, Centro. Duração: 60 min. Classificação indicativa: 14 anos. 


“Fio a Fio” - Giselle Rodrigues e Édi Oliveira Fio a Fio

Espetáculo de dança-teatro que aborda, poeticamente, o período da vida em que precisamos lidar com a ação do acúmulo dos anos sobre o corpo: O ENVELHECER. O espetáculo estreou em outubro de 2015. Em 2016 participou de dois festivais no Brasil: o FTB - XVIII Edição (RJ) e o 17° Festival Cena Contemporânea - Brasília (DF). Participou, ainda em 2016, da mostra do Prêmio SESC do Teatro Candango, na qual foi premiado em 6 categorias, inclusive de melhor espetáculo.

Quando: 20h. Onde: Teatro Marília – Av. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia. Duração: 70 min. Classificação indicativa: 12 anos. 

 

Dias 23 e 24 de agosto


“Pentes” - Grupo Embaraça

Colocando em cena a identidade da mulher negra através do cabelo crespo, o espetáculo Pentes revela as facetas do racismo velado buscando desconstruir os estereótipos que perseguem a mulher negra. Com uma criação autoral e independente, Pentes propõe discussões de maneira intensa e criativa. Um dos destaques do espetáculo é o uso de música ao vivo, executada por uma banda formada por 6 instrumentistas negras em interação com o elenco. Do riso ao choro, a peça convida o público a mergulhar em histórias.

Quando: 20h. Onde: Teatro Francisco Nunes – Av. Afonso Penas s/nº, Centro (Parque Municipal). Duração: 65 min Classificação indicativa: 12 anos.


“Stanisloves-me” - Teatro Pândego

Maria é uma jovem atriz estudante de artes cênicas, obcecada por treinamento e em busca de total aperfeiçoamento metodológico. Uma questionadora ingênua em busca de certezas estéticas e técnicas, cansada de sofrer por infinitas perguntas e crenças. Ser ou não ser atriz? Treinamento ou talento? O ator é um pastor? Qual futuro tenebroso a aguarda na carreira de atriz solo de teatro?
No entanto, ela é possuída por entidades e criaturas como Antonin Artaud e Constantin Stanislavisk, grandes teatrólogos e influências em sua formação acadêmica. Esses seres e a mãe, retrógrada e pragmática, levam-a ao estado da loucura. Maria traz o humor, o autoescárnio e seus poderosos instrumentos físicos e metafísicos.

Quando: 20h. Onde: Teatro Marília – Av. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia. Duração: 50 min. Classificação indicativa: 12 anos. 


“Pombo-Correio”- Mundin Cia de Teatro

Comédia permeada por lembranças de amores de carnavais sob a ótica de duas personagens antagônicas – ou nem tanto: Celeste, uma mulher anestesiada pela vida e que não quer guardar nenhuma lembrança, e Madalena, que quer guardar lembrança de cada amor, até mesmo daqueles que não viveu. O encontro das duas se dá exatamente naquele suspiro entre a desilusão de um amor vivido e as promessas do novo amor.

Quando: 21h. Onde: Teatro Marília – Av. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia. Duração: 50 min. Classificação indicativa: 12 anos.

 
 

Dias 25, 26  e 27 de agosto


“Adaptação” - Teatro de Açúcar

A História de personagens num momento de adaptação como meio necessário de sobrevivência: Um diretor teatral frustrado que não consegue sair de uma crise criativa e decide mudar de profissão; Uma atriz recém-chegada à cidade grande e necessita se acostumar à solidão do novo estilo de vida; Uma transexual que adaptou seu corpo para poder seguir vivendo nele; Um dinossauro que não sabe se sobreviverá às adaptações de sua espécie. Todos estão unidos por um drama em comum: o medo de morrer, de se transformar, de deixar de existir, como se alguém escrevesse ou adaptasse suas histórias.

Quando: 25 e 26/08 - 20h. Onde: Teatro Marília – Av. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia. Duração: 60 min. Classificação indicativa: 12 anos. 

 


“O que me toca é meu também” - Coletivo Instrumento de Ver

O mais recente espetáculo do coletivo brasiliense Instrumento de Ver tem direção e dramaturgia de Raquel Karro (RJ). As intérpretes Julia Henning e Maíra Moraes transitam pelo universo da acrobacia aérea em uma trajetória cênica que inclui memória, reprodução, imitação e criação. Reverência e reinvenção conduzem o público a lugares tão díspares quanto uma sala de ensaio no Planalto Central ou uma lona de circo armada no coração de Paris.

Quando: 25 e 26/08 – 20h e 27/08 – 19h. Onde: Teatro Raul Belém Machado – Rua Jauá, 80, Alípio de Melo. Duração: 60 min. Classificação indicativa: Livre.
           


“Iara – O encanto das águas”- Cia Lumiato Teatro de Formas Animadas

Um Índio da aldeia sonha com uma mulher sobrenatural. Ao acordar, procura o sábio Pajé para tentar entender quais são os mistérios dessa mulher, descobrindo assim a história da Iara. No encantamento da sereia brasileira, o protagonista mergulha com ela nas profundezas do seu próprio destino. Inspirado na lenda da Iara e utilizando a linguagem do teatro de sombras contemporâneo, o espetáculo busca sensibilizar o público infanto-juvenil sobre os saberes da tradição oral dos povos originários do Brasil.

Quando: 26 e 27/08 – 16h. Onde: Teatro Marília – Av. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia. Duração: 40 min. Classificação indicativa: Livre. 


“KALO – Filhos do Vento”- Cia Os Buriti

Peça conta a história de Suki, uma cigana contadora de histórias que quer salvar a memória de seu povo. Baxt é a sorte, um fantasma que a protege. Suki herdou de sua avó, uma bolsa que contém todas as histórias ciganas. Preocupada em manter a memória de seu povo e intuindo que o seu fim está próximo, parte da Eslováquia em direção a França para entregar a bolsa de histórias à Santa Sara, protetora do povo cigano. Suki e sua sorte, Baxt, viajam juntos transitando entre dois mundos: o real e o imaginário, o que é visto e o que não pode ser visto.

Quando: 26 e 27/08 – 20h. Onde: Teatro Francisco Nunes – Av. Afonso Penas s/nº, Centro (Parque Municipal). Duração: 100 min. Classificação indicativa: Livre.

Três pessoas, dentre elas um homem e mulher de saia dançam enquanto caem confetes, mulher sentada observa. Cena da peça “Pombo-Correio”, da Mundin Cia. de Teatro.
Três pessoas, dentre elas um homem e mulher de saia dançam enquanto caem confetes, mulher sentada observa. Cena da peça “Pombo-Correio”, da Mundin Cia. de Teatro.
Cinco pessoas, das quais quatro são mulheres e uma homem, rezam de frente a uma mesa em ambiente escuro. Cena da peça “A Moscou! Um palimpsesto”, da Companhia Setor de Áreas Isoladas.
Cinco pessoas, das quais quatro são mulheres e uma homem, rezam de frente a uma mesa em ambiente escuro. Cena da peça “A Moscou! Um palimpsesto”, da Companhia Setor de Áreas Isoladas.
Mulher sentada em cima de mala preta e prata observa boneco dinossauro 'beber' água em cima de uma mesa com toalha preta. Cena da peça “Adaptação”, da Companhia Teatro de Açúcar.
Mulher sentada em cima de mala preta e prata observa boneco dinossauro 'beber' água em cima de uma mesa com toalha preta. Cena da peça “Adaptação”, da Companhia Teatro de Açúcar.